Conab inaugura obras em PG e amplia a capacidade de armazenamento
Melhorias incluem compra de tombadores, duplicação da recepção de grãos e impermeabilização dos silos

O Brasil ganhou mais 120 mil toneladas em capacidade de armazenar a supersafra de grãos. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) inaugurou nesta sexta-feira (29) a primeira etapa das obras de reforma da Unidade Armazenadora (UA) de Ponta Grossa, a maior da estatal e uma das maiores do Brasil. Com a modernização, a UA teve sua capacidade operacional ampliada de 180 mil para 300 mil toneladas — e mira alcançar sua capacidade plena, de 420 mil toneladas, ao término das intervenções. O convênio firmado entre a Conab, a Itaipu Binacional e o Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (Unops/ONU) prevê investimento total de R$ 50 milhões. O objetivo é ampliar a capacidade de estocagem de alimentos e contribuir para a redução do déficit de armazenagem no país. O recurso também será destinado à elaboração de projetos executivos para reforma e modernização das UAs de Cambé (PR), Rolândia (PR) e Maracaju (MS).
A inauguração da primeira fase teve a participação da ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Fernanda Machiaveli, do presidente da Companhia, Sílvio Porto, e dos diretores de Operações e Abastecimento, Arnoldo de Campos, de Política Agrícola e Informações, Naiara Bittencourt, e Administrativo, Financeiro e de Fiscalização, Benhur Freitas. Também marcaram presença o diretor-geral da Itaipu Binacional, Enio Verri, e o diretor de Coordenação, Carlos Carboni; o diretor do Unops no Brasil, Fernando Barbieri; a secretária nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), Lilian Rahal; gestores públicos, parlamentares, representantes de entidades parceiras e produtores rurais atendidos pelas políticas públicas de armazenagem e abastecimento.
As melhorias na UA integram o plano nacional de modernização da rede armazenadora da Conab. Nesta primeira etapa, foram investidos R$ 24,5 milhões na estrutura de Ponta Grossa. Desse total, R$ 15 milhões vieram do convênio entre Conab, Itaipu Binacional e Unops/ONU para recuperação da unidade, com lavagem e impermeabilização, por meio de tinta emborrachada, de seis armazéns graneleiros horizontais e de uma bateria com 16 silos verticais, além da reforma da balança, dos telhados e do reforço na fixação de parafusos. As intervenções eliminaram infiltrações, ampliaram o controle térmico interno e reforçaram a conservação dos grãos, além de elevar a segurança operacional e melhorar as condições de trabalho.
Já a Conab destinou R$ 9,5 milhões em recursos próprios para aquisição de equipamentos e outras ações, incluindo três novos tombadores, que duplicam a capacidade de recepção de cargas dos caminhões, e a cobertura da moega, estrutura responsável pelo recebimento de grãos a granel. O recurso foi destinado, ainda, à aquisição de materiais elétricos e rádios comunicadores anti-explosão, e à contratação anual de serviços de manutenção.
A unidade armazenadora de Ponta Grossa está instalada em um dos principais entroncamentos rodoviários do Mercosul e ocupa posição estratégica para a movimentação de grãos produzidos no Paraná e na região Centro-Oeste com destino ao Porto de Paranaguá, principal corredor de exportação agrícola do Brasil. Com capacidade estática para 420 mil toneladas, que irá alcançar ao término da obra, em abril de 2027, é a maior UA da Conab e esteve, durante muitos anos, na liderança entre as maiores estruturas do setor no país.
No local são armazenados produtos dos estoques estratégicos do governo federal, como trigo e milho, e retoma, nesta etapa, a movimentação de soja. O complexo também presta serviços para cooperativas e empresas privadas, consolidando-se como uma das principais fontes de receita da Companhia. Atualmente, recebe cerca de 100 carretas de grãos por dia.
O diretor Arnoldo de Campos disse que a modernização da UA é um marco no processo de recuperação da rede armazenadora da Companhia, após anos de redução da capacidade operacional. Segundo ele, trata-se de uma ação estratégica para o país, ao fortalecer a produção agropecuária, o abastecimento e a soberania alimentar. “Essa recuperação está alinhada ao projeto de futuro que estamos construindo para a Companhia: uma Conab mais forte, estratégica, voltada ao produtor, ao abastecimento e à segurança alimentar, ampliando a autonomia do Brasil nessa área”, apontou.
Segunda fase — Durante a cerimônia em Ponta Grossa, também foi assinada a ordem de serviço para o início da segunda etapa do projeto de reforma e modernização da UA, que trata da elaboração dos projetos executivos das áreas civil e eletromecânica, além das obras, num investimento total de R$ 35 milhões. Ao término dessas intervenções, a UA voltará a ter sua capacidade máxima. A reforma e ampliação de um vestiário feminino exclusivo para caminhoneiras também estão previstas.
O diretor-geral da Itaipu Binacional, Enio Verri, falou sobre os resultados da parceria institucional. “Investir em segurança alimentar e na ampliação da capacidade de abastecimento tem impacto direto na vida da população. É isso que estamos fazendo ao apoiar uma iniciativa prioritária do Governo do Brasil, alinhada ao compromisso da Itaipu com projetos estruturantes que fortalecem a produção, geram desenvolvimento e ajudam a garantir alimento na mesa de quem mais precisa”, assinalou.
Já o diretor do Unops no Brasil, Fernando Barbieri, acrescentou que a iniciativa reforça a cooperação em projetos voltados à infraestrutura pública e à segurança alimentar. “Este é um projeto pioneiro para o Unops em todo o mundo, e mostramos que é possível entregar uma obra desta magnitude e complexidade em tempo hábil, com altos padrões de qualidade e de segurança para todas as pessoas envolvidas. Além de trabalhar para que a unidade seja mais eficiente, ainda nos certificamos em implementar as melhores soluções em termos de tecnologia, e estamos confiantes de que as próximas etapas do projeto também trarão resultados significativos”, concluiu.

























