UEPG reúne especialistas do Brasil e do exterior na 1ª Escola de Ciências Ômicas | aRede
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UEPG reúne especialistas do Brasil e do exterior na 1ª Escola de Ciências Ômicas

As Ciências Ômicas englobam um conjunto de áreas que utilizam tecnologias avançadas para compreender como genes, proteínas e outras moléculas interagem entre si e influenciam o funcionamento dos organismos vivos

1ª Escola Integrada de Ciências Ômicas dos Campos Gerais
1ª Escola Integrada de Ciências Ômicas dos Campos Gerais -

Publicado por Diego Chila

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O que o DNA de uma planta, os microrganismos presentes no solo, o desenvolvimento de novos medicamentos e a qualidade de uma fruta têm em comum? A resposta passa pelas chamadas ciências ômicas, conjunto de áreas que utilizam tecnologias avançadas para compreender como genes, proteínas e outras moléculas interagem entre si e influenciam o funcionamento dos organismos vivos. Foi para discutir essas aplicações que a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) sediou, entre os dias 12 e 15 de maio, a 1ª Escola Integrada de Ciências Ômicas dos Campos Gerais.

O evento reuniu pesquisadores, estudantes e profissionais de diferentes áreas em uma programação que abordou temas ligados à saúde, agricultura, meio ambiente, desenvolvimento de fármacos e produção de alimentos. Ao longo de quatro dias, foram promovidas palestras e minicursos ministrados por especialistas da UEPG, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), do Instituto Butantan, do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e de instituições internacionais.

A coordenadora do evento, professora Cássia Gonçalves Magalhães, destacou que a proposta surgiu da necessidade de criar espaços de integração em uma área que vem transformando a pesquisa científica em todo o mundo. “Vivemos um momento em que as chamadas ciências ômicas: genômica, proteômica, metabolômica, entre outras, vêm transformando profundamente a forma como compreendemos os sistemas biológicos”, afirmou. Segundo a professora, essas abordagens permitem discutir aplicações práticas e refletir sobre o papel das ciências ômicas no desenvolvimento sustentável e na geração de soluções para a sociedade. “Mais do que apresentar técnicas ou resultados, buscamos criar um ambiente de troca, aprendizado e colaboração entre estudantes, pesquisadores e profissionais de diferentes áreas”, ressaltou. A coordenadora também destacou o papel da UEPG na articulação dessas discussões. “Esperamos que este espaço fortaleça redes de colaboração e estimule novas ideias e parcerias, colocando a região dos Campos Gerais no cenário dessa importante área da ciência”.

Na cerimônia de abertura, o reitor da UEPG, professor Miguel Sanches Neto, ressaltou a importância de iniciativas que promovam a interdisciplinaridade e a cooperação entre instituições. “Ser interdisciplinar e trabalhar em rede é fundamental nesse momento que vivemos da produção científica, porque se no passado o conhecimento estava concentrado em alguns países, em algumas cidades, em alguns idiomas, em algumas regiões, hoje o conhecimento está disseminado por todo o planeta”, afirmou. Para o reitor, a presença de pesquisadores de diferentes regiões do Brasil e do exterior reforçou esse caráter colaborativo. “As ciências ômicas estão no centro da discussão da ciência hoje. Vocês têm uma oportunidade muito grande de inserção dentro de um tema que vai crescer cada vez mais”.

Ciências Ômicas

Os nomes podem parecer complexos à primeira vista, mas as ciências ômicas têm sido essenciais para avanços científicos e tecnológicos que impactam o cotidiano da população. A genômica, por exemplo, estuda os genes e o DNA dos organismos. A transcriptômica investiga quais genes estão ativos em determinado momento. Já a proteômica analisa as proteínas produzidas pelas células, enquanto a metabolômica busca compreender moléculas como açúcares, vitaminas e aminoácidos. “Na prática, essas ferramentas auxiliam o desenvolvimento de medicamentos, diagnóstico de doenças, melhoria na produção agrícola, aumento da qualidade e durabilidade dos alimentos, preservação ambiental e até no entendimento dos processos biológicos complexos”, explica a agrônoma Calistene Aparecida Pinto, integrante do Laboratório de Biotecnologia Aplicada à Fruticultura da UEPG.

Para ela, o evento foi uma oportunidade de aproximar pesquisadores e estudantes de áreas distintas em torno de desafios comuns. “Mostra como as tecnologias das ciências ômicas podem contribuir para solucionar desafios científicos, econômicos e até sociais”, afirma. Calistene destaca que a realização da Escola demonstra o compromisso da Universidade com a formação de pesquisadores e com a produção científica de impacto. “Além de aproximar estudantes e pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento, a iniciativa fortaleceu a inserção da universidade em pesquisas de fronteira, estimulando colaborações nacionais e internacionais e ampliando a formação acadêmica dos alunos de graduação e pós-graduação”, avalia.

A diversidade de temas foi uma das marcas da programação. A palestra de abertura foi conduzida pela professora Alessandra Sussulini, da Unicamp, referência internacional em metabolômica, que apresentou aplicações da área no estudo de doenças neuropsiquiátricas e em novas perspectivas terapêuticas. Outras atividades abordaram o microbioma do solo, a descoberta de novas substâncias a partir de produtos naturais, o perfil de proteínas presentes em venenos de serpentes brasileiras, a evolução dos vírus gigantes e os caminhos futuros das ciências ômicas no Brasil. Na área agrícola, um dos destaques foi a participação do pesquisador espanhol Jordi Garcia-Mas, do Centro de Pesquisa em Genômica Agrícola (Crag), em Barcelona. Reconhecido internacionalmente por liderar o grupo responsável pelo primeiro sequenciamento completo do genoma do melão, em 2012, o pesquisador ministrou palestra e minicurso sobre melhoramento genético e edição gênica da fruta.

Segundo o professor Ricardo Antônio Ayub, a presença do pesquisador fortaleceu uma parceria já existente com a UEPG, e abriu novas possibilidades de cooperação científica. “É muito saudável para nós essas cooperações internacionais porque elas nos colocam em contato com pessoas de grande experiência e com tecnologias de ponta, e isso nos permite então evoluir, destaca. “O Dr. Jordi Garcia-Mas passou a semana aqui conosco, conheceu o nosso curso, conheceu nossos Laboratórios Multiusuários, a fazenda de escola, tivemos interação com empresas da região, como a Basf, o FT Sementes, da área de melhoramento genético, na Agrocete, vendo as possibilidades de cooperação com o controle biológico, que é uma unidade nova que eles estão montando”, detalha.

Ayub explica que pesquisas desenvolvidas pela UEPG em conjunto com outras universidades buscam compreender os mecanismos envolvidos no amadurecimento dos frutos e contribuir para a criação de variedades com melhor qualidade e maior durabilidade após a colheita. “Hoje, muitas vezes, conseguimos frutos que duram mais tempo, mas que não têm sabor. O consumidor sai prejudicado. O objetivo é entender esses processos para desenvolver produtos que mantenham qualidade e vida útil”, conta. “O evento foi um ganho para a nossa instituição, porque houve palestras de alto nível em diferentes temas, então foi muito interessante que os nossos estudantes tivessem uma uma visão mais aprofundada das pesquisas em várias áreas”, resume. O professor agradece aos patrocinadores públicos e privados que financiaram a vinda de pesquisadores estrangeiros e a realização do evento.

Com informações da assessoria.
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