Cidade de obstáculos: os desafios da acessibilidade e mobilidade urbana em PG
Os verdadeiros personagens dessa história, moradores de Ponta Grossa, relatam obstáculos diários para estudar, trabalhar e se deslocar pela cidade

Cerca de 84% das calçadas de Ponta Grossa não possuem acessibilidade: esse é o cenário apontado pelo levantamento mais recente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (Iplan). O dado evidencia o crescimento urbano sem planejamento adequado e com o acúmulo de barreiras que transformam a rotina de pessoas com deficiência física e visual em um desafio diário.
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Segundo os dados do Manual de Calçadas do Iplan, apenas 15% do total é considerado em boas condições. Outros 30% são classificados como razoáveis, 29% como ruins e 26% como péssimos. O documento aponta problemas como calçadas com degraus, rampas com elevada inclinação transversal, revestimentos inadequados, ausência de manutenção e uso indevido.
Na prática, isso é ainda mais complicado. A rotina de Valcemir de Oliveira, de 54 anos, começa antes mesmo de sair de casa. Natural de Tibagi, ele divide os dias entre a cidade natal e Ponta Grossa, onde cursa licenciatura em música na UEPG há quase três anos. Há cerca de 10 anos, Valcemir perdeu a visão após uma cirurgia de descolamento de retina e, desde então, precisou reaprender tarefas cotidianas.
Quando precisa se deslocar sozinho pela cidade, os obstáculos aparecem, principalmente, no trajeto entre a casa e a universidade. Calçadas irregulares, ausência de acessibilidade em meio-fios, e o pior: a travessia. “Eu prefiro descer onde tem uma lombada elevada, e aí atravesso para ir para o outro lado. O caminho fica mais longo, mas é o mais seguro a se fazer.”
Valcemir afirma que já levou algumas das dificuldades enfrentadas no dia a dia até a Câmara Municipal, buscando alternativas para tornar os trajetos mais seguros. Entre as sugestões apresentadas, ele cita a implantação de uma lombada elevada em frente ao Colégio Agrícola, em um trecho utilizado para acessar a universidade. Segundo ele, a estrutura poderia facilitar a travessia de pedestres, especialmente de pessoas com deficiência. “O ideal seria fazer uma lombada elevada, que ficaria mais segura para nós passarmos”, relata. No entanto, afirma que recebeu a informação de que o local possui limitações técnicas devido à inclinação da via.
Para ele, o paisagismo urbano desplanejado também é um problema: “boa parte da calçada onde eu passo para ir para a aula, são plantadas palmeiras, que caem coquinhos quando amadurecem, e isso, para a gente que tem deficiência visual, é um perigo. Além das folhas secas no caminho que ficam penduradas e a gente acaba batendo o rosto, às vezes é perigoso cortar/machucar. São coisas que se precisa pensar dentro de uma cidade: o paisagismo”, pontua.
A realidade também é enfrentada por Meirielli Aparecida Mika da Luz, de 20 anos, que possui deficiência física. Segundo ela, a falta de acessibilidade no município interfere diretamente na própria autonomia. Por conta das condições das calçadas e das dificuldades de mobilidade urbana, ela depende exclusivamente de carro ou aplicativos de transporte para se locomover. “Eu não consigo utilizar transporte público e nem me locomover a pé como pedestre por conta da falta de acessibilidade estrutural da cidade”, relata.
Segundo ela, buracos, desníveis e problemas estruturais fazem com que trajetos comuns precisem ser alterados ou ampliados para garantir segurança. Ao destacar o tema, ela também chama atenção para a realidade enfrentada por pessoas com diferentes níveis de mobilidade. “E eu nem sou cadeirante. Imagina a dificuldade para quem utiliza cadeira de rodas diariamente.”
Este é o caso de Pedro Augusto, cadeirante que realiza diariamente o trajeto entre Castro e Ponta Grossa para frequentar as aulas na universidade. Pedro desembarca em frente à UEPG Central e afirma que, a partir desse ponto, começam os desafios relacionados à mobilidade. Com as obras da instituição em andamento, o estudante precisa alterar o caminho. “Eu tenho que entrar pela outra entrada da Universidade, na Rua Riachuelo, e sempre tenho que estar de olho para ver se eu não sou atropelado pelos carros que atravessam na minha frente”, relata.
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Desafios também estão presentes no transporte público
Para além da infraestrutura da cidade, o relato de Antônio Jorge Ferreira de Lima, atendido pela Associação de Pais e Amigos dos Deficientes Visuais (Apadevi), aponta falhas na estrutura de acessibilidade e falta de conscientização da população em um dos principais meios de locomoção da cidade: o transporte público.
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Segundo Antônio Jorge, os problemas começam ainda dentro dos terminais, lugar em que, segundo ele, muitas pessoas acabam permanecendo sobre o piso podotátil enquanto aguardam os ônibus, dificultando a circulação de quem depende da sinalização para se locomover.
Além da obstrução das pistas podotáteis, Antônio Jorge também destaca problemas de desgaste e ausência de sinalização adequada em alguns trechos. “Tem parte das pistas podotáteis que já não têm mais a marcação, fazendo com que você se perca e não consiga se localizar”, relata.
As dificuldades também são enfrentadas fora dos terminais. O usuário da Apadevi cita problemas de acessibilidade em regiões centrais da cidade, como no calçadão da Coronel Cláudio. Segundo ele, a falta de continuidade das pistas podotáteis compromete a mobilidade e a autonomia das pessoas com baixa visão ou cegueira. “Quando você sai do piso podotátil, já não sabe para onde ir. Muitas vezes é preciso se guiar pelas paredes”, explica.

Conscientização da população
Além das barreiras físicas, Valcemir chama atenção para a necessidade de maior conhecimento da população sobre os meios de identificação utilizados por pessoas com deficiência visual.
Segundo ele, as bengalas possuem cores diferentes que indicam condições específicas. A bengala branca identifica pessoas com perda severa da visão; a verde, utilizada por ele, sinaliza baixa visão; e a vermelha e branca indica deficiência visual associada à deficiência auditiva.
Ele explica que esses recursos ajudam a orientar a forma adequada de oferecer auxílio. “Como a minha deficiência não aparece nos olhos, por vezes as pessoas acham que está tudo certo comigo, mas, na verdade, não, e é por isso que precisamos usar a identificação, para que possam perceber que a gente tem dificuldade”, relata.
Para Antônio Jorge, a conscientização da população sobre a importância do piso podotátil também é uma necessidade. “Uma das coisas que a gente pede é a conscientização das pessoas, porque a pista tátil é especialmente para pessoas com deficiência visual”, ressalta.
Entidades sociais
O relato reforça as reivindicações de entidades ligadas à acessibilidade no município, que cobram melhorias nas calçadas, manutenção das pistas táteis e mais investimentos em mobilidade inclusiva em Ponta Grossa.
O Portal aRede também entrou em contato com associações que atendem pessoas com deficiência física e visual para entender as reclamações frequentes envolvendo o tema. Segundo a presidente da Associação dos Deficientes Físicos de Ponta Grossa (ADFPG), Maria Liliane, parte do problema também envolve a falta de participação de PCDs nas decisões sobre mobilidade urbana no município.
Além dos problemas apresentados, Maria destaca dificuldades vivenciadas com o transporte público. “Há superlotação, elevadores quebrados, demora no embarque e falta de respeito aos espaços reservados”, pontua. “Sei que a responsabilidade é do poder público, mas, se cada um fizesse a sua parte, pensando não só na mobilidade de um cadeirante, mas num futuro em que todos vão ficar idosos e possuir dificuldade, Ponta Grossa já melhoraria 99%”, reflete.
A falta de acessibilidade ainda representa um dos principais obstáculos para pessoas com deficiência visual em Ponta Grossa. Esta é a avaliação de Ana Claudia de Castro Savi, pedagoga da Apadevi, entidade que atua no atendimento e apoio à população com deficiência visual no município.

Segundo Ana Cláudia, as condições atuais de mobilidade urbana são consideradas precárias. De acordo com a pedagoga, os desafios enfrentados diariamente pelas pessoas cegas ou com baixa visão dificultam a locomoção com segurança pela cidade. “As calçadas não são planejadas, possuem muitos desníveis e isso atrapalha a mobilidade da pessoa cega. Em muitos locais sequer existem calçadas”, relata.
Conforme Ana Cláudia, a atenção de pessoas com deficiência visual também precisa ser redobrada ao atravessar ruas, devido à alta velocidade de veículos e à falta de atenção de parte dos motoristas.
Outro ponto criticado pela representante da Apadevi é a ausência de semáforos sonoros e sistemas de sinalização acessíveis. Segundo ela, praticamente não existem dispositivos sonoros na cidade.
Comércio ainda não está preparado, aponta pedagoga da Apadevi
Ana Cláudia avalia que ainda grande parte dos estabelecimentos comerciais de Ponta Grossa não está preparada para atender adequadamente pessoas com
deficiência visual. Entre as dificuldades relatadas estão a falta de treinamento de equipes, ausência de recursos acessíveis e barreiras na circulação interna dos espaços.
Apesar das demandas recorrentes, a pedagoga considera que o diálogo com o poder público municipal ainda ocorre de forma insuficiente. Para ela, uma das medidas prioritárias para melhorar a inclusão é ampliar a escuta da população com deficiência visual, com realização de reuniões frequentes entre representantes do município, instituições e usuários para discutir problemas e definir políticas públicas voltadas à acessibilidade.
Bairros diferentes, realidades diferentes
Outro aspecto observado no levantamento está relacionado às diferenças entre as regiões da cidade. Bairros com maior poder aquisitivo apresentam calçadas mais largas, planas e com melhores condições de acessibilidade. Em contrapartida, a ausência de calçadas aparece com maior frequência em áreas de maior declividade, como fundos de vale e Áreas de Preservação Permanente (APPs), onde vivem populações em situação de maior vulnerabilidade.
Além das dificuldades relacionadas à infraestrutura, características geográficas da cidade também influenciam a mobilidade urbana. Com trechos de grande inclinação e regiões com relevo acentuado, a adaptação de espaços públicos encontra limitações técnicas.
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Órgãos públicos apresentam propostas para mudar o diagnóstico da falta de acessibilidade em PG
O Portal aRede entrou em contato com a Prefeitura Municipal de Ponta Grossa (PMPG), a Câmara Municipal de Vereadores, o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (Iplan) e a Viação Campos Gerais (VCG), além de especialistas, visando avaliar o conhecimento sobre o cenário da acessibilidade para pessoas com deficiência em Ponta Grossa.
Ao Portal aRede, a Prefeitura reforçou o último diagnóstico do Iplan, que revelou que apenas 15,7% das calçadas possuem acessibilidade, como rampas e adequações voltadas a cadeirantes e pessoas com deficiência visual. No levantamento mais recente, realizado em janeiro de 2026, o Iplan avaliou vias que conectam equipamentos públicos do município a respeito da facilidade de acesso, da presença de piso podotátil, da qualidade das calçadas e da existência de guias rebaixadas para cadeirantes.
Segundo a Prefeitura, a realização de obras voltadas à melhoria desta realidade apresentada tem como prioridade regiões com maior fluxo de pessoas, especialmente áreas próximas a hospitais, unidades de saúde e outros equipamentos públicos. No entanto, afirmam que demandas da população também podem resultar em intervenções específicas, como é o caso da adequação da calçada da Rua Pandiá Calógeras, onde se localiza a sede da Apadevi.
Em relação à fiscalização de irregulares e falta de acessibilidade, a Prefeitura explica que o Iplan atua por meio de um cronograma orientado por bairros e períodos de levantamento. “Os proprietários são notificados pessoalmente, via AR ou Diário Oficial. Após o período de 30 dias, se não for realizada a limpeza, construção e/ou reparação indicada para o passeio, aplica-se o auto de infração”. Segundo o presidente do Iplan, Rafael Mansani, a fiscalização do órgão é contínua, ou seja, diariamente fiscais atuam pela cidade.

Fiscalização intensificada
Durante este ano, o Iplan ampliou as ações de fiscalização de calçadas irregulares no município. Entre janeiro e abril, foram vistoriadas 1.074 calçadas. Destas, 776 proprietários receberam notificações para correção, manutenção ou construção dos passeios. Além disso, foram realizados 13 embargos de obras irregulares e aplicados sete autos de infração. O município também atendeu 82 denúncias feitas por moradores e promoveu 156 vistorias relacionadas a demolições.
Em relação ao piso podotátil, a Prefeitura destacou que todos os novos projetos de pavimentação já incluem a instalação da acessibilidade nas calçadas. Ainda, de acordo com o decreto municipal nº 26.369, de 10 de março de 2026, calçadas já existentes terão prazo de cinco anos para adequação às normas de acessibilidade.
O governo municipal também afirmou que realiza manutenção programada e emergencial em rampas, corrimãos e pisos táteis da cidade. Problemas podem ser informados pela população por meio do sistema 156, disponível por telefone e pelo site oficial da Prefeitura.
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Realidade em prédios públicos e escolas
Conforme a administração municipal, prédios públicos que apresentem inconformidades em acessibilidade devem passar por análise para adequação conforme a norma NBR 9050, que estabelece critérios de acessibilidade em edificações.
Na área da educação, todos os CMEIs e escolas municipais construídos ou reformados nos últimos anos já seguem as normas de acessibilidade, de acordo com a Prefeitura. Em relação a unidades mais antigas, as instituições precisaram passar por adaptações, incluindo a implantação de mais de 50 Salas de Recursos Multifuncionais (SRMs) destinadas ao atendimento de estudantes com deficiência.
Atualmente, sete unidades escolares ainda passam por obras de modernização.
Prefeitura indica novas obras de acessibilidade
Entre as futuras intervenções voltadas à inclusão social, está a instalação de um elevador no Terminal Central de Transporte Coletivo, prevista ainda para o ano de 2026. O equipamento fará a ligação entre as plataformas e o saguão principal do terminal.
Conforme Rafael Mansani, do Iplan, novas legislações e revisões urbanísticas atuais buscam estabelecer padrões para futuras adequações. “Hoje, temos leis que são compatíveis com a cidade e acessíveis para o poder privado fazer como contrapartida, seja arrumar as calçadas, arrumar a via pública, garantindo ao munícipe o direito de ir e vir com segurança. "Mas isso faz parte de um processo”, disse.
Mansani explica que alguns locais exigem alternativas específicas para garantir circulação segura. “Dentro da lei da mobilidade urbana para cadeirantes, existem calçadas que nós não conseguimos adequar de acordo com o que a lei exige… Então, nós temos que fazer vias alternativas para que tanto a mobilidade nas calçadas quanto uma ciclovia, por exemplo, seja acessível para o usuário… Nós estudamos as melhores características do relevo para que seja factível.”
Ao Portal aRede, o vereador e presidente da Câmara Municipal de Ponta Grossa, Julio Küller, declarou que a acessibilidade urbana e a inclusão de pessoas com deficiência seguem entre os principais temas debatidos. Segundo Küller, apesar dos avanços registrados nos últimos anos, o município ainda enfrenta desafios relacionados à mobilidade urbana, adaptação de espaços públicos e ampliação de estruturas inclusivas para pessoas com deficiência física, visual, auditiva e com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

De acordo com o presidente da Câmara, a própria sede do Legislativo passa atualmente por reformas estruturais voltadas à ampliação da acessibilidade. As obras incluem instalação de rampas, adequações de circulação interna e banheiros adaptados, com investimento estimado em cerca de R$ 666 mil.
Os espaços públicos são inclusivos?
Entre as iniciativas apresentadas pelo legislativo, foi sancionada em abril de 2026, a Lei n° 15.841/2026, que exige a inclusão de brinquedos infantis e aparelhos de academia adaptados para pessoas com deficiência em todos os novos loteamentos aprovados no município. A medida busca garantir que os novos espaços públicos já sejam construídos dentro de critérios de acessibilidade.
Outra proposta em discussão prevê a implantação de espaços sensoriais em praças e parques públicos, voltados especialmente para pessoas com TEA e indivíduos com disfunções sensoriais. Na área institucional, o vereador também apresentou um projeto que estabelece regras de acessibilidade para pessoas surdas em concursos públicos municipais, incluindo provas e materiais em Libras.
O Legislativo informou ainda que acompanha a previsão de investimentos municipais em infraestrutura urbana, mobilidade e modernização de espaços públicos durante a tramitação do orçamento anual e da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Segundo a Câmara, essas áreas impactam diretamente as políticas de acessibilidade e inclusão no município.
Participação popular
A Câmara Municipal também defende a realização de audiências públicas e debates permanentes sobre acessibilidade. De acordo com o Legislativo, muitas das propostas apresentadas surgiram a partir do diálogo com famílias atípicas, entidades representativas e pessoas com deficiência.
A intenção, segundo o presidente, é ampliar a participação popular nas discussões relacionadas à inclusão e identificar, junto à comunidade, os principais problemas enfrentados no município.
Especialista debate sobre os principais problemas de infraestrutura
Em relação aos maiores problemas de acessibilidade urbana no município, o conselheiro de Urbanismo do Grupo aRede, Henrique Wosiack Zulian, declarou que o relevo de Ponta Grossa é um obstáculo natural para a acessibilidade urbana. No entanto, o fato já está posto pelo sítio. “Faltam linhas livres e capilaridade no transporte público, sendo que boa parte dele não é acessível. As calçadas são espremidas, irregulares e mal construídas. A rede urbana de apoio ao PNE é quase inexistente”, relatou

Já sobre as calçadas da cidade, Zulian afirma que em poucos locais há rampas de acesso da rua para a calçada, piso e sinalização podotátil. “Ao mesmo tempo, não adianta colocar tais elementos e o cadeirante não poder andar na calçada porque não tem espaço para passar, há um poste no meio ou buracos”.
Para o conselheiro de Urbanismo do Grupo aRede, os erros estruturais que mais comprometem a mobilidade de cadeirantes e deficientes visuais são o fato de existirem poucas rampas ou travessias elevadas na cidade. “Não há sinal sonoro de travessia nem demais informações de locomoção para deficientes visuais”.
Na parte de estrutura, Henrique acredita que é preciso falar de cultura rodoviarista, de espaço público e passeio. “Em muitas regiões da cidade não há o que fazer, a não ser assumir que as faixas de rolagem de carro precisam diminuir (ou até serem subtraídas) de largura para dar espaço a uma calçada maior”.
Como exemplo, o especialista traz a rua Dr. Paula Xavier, em frente à Igreja dos Polacos. “De um lado, tiraram espaço público para instalar estacionamentos em 45°, em um tamanho totalmente desproporcional. O cadeirante já enfrenta dificuldades e tem que dar uma volta nos carros, onde antes havia um trajeto retilíneo. Do outro lado da rua, a calçada é tão esguia que, mesmo sem uma cadeira de rodas, já há dificuldades de se atravessar entre construção e poste da calçada”, declarou.
Henrique ressalta que outra questão que faz parte da cultura rodoviarista são os semáforos. “Na maior parte da cidade, há dificuldade de travessia, mesmo para uma pessoa não portadora de necessidades especiais… O pedestre que se vire correndo com sua mochila e sacolas de compra”. Zulian afirma que, dessa forma, idosos, cadeirantes e cegos têm que aguardar a boa vontade de poucos ou os raros momentos de calmaria no trânsito para conseguirem atravessar.
No entanto, conforme Henrique, a falta de manutenção nas calçadas não é um problema de urbanismo, mas de gestão e cuidado público. “Problema de urbanismo é pensar na cidade apenas para os carros e não para os pedestres, ciclistas, usuários de transporte público e cadeirantes. Pensar em aumentar vias e não pensar em espaços humanos, com bancos, canteiros e espaços de convívio”.
Em relação aos prédios e comércios que ainda apresentam barreiras arquitetônicas para pessoas com deficiência, Zulian relata que arquiteturas construídas antes das normas de acessibilidade entrarem em vigor precisam se adaptar ao máximo e dentro da possibilidade física.
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VCG se posiciona sobre estrutura do transporte público
Em entrevista ao Portal aRede, a Viação Campos Gerais (VCG), empresa responsável pelo transporte coletivo de Ponta Grossa, afirmou que a acessibilidade tem avançado por meio de adaptações na frota e ações voltadas ao atendimento inclusivo.
Segundo a VCG, atualmente, todos os ônibus em operação na cidade são adaptados para pessoas com deficiência física, contando com elevadores ou plataformas de acessibilidade em pleno funcionamento.
A empresa responsável pelo transporte coletivo ainda declarou que a manutenção dos equipamentos é realizada periodicamente, seguindo um cronograma preventivo, além de intervenções corretivas sempre que necessário. Em casos de falha durante a operação, existe um procedimento específico que prevê a comunicação imediata do operador para que o veículo seja substituído rapidamente, evitando prejuízos aos passageiros.
A VCG também comentou que investe na capacitação de seus colaboradores. Motoristas e cobradores recebem treinamentos constantes voltados ao atendimento inclusivo. Durante anos, foi realizado o projeto ‘Sentindo na Pele’, no qual os funcionários eram convidados a experimentar situações enfrentadas diariamente por pessoas com deficiência, utilizando cadeiras de rodas, muletas, vendas nos olhos e abafadores auditivos.
Em relação aos recursos sonoros, os avisos existentes atualmente são acionados apenas quando a campainha de parada é utilizada. Ainda não há um sistema sonoro específico indicando os pontos de parada aos passageiros.
A empresa informa ainda que segue integralmente a legislação vigente sobre acessibilidade, aplicando todas as exigências previstas em sua operação diária. Embora não exista um setor exclusivo para atendimento especializado, há colaboradores capacitados, inclusive no ponto de vendas localizado no Terminal Central, onde alguns funcionários já realizaram cursos de Libras.
Outro destaque apontado pela empresa é a manutenção do diálogo aberto com pessoas com deficiência e instituições representativas. A proposta é receber sugestões e aprimorar constantemente as práticas de inclusão no transporte coletivo da cidade.





















































