Bispos marcam a história centenária da Diocese de Ponta Grossa
Lideranças destacam desafios, conquistas e a continuidade da missão da Igreja ao longo dos 100 anos

Criada em 1926 por decisão do Papa Pio XI, a Diocese de Ponta Grossa nasceu em um contexto de crescimento e diversidade cultural, ampliando a presença da Igreja na região dos Campos Gerais. Desde então, diferentes bispos assumiram a missão de conduzir a comunidade, deixando marcas que ajudam a explicar a força e a relevância da diocese ao longo de quase um século. No segundo episódio do Projeto Especial “100 anos da Diocese de Ponta Grossa”, conhecemos mais sobre essa trajetória.
O primeiro bispo, Dom Antônio Mazarotto, chegou quatro anos após a criação da diocese, iniciando uma caminhada que seria continuada por outras lideranças importantes, como Dom Geraldo Micheletto Pellanda, Dom João Braz de Aviz e Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger. Cada um, a seu tempo, contribuiu para consolidar a Igreja local, ampliando sua atuação pastoral e social.
Dom Murilo, que esteve à frente da diocese entre 1991 e 1997, relembra com carinho sua passagem e destaca o espírito de comunhão que marca a celebração do centenário. “Eu me sinto na obrigação de me unir ao agradecimento que vocês farão ao Pai por todas as graças concedidas”, afirma. Ele também ressalta uma característica que o marcou durante seu episcopado: “Uma das riquezas que encontrei aqui foi a quantidade de congregações religiosas, cada uma colaborando com seu carisma”.
Além disso, Dom Murilo recorda desafios importantes, como a conclusão da Catedral, símbolo central da vida diocesana. “A catedral é a mãe, o coração de uma diocese. Quando pudemos concluí-la, vi a alegria do povo em voltar a se reunir na igreja-mãe”, relembra.
GALERIA DE FOTOS
Na sequência dessa história, Dom Sérgio Artur Braschi assumiu a diocese em 2003, onde permaneceu por mais de 20 anos. Sua trajetória é marcada pela valorização da dimensão missionária e pela adaptação da Igreja às transformações da sociedade contemporânea. “O grande desafio hoje é ser uma presença missionária no mundo, que está tão mudado”, destaca.
Dom Sérgio também reforça a importância histórica da Diocese de Ponta Grossa no Paraná. “Como presença de Igreja, Ponta Grossa era número um no interior, por causa do número de congregações religiosas”, afirma. Entre os momentos marcantes de sua gestão, ele destaca as Santas Missões Populares e a abertura da Igreja para ações além das fronteiras locais, como iniciativas missionárias no Brasil e no exterior.
Já o atual bispo, Dom Bruno Elizeu Versari, nomeado pelo Papa Francisco em 2024, vive o desafio de conduzir a diocese em um período de mudanças e renovação. Ao chegar, ele encontrou uma realidade até então pouco conhecida, mas rapidamente assumiu a missão com espírito pastoral. “Desafio, para nós, é oportunidade de servir e testemunhar a fé”, afirma.
Dom Bruno enfatiza a necessidade de fortalecer a participação dos leigos e a organização da Igreja em pequenas comunidades. “Se não houver proximidade, a Igreja corre o risco de se tornar apenas de massa. A vivência da fé acontece de forma mais profunda nas pequenas comunidades”, explica. Ele também destaca iniciativas recentes, como a criação de novas paróquias e a visita às famílias durante o período jubilar.
Sobre o centenário, o bispo reforça o caráter de memória e gratidão. “Celebrar o centenário é recordar pioneiros e agradecer a fé que herdamos”, diz. Para ele, a continuidade da missão depende da união de todos: “Sozinhos, cansamos. Juntos, a graça de Deus nos fortalece”.
Ao reunir diferentes gerações de bispos, a história evidencia que a Diocese de Ponta Grossa vai além de datas e acontecimentos. Trata-se de uma construção coletiva, feita por líderes, religiosos e leigos que, ao longo do tempo, mantêm viva a fé e o compromisso com a comunidade.



























