Novo contorno de PG contraria 'Masterplan' e alteração de traçado pode custar R$ 30 milhões
Impasse entre projeto da concessionária e diretrizes de entidades locais coloca em debate possíveis impactos da obra; à Redação, o secretário Sandro Alex afirma que os estudos continuam em desenvolvimento

O traçado do novo contorno rodoviário de Ponta Grossa proposto pela concessionária PR Vias, empresa do Grupo Motiva responsável pela construção da obra, vai contra o planejamento estratégico indicado no 'Masterplan Ponta Grossa 2043', estudo realizado pela empresa Urban Systems que projeta o desenvolvimento ordenado de Ponta Grossa para as próximas décadas.
A Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (Acipg), que é uma das principais articuladoras do planejamento junto ao Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social de Ponta Grossa (Cdepg), aponta esta situação como um dos principais desafios na formulação do projeto.
Por se tratar de uma obra rodoviária, o contorno é determinante para o futuro da cidade em termos de infraestrutura e logística, visto que as rodovias envolvidas no traçado são caracterizadas pelo corredor viário utilizado para a importação e exportação que passam pela cidade, bem como delimita a expansão de indústrias localizadas entre o norte e leste da cidade.
Secretaria de Infraestrutura e Logística esclarece dúvidas
O projeto executivo, que pode chegar a R$ 30 milhões, conforme informado à Redação pelo secretário estadual de Infraestrutura e Logística do Paraná, Sandro Alex, leva em conta uma série de levantamentos. Questionado sobre o trabalho feito pela concessionária para determinar o traçado, Sandro explicou que os estudos continuam sendo desenvolvidos.
A equipe buscou entender se, pela quantidade de relatos de divergências sobre o projeto por parte das entidades citadas, além da Embrapa, do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR), do Exército Brasileiro e empresas de turismo rural situados na região, existiria uma possibilidade desta obra não ser realizada. Em resposta, o secretário de Estado afirmou não acreditar neste cenário, pois tendo o planejamento definitivo e o licenciamento emitido, a obra acontecerá. "Divergências podem até ocorrer, mas prevalece o interesse público. É importante ouvir, adequar o que for possível e 'tocar' em frente".
Diretrizes técnicas para o novo contorno
Na mais recente reunião organizada com associados da Acipg, realizada na última terça-feira (10), os associados puderam conhecer todas as diretrizes técnicas elaboradas pela entidade acerca do traçado do contorno. A instituição afirma que reconhece o papel da obra de 40 km ao nível intermunicipal e interestadual, entretanto, explicita os pontos que acredita ser necessária a realização de ajustes. No estudo apresentado, o grupo apontou como possíveis inviabilidades técnicas a intercepção da estrutura de saneamento; o conflito com perímetros urbanos de unidades residenciais; o impedimento de expansão industrial no município; e a segregação de propriedades rurais produtivas.
O principal argumento da Acipg é a restrição do crescimento ordenado da cidade. "O traçado atualmente proposto não contorna efetivamente o perímetro urbano, compromete a fluidez do trânsito local e limita a integração entre bairros", justifica a entidade. Diante deste cenário, os associados declararam estar subsidiando um processo de negociação para promover as alterações desejadas no projeto para compatibilizar a obra viária com o desenvolvimento do município apontado pelo estudo.
A próxima reunião com a concessionária, agendada para 23 de fevereiro, contará com a presença da Acipg, do Cdepg e da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) para representar Ponta Grossa. A presidente Giorgia Bin Bochenek reforça que a associação mantém seu compromisso de atuar com técnica, diálogo e transparência ao se posicionar como porta-voz do setor produtivo e da sociedade civil organizada nas tratativas de pautas do desenvolvimento, conectividade e competitividade do município.
Leia um resumo da notícia
- O traçado proposto pela concessionária PR Vias para o novo contorno rodoviário de Ponta Grossa diverge do planejamento estratégico previsto no Masterplan Ponta Grossa 2043, gerando preocupação da Acipg e de outras entidades.
- A Acipg aponta possíveis problemas técnicos e urbanísticos, como impacto em estruturas de saneamento, conflito com áreas residenciais, limitação da expansão industrial e segregação de propriedades rurais, além de comprometer o crescimento ordenado da cidade.
- Apesar das divergências, o governo estadual afirma que a obra deve ocorrer após a conclusão dos estudos e licenciamento, priorizando o interesse público, enquanto entidades locais buscam negociar ajustes no projeto.




















