Câmara notifica Sanepar por contas altas e qualidade da água em PG
O presidente do Legislativo de Ponta Grossa, vereador Julio Küller (MDB), afirma que o problema gera impactos concretos e prejuízos diretos à população

A Câmara Municipal de Ponta Grossa (CMPG) enviou uma notificação à Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) para cobrar esclarecimentos acerca de reclamações da população ponta-grossense sobre a alteração no gosto e odor da água fornecida em diversos bairros do Município.
Nas últimas semanas, a equipe de Jornalismo do Grupo aRede recebeu relatos de moradores de diferentes bairros da cidade, como Oficinas e Ronda, sobre a qualidade da água encanada. Em resposta aos questionamentos, a Sanepar justificou que a alteração foi causada pela floração de algas na Represa de Alagados, e afirma ser um processo normal na natureza, que ocorre principalmente em períodos de calor e sol intensos. De acordo com a Companhia, entre as medidas de mitigação dos efeitos que já estão sendo tomadas, está a aplicação de carvão ativado, que visa neutralizar o odor e o gosto incômodos.
No documento, o presidente do Legislativo de Ponta Grossa, vereador Julio Küller (MDB), afirma que o problema gera impactos concretos e prejuízos diretos à população. O vereador justifica que os moradores pagam regularmente pelo serviço de abastecimento de água, mas estão sendo obrigados a adquirir água mineral e ferver a água antes do consumo para preparar alimentos diante do receio de contaminação, prejuízos à saúde e impregnação de odores.
O presidente da Câmara solicitou um requerimento para que a Sanepar responda aos vereadores sobre as providências técnicas que já foram adotadas para o tratamento da água, além da determinação de um prazo para a completa normalização do abastecimento e, ainda, se há previsão de medidas compensatórias para os consumidores que necessitaram de custos adicionais durante o período de anormalidade.
Por fim, o texto reforça existir uma recorrência deste tipo de situação na cidade, e o Legislativo reafirma seu compromisso com a defesa do interesse público e a fiscalização de serviços essenciais do Município. À Redação, Küller afirmou que a Sanepar indicou a data desta quinta-feira (12) para reestabelecer a normalidade do serviço e, dependendo da resposta a ser enviada pela companhia, a Câmara tomará atitudes mais severas sobre o assunto.
Confira o documento na íntegra acessando aqui.
Sociedade civil organizada exige respostas
A reportagem buscou o posicionamento da sociedade civil organizada e do setor produtivo sobre a qualidade de água fornecida pela Sanepar no município. Em nota, a Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (Acipg) manifestou sua preocupação com relatos recebidos de membros do setor da alimentação, comércio e indústria. "Essas ocorrências estão gerando impactos que comprometem a competitividade dos negócios e a qualidade dos serviços", escreveu.
A Acipg também afirmou ter tomado providências e buscar esclarecimentos, além de reforçar que o tema da prestação de serviços públicos é uma pauta constante de discussão e atuação da entidade junto aos órgãos responsáveis. A associação defende que o fornecimento de água em condições adequadas é um direito fundamental da população e uma premissa básica para o pleno funcionamento do setor produtivo, e se dispõe a centralizar demandas para buscar, de forma coletiva e organizada, a resolução deste problema que afeta toda a cidade.
Em nota enviada à Redação, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) Campos Gerais compartilhou informações sobre a reunião feita com a equipe da Sanepar nessa terça-feira (10) para abordar os impactos desta alteração no setor alimentício. No encontro, estiveram presentes a gerente geral da Sanepar na Região Sudeste, Simone Alvarenga de Campos, e o gerente regional de Ponta Grossa, José Geraldo Machado Filho, que apresentaram aos representantes do órgão o centro de controle e as estações de tratamento e filtragem, além de esclarecer dúvidas sobre a atual ocorrência.
Sanepar garante segurança da água e regularidade das faturas
A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) foi informada sobre o ofício enviado pela Câmara, e respondeu à Redação que mantém diálogo permanente com a presidência do Legislativo, estando sempre à disposição para esclarecimentos. Em nota enviada para a reportagem, a instituição afirma que as faturas estão sendo feitas com regularidade. "A leitura e a cobrança estão sendo feitas sem intercorrências na cidade", escreveu. Entretanto, em caso de alterações, a Sanepar orientou os clientes a entrarem em contato pelos canais oficiais de atendimento: telefone 0800 200 0115, site institucional ou aplicativo 'Minha Sanepar'.
A Sanepar reiterou que a água distribuída em Ponta Grossa é segura e não causa riscos à saúde. "Antes de chegar às torneiras, a água passa por um rigoroso processo de tratamento e controle de qualidade, com análises realizadas de hora em hora, atendendo todos os parâmetros exigidos pela Portaria 888/2021 do Ministério da Saúde", explicou. O órgão também esclareceu que todos os resultados das análises laboratoriais de qualidade da água da Sanepar são monitorados por uma rede de saúde pública formada por Vigilância Sanitária, Secretaria Estadual de Saúde e Ministério da Saúde.
Leia um resumo da notícia
- Notificação da Câmara à Sanepar: A Câmara de Ponta Grossa enviou um ofício à Sanepar cobrando explicações sobre reclamações da população — principalmente sobre contas de água altas e mudanças no gosto e odor da água em vários bairros.
- Problemas de qualidade da água: Moradores relataram alterações no sabor e cheiro da água tratada; a Sanepar atribuiu isso à floração de algas em represas e afirma estar tomando medidas, como usar carvão ativado para melhorar o tratamento.
- Cobrança de respostas e impactos: A Câmara quer que a Sanepar detalhe as ações técnicas adotadas, dê um prazo para normalização e informe se haverá compensação pelos gastos extras dos consumidores (como compra de água mineral).




















