Definição do traçado do novo contorno deve acontecer no primeiro semestre
Debate sobre o Contorno Leste entra em fase decisiva, com projeto em análise e diálogo contínuo entre concessionária, Governo do Estado e entidades locais sobre ajustes no traçado e impactos para o futuro de Ponta Grossa

A concessionária CCR PRVias deve entregar no primeiro semestre de 2026 o projeto do traçado do novo Contorno Leste de Ponta Grossa, obra considerada estratégica para a reorganização do tráfego pesado e para o desenvolvimento logístico dos Campos Gerais. Em meio à análise técnica da ANTT, o traçado mobiliza debates entre Governo do Estado, a concessionária, entidades locais e setores diretamente impactados, enquanto ajustes seguem em discussão antes da definição final.
A obra é considerada estratégica para a reorganização do tráfego pesado e para o desenvolvimento logístico dos Campos Gerais. O traçado proposto prevê pouco mais de 40 quilômetros de extensão, ligando a região do Distrito Industrial ao Trevo Caetano, na BR-373, com cruzamento da PR-151 nas proximidades da Maltaria Campos Gerais. O empreendimento integra o contrato das Rodovias Integradas do Paraná e, após a aprovação técnica, poderá ser executado ao longo de até sete anos.
Nos últimos meses, o tema passou a mobilizar entidades empresariais, conselhos de desenvolvimento e representantes do poder público municipal e estadual. Reuniões realizadas na Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (Acipg) e encontros promovidos pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social de Ponta Grossa (CDEPG) ampliaram o debate sobre os impactos do traçado no crescimento urbano, na logística e no uso futuro do território.
AS PROPOSTAS
Atualmente, o debate envolve mais de uma proposta de traçado para o novo contorno. A principal delas é a apresentada pela concessionária CCR PRVias, desenvolvida com base em estudos geotécnicos e em critérios de engenharia, segurança viária, operação e sustentabilidade. Esse traçado já foi apresentado ao Município, às entidades representativas e está sob análise da ANTT, sendo tratado como a base técnica do projeto.

Paralelamente, entidades da sociedade civil organizada, por meio do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social de Ponta Grossa (Cdepg), apresentaram uma proposta alternativa. A sugestão busca afastar o contorno de áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento urbano e econômico de Ponta Grossa, além de reduzir riscos de conflitos com a expansão da cidade nas próximas décadas. O Conselho defende que a decisão final seja pautada em critérios técnicos, ambientais e de interesse público de longo prazo.

Além dessas duas frentes, o Governo do Estado do Paraná também contribuiu com estudos técnicos no âmbito do contrato das Rodovias Integradas do Paraná, firmado após o leilão vencido pelo Grupo CCR PRVias. Essas contribuições passaram a integrar o conjunto de análises que embasam a definição do traçado final.
POSICIONAMENTO
O secretário de Estado da Infraestrutura e Logística, Sandro Alex, afirma que o Governo do Paraná tem conduzido o processo com diálogo e cautela. Segundo ele, trata-se de uma obra de grande porte, com impactos inevitáveis. “Nós estamos discutindo, sim, esse assunto, tem uma reunião com a Embrapa para os próximos dias, e a gente vai buscar sempre ouvir a todos. Claro que uma obra nessa dimensão, uma obra bilionária, impacta e também tem a necessidade de respeitar áreas de preservação, de parque, de reserva”, afirma o secretário.
O secretário destaca que reuniões vêm sendo realizadas para ouvir todos os setores e que o objetivo é preservar o máximo possível, garantindo que a cidade seja beneficiada pelo investimento. “A gente tem analisado o melhor traçado. Fiz uma reunião recente na associação, ouvindo a todos. A gente vai discutir para tentar sempre preservar o máximo possível, respeitando a todos, e que a cidade ganhe com esse investimento. Estamos avançando, conversando e dialogando com todos”, complementa.

A concessionária PRVias, por sua vez, reforça que o projeto está em fase de avaliação pelos órgãos competentes e que as contribuições apresentadas pelas entidades estão sendo analisadas. Em nota oficial, a empresa informou, na íntegra:
“A PRVias informa que se reuniu com lideranças políticas, públicas e de entidades da sociedade civil de Ponta Grossa e do Paraná sobre a proposta do contorno rodoviário, que está sob análise da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A concessionária promoveu encontros e apresentou a proposta de traçado, desenvolvido com base em estudos geotécnicos e atendendo requisitos de engenharia e sustentabilidade. A PRVias ouviu sugestões dos representantes de entidades, que estão em fase de avaliação de viabilidade.”
DEFINIÇÃO DO TRAÇADO
Durante encontro com representantes do assentamento Emiliano Zapata, foi repassado ao grupo que a definição sobre o traçado do novo contorno deve ocorrer ainda no primeiro semestre. A partir desse entendimento, a avaliação apresentada foi de concordância com a proposta da concessionária PRVias, desde que não haja impacto direto sobre as áreas produtivas do assentamento.

Procurada, a PRVias não confirmou oficialmente o prazo mencionado durante a reunião, e se limitou a dizer que o posicionamento oficial da concessionária neste momento é o da nota citada acima.
PONTOS SENSÍVEIS
Apesar dos avanços, o traçado segue sendo analisado com cautela por diferentes instituições. Entre os pontos considerados sensíveis estão áreas utilizadas por órgãos públicos de pesquisa e desenvolvimento, como a Embrapa e o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR), que já manifestaram ressalvas em relação à passagem da rodovia por trechos sob sua gestão. As discussões sobre esses pontos seguem em paralelo e fazem parte do processo de avaliação técnica do projeto.
PRÓXIMOS PASSOS
Com a provável previsão de entrega do Projeto Funcional ainda no primeiro semestre, o novo contorno rodoviário de Ponta Grossa entra em uma fase decisiva. A expectativa é que, a partir dessa etapa, haja maior clareza sobre o traçado definitivo e sobre como a obra poderá equilibrar eficiência logística, sustentabilidade e desenvolvimento urbano ordenado, definindo um dos principais eixos estruturantes para o futuro do município.




















