Em apelo, família quer respostas sobre caso Cauane

Investigação sobre o desaparecimento de Cauane Zavolski Martins ultrapassa 90 dias e familiares estão desesperados

Caso Cauane Zavolski Martins segue sem uma solução
Caso Cauane Zavolski Martins segue sem uma solução -

Andre Bida

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Investigação sobre o desaparecimento de Cauane Zavolski Martins ultrapassa 90 dias e familiares estão desesperados

Em comunicado publicado nas redes sociais, a família de Cauane Zavolski Martins, 20 anos, pede respostas sobre o sumiço da jovem que aconteceu em janeiro deste ano. A última atualização do caso aconteceu em 11 de março, data que a Polícia Civil localizou uma ossada humana, no Distrito de Itaiacoca. A principal hipótese é que seria da Cauane, mas a família segue angustiada por não receber nenhuma atualização sobre os possíveis resultados dos exames.

> Polícia encontra ossada humana na região de Itaiacoca;

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“Hoje fazem 93 dias que estamos sem nenhuma resposta do IML, já fomos atrás pra ver se tem alguma notícia sobre ossada que pode ser da minha irmã, mais nada, ninguém tem resposta de nada e para gente da família cada dia parece uma eternidade. Precisamos de uma resposta concreta, já se passaram três meses. A dor e a agonia todo dia aumenta mais, será que tem alguém que possa nos falar alguma coisa? A gente não aguenta mais tanta espera”, indaga Cintia Zavolski, irmã de Cauane.

> Justiça de PG libera acusados da morte de Cauane;

“Imagina, ela foi morta dia 29 de Janeiro de 2022 e até agora não pudemos ao menos dar o sepultamento digno pra ela. Pensem na dor e angústia que estamos vivendo. Sem contar que quem tirou a vida dela seja quem for  está solto por aí impune e pode fazer mal ainda para outras pessoas. Justiça seja justa!”, finaliza.

Polícia encontra ossada humana

“O corpo encontrado, embora dependa de perícia para confirmação da identificação, seria, segundo informações, de Cauane”, disse o delegado Fernando Jasinski, da 13ª Subdivisão Policial de Ponta Grossa.

Segundo Jasinski, a jovem “teria embarcado em um veículo e poucas horas depois teria feito a última ligação para a família e, então, nunca mais foi vista. Constatou-se, que, em verdade, Cauane teria ido até um apartamento de um dos envolvidos, localizado na região de Uvaranas. No curso das investigações, recebeu-se informação de que Cauane teria supostamente se suicidado com a arma de um dos envolvidos e estes, então, teriam ocultado o corpo”, disse o delegado.

“Também, no curso das investigações, foram recebidas denúncias relacionados a outros crimes praticados pelos mesmos suspeitos, ocasião em que a Polícia Civil, por intermédio do Delegado que preside as investigações, representou pela busca e apreensão em uma residência localizada em um condomínio na região do bairro Boa Vista”, complementou.

“Após célere deferimento pelo Poder Judiciário, localizou-se os dois suspeitos na residência, verificando-se durante a busca a presença de um guarda-roupa desmontado em que em um das portas foi observado um orifício compatível com disparo de arma de fogo, orifício que teria sido tampado com uma massa corrida. No endereço, ainda, foi localizado  e apreendido o veículo que Cauane teria embarcado pela última vez que fora vista”, relata o delegado da 13ª SDP.

No apartamento em que Cauane poderia estar, a Polícia Civil encontrou grande quantidade de drogas, além de ter sido constatado um furo na parede, compatível com disparo de arma de fogo, o qual havia sido tampado com massa corrida.

“O veículo que Cauane teria embarcado foi periciado, constatando-se, também, a presença de sangue. Ante o exposto, os suspeitos foram autuados em flagrante pela prática de tráfico de drogas, assim como sua prisão foi convertida em prisão preventiva. Os suspeitos continuam presos preventivamente pela prática de tráfico de drogas. A Polícia Civil segue com as investigações muito avançadas para apurar os fatos que podem, configurar, o crime de homicídio e ocultação de cadáver”, finaliza o delegado Fernando Jasinski.

Justiça libera acusados da morte

Em decisão publicada no dia 28 de baril, o juiz Gilberto Romero Perioto, da 2ª Vara Criminal da Comarca de Ponta Grossa, colocou em liberdade os dois rapazes presos pela Polícia Civil, em fevereiro deste ano, suspeitos de envolvimento na morte de Cauane Zavolski Martins. Na sentença, o magistrado julgou "improcedente a denúncia para o fim de absolver da prática dos fatos contra a eles imputados e expediu alvarás de soltura". As informações são do advogado Luis Carlos Simionato Junior, que atuou neste processo ao lado do advogado Piero Mocelim.

Comentando sobre a decisão judicial, Simionato ressalta que o Ministério Público requereu a anulação da decisão que expediu o mandado de busca e apreensão, bem como da prisão em flagrante delito e das demais provas colhidas derivadas dos referidos atos, por considerar improcedente as denúncias. O Portal aRede teve acesso aos atos da Promotoria.

Thiago Saldanha Macorati, Promotor de Justiça, ressalta que, “considerando a prova oral colhida, bem como os demais elementos probatórios acostado nos autos, verifica-se que a expedição do mandado de busca e apreensão, bem como a condução dos denunciados e a prisão em flagrante apresentam-se eivadas de vícios, ou seja, são nulas, pois não haviam fundadas razões que sustentassem a expedição do mandado e, mesmo que houvesse, no endereço apontado no Condomínio Terra Nova, não foi localizado nada de ilícito naquele local e nem situações criminosas que fundasse a condução dos réus até a Delegacia de Polícia”.

Ainda, conforme o MP, existiriam diversas lacunas sobre a obtenção dos endereços, a condução dos denunciados sem fundadas razões, bem como o mandado de busca e apreensão expedido de modo genérico, pois se baseou em denúncias anônimas exclusivamente, sem que quaisquer diligências posteriores fossem realizadas a fim de apurar as informações obtidas que reforçassem a presunção de crime nos locais.

Ademais, segundo o representante do MP, deve ser “destacado que todos os elementos colhidos após a expedição do mandado de busca e apreensão e da prisão em flagrante que apresentam vícios de nulidade pois são ilícitas, estão contaminados e devem ser desentranhado dos autos. Na sentença judicial, Perioto determinou a destruição da substância ilícita apreendida. Quanto aos celulares e boletos apreendidos, devem ser restituídos aos réus, caso haja interesse”.