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'The Bear' entrega emoção e realismo

Jeremy Allen White entrega personagem consistente que desperta empatia

'The Bear' mais que acerta ao criar um laço forte com a audiência quando coloca um personagem principal claramente amável, mas que visivelmente não sabe se expressar
'The Bear' mais que acerta ao criar um laço forte com a audiência quando coloca um personagem principal claramente amável, mas que visivelmente não sabe se expressar -

Da Redação

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Um jovem de trinta e poucos anos resolve saltar de uma carreira premiada na alta gastronomia para um restaurante endividado que serve sanduíches em Chicago. Quem tomaria essa decisão quando tudo estava teoricamente dando certo? Carmen Berzatto, personagem de Jeremy Allen White em 'The Bear', faz essa escolha quando seu irmão mais velho lhe deixa o restaurante de herança; a premissa lembra os reality shows de restauração que expõem os absurdos dos bastidores da cozinha, e o que não falta nessa série sensação de 2022 são os absurdos.

Por mais que tudo indique a chegada de um drama de 40 minutos por episódio, a primeira temporada de 'The Bear' - com capítulos de 22 minutos - consegue falar de forma leve sobre como um homem lida com o luto, tapando o sentimento com o frenesi de uma cozinha profissional. No processo - que inclui buscar uma relação na cozinha que seja mais igualitária e menos abusiva - o trajeto de Carmen envolve aprender a trabalhar em equipe e lidar com seu ego e sua fúria. Em tese, ele não quer mais gritarias no seu ouvido, nem muita competição com os colegas.

Os funcionários que já estavam trabalhando com o irmão que acabara de falecer são surpreendidos pelas ideias de Carmen para um restaurante mais formal, cheio de “sim, chef”, “atrás” e “canto” e muito silêncio -- mas os planos são atravessados por bate-bocas entre os personagens e muito noise, punk, emo e outros gêneros que completam o perfeito caos. 

'The Bear' mais que acerta ao criar um laço forte com a audiência quando coloca um personagem principal claramente amável, mas que visivelmente não sabe se expressar. O perfil de “galã feio” de Allen White faz dele um tipo acessível, perfil complementado pelo personagem do melhor amigo, Fak, que ajuda a mostrar que Carmen é um homem de poucos amigos. Matty Matheson, chef celebridade na Internet que interpreta o personagem, também aparece para preencher a cota “amigo dos criadores” e serve de consultor da série para garantir que o ambiente de uma cozinha profissional seja fidedigno.

A atuação de Jeremy Allen White tem dois pontos altos. A cena introdutória, em que tenta domar um urso gigante dentro de uma jaula em uma ponte deserta de Chicago, ganha contorno após sua sous chef Sydney Adamu (interpretada por Ayo Edebiri) servir um prato sem sua autorização, mas que ganha elogios da crítica e deixa o restaurante lotado de pedidos. É aí que vemos a versão Carmen “the bear”, que tem na ponta da língua xingamentos desnecessários e quase incendeia a própria cozinha quando tem a ideia de acender um cigarro na boca do fogão industrial.

O segundo é quando o espectador é pego mais ou menos de surpresa com a cena de maior expressão do chef retraído. Após o ataque de fúria, o protagonista vai à reunião dos Alcoólicos Anônimos e decide dar uma sequência de cinco minutos de depoimento olhando diretamente para a câmera. Aqui, Allen White mostra uma atuação sólida ao conseguir expressar com tanta clareza o conflito principal do personagem. 

Apesar de Carmen dominar a série, outra personagem que chama a atenção é Sydney Adamu, a chef de cozinha que faz uma aposta arriscada ao trabalhar com Carmen. Ayo Edebiri faz bem o arco de mulher humilde para uma chef de cozinha equilibrada, com suas inseguranças e que sabe muito bem quando decide pular fora de uma roubada. A série mostra que um roteiro trivial pode ser muito saboroso, e ainda tem muito fôlego para se desenvolver numa segunda temporada.

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