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Prefeitos destacam crescimento regional com cessão de ferrovias inativas

As prefeituras poderão desenvolver estudos e projetos para transformar espaços hoje ociosos em investimentos voltados à mobilidade urbana, infraestrutura, turismo, lazer, habitação, regularização fundiária e outros equipamentos de interesse coletivo

Jardim Botânico - Ponta Grossa
Jardim Botânico - Ponta Grossa -

Prefeitos e prefeitas dos Campos Gerais oficializaram, na última terça-feira (30), um importante avanço para o futuro das cidades da região. Em Brasília, foi assinado um Acordo de Cooperação Técnica com o Ministério dos Transportes, que inicia o processo de cessão de trechos ferroviários inativos aos municípios, permitindo que essas áreas sejam incorporadas ao planejamento urbano e destinadas a novos investimentos públicos.

Nesta etapa, o acordo contempla os municípios de Ponta Grossa, Arapoti, Ventania, Jaguariaíva, Piraí do Sul, Castro e Carambeí. Com a futura transferência das áreas, as prefeituras poderão desenvolver estudos e projetos para transformar espaços hoje ociosos em investimentos voltados à mobilidade urbana, infraestrutura, turismo, lazer, habitação, regularização fundiária e outros equipamentos de interesse coletivo.

PROJETOS

A prefeita de Ponta Grossa, Elizabeth Schmidt, destacou que os cerca de 40 quilômetros de ferrovias desativadas existentes no perímetro urbano deixaram de cumprir sua função original e hoje representam uma oportunidade para integrar ainda mais a cidade.

“Durante muito tempo, além de permitir o desenvolvimento da cidade, os trilhos acabaram sendo também motivo de segmentação. Em vários pontos, a linha do trem interrompeu acessos e separou comunidades. São espaços estratégicos que, por muitos anos, limitaram o desenvolvimento urbano. Agora, eles passam a representar uma grande oportunidade de transformação para a cidade”, destacou.

A prefeita também explicou que os locais terão destinações diferentes. “Em algumas áreas, como a das Oficinas da Rede, perto do Estádio Germano Krüger, queremos um grande equipamento público, fomentando o comércio, o turismo e atividades de lazer e bem-estar. Em outros trechos, será regularizada sua ocupação por moradias e, em alguns casos, por vias urbanas. Há ainda um trecho muito especial, que é a ligação entre o Trevo Vendrami e a região de Olarias, que vai se tornar, se tudo correr como esperamos, um novo acesso de entrada da cidade a partir da BR-376”, explicou.

JARDIM BOTÂNICO DE PONTA GROSSA

Jardim Botânico - Ponta Grossa
Jardim Botânico - Ponta Grossa |  Foto: Divulgação.

Conforme relatado pela prefeita, nas Oficinas da Rede, perto do Estádio Germano Krüger, será construído um 'Jardim Botânico’. A área total é de 118,5 mil m², porém, o espaço a ser utilizado é de 40,4 mil m², com a construção de 21 mil m².

O local terá incentivo à preservação da flora e fauna através da estufa de espécies nativas, além do conhecimento de vegetação estrangeira, orquidário - com cultivo de espécies em extinção, borboletário e meliponário - incentivo a polinização da vegetação local. Ainda prevê uma área de convivência, onde oportunizará uma experiência única ao usuário de paz e acolhimento em meio ao coração da cidade, se tornando assim um refúgio.

Para a vegetação do espaço, o Iplan prevê a plantação de árvores arbóreas, sendo implantadas em toda a extensão do 'Jardim Botânico'. Ainda, floríferas, selecionadas para vivacidade de cada jardim, com floração a cada época do ano ou durante todo o período anual. E por fim, floríferas meríferas, flores não nativas, escolhidas para ajudar no resgate da fauna, atraindo espécies animais e fortificando a reprodução e a fisiologia das vegetações.

LIBERAÇÃO DE ESPAÇOS

O prefeito de Piraí do Sul, Henrique Carneiro, ressaltou que a ferrovia desativada atravessa tanto a área rural quanto a urbana do município, sendo cerca de 3,5 quilômetros apenas no perímetro urbano.

Prefeito de Piraí do Sul, Henrique Carneiro
Prefeito de Piraí do Sul, Henrique Carneiro |  Foto: Divulgação.

“Da maneira como está hoje, temos muitos problemas de ocupação irregular, falta de infraestrutura e limitações para a atuação do poder público nessas áreas. Com a cessão, os municípios poderão tomar as medidas necessárias para evitar novos problemas sociais. Sabemos que esses trechos estão abandonados há muitos anos e que todos os gestores têm buscado incansavelmente sua regularização, ativação ou desativação definitiva. Agora, teremos a oportunidade de mudar essa realidade”, ressaltou.

A prefeita de Carambeí, Elisangela Pedroso, afirmou que a medida representa um importante passo para o futuro do município, principalmente na integração entre bairros.

Prefeita de Carambeí, Elisangela Pedroso
Prefeita de Carambeí, Elisangela Pedroso |  Foto: Divulgação.

“Isso é de extrema importância para o progresso e o desenvolvimento das cidades. No caso específico de Carambeí, vai ajudar muito na questão da logística. Vamos analisar a possibilidade de fazermos uma nova ligação entre bairros, diminuindo o fluxo de veículos e trazendo mais segurança. Hoje, os moradores do Boqueirão, por exemplo, precisam acessar a rodovia para chegar ao centro da cidade e às demais localidades. Agora, podemos avançar na elaboração de projetos e na busca por recursos para concretizar essas melhorias”, disse.

Para o prefeito de Jaguariaíva, Juca Sloboda, a cessão permitirá dar uma nova finalidade a uma extensa área que atravessa praticamente todo o perímetro urbano do município.

Prefeito de Jaguariaíva, Juca Sloboda
Prefeito de Jaguariaíva, Juca Sloboda |  Foto: Divulgação.

“São mais de nove quilômetros de ferrovia dentro da cidade, que contribuíram para o desenvolvimento de Jaguariaíva quando estavam em operação, mas que hoje representam limitações para a mobilidade e altos custos de manutenção. Com esse avanço, poderemos planejar avenidas, ciclovias, pistas de caminhada, espaços esportivos, centros comerciais e ações de regularização fundiária, promovendo um novo ciclo de desenvolvimento urbano para Jaguariaíva. Agora, faremos um planejamento para definir como essas áreas serão utilizadas”, apontou.

O prefeito de Arapoti, Irani Barros, destacou que a ferrovia desativada divide o município e também impacta o distrito de Calógeras.

Prefeito de Arapoti, Irani Barros.
Prefeito de Arapoti, Irani Barros. |  Foto: Divulgação.

“Essa é uma conquista aguardada há décadas. A partir de agora, poderemos desenvolver projetos de urbanização, criar novas ligações e melhorar significativamente a mobilidade urbana, tanto na cidade quanto no distrito, ampliando as alternativas de deslocamento da população. Desde que entramos na gestão pública, sempre tivemos o parecer de que esse ramal não seria mais reativado por inviabilidade econômica. Agora, temos a oportunidade de transformar essa realidade, após mais de 30 anos. É um marco para o desenvolvimento de Arapoti e dos Campos Gerais.”

Em Castro, o prefeito Dr. Reinaldo Cardoso explicou que a ferrovia ocupa uma extensa área urbana e rural, somando mais de 30 quilômetros no total, e já faz parte do planejamento estratégico da administração municipal.

Prefeito de Castro, Reinaldo Cardoso
Prefeito de Castro, Reinaldo Cardoso |  Foto: Divulgação.

“A ferrovia corta toda a cidade e abrange uma grande área urbana e rural que poderá ser aproveitada pelo município. Já estamos trabalhando em projetos que vão desde novos acessos para facilitar o trânsito nas vias urbanas até a criação de um parque linear e de uma nova estrada ligando o centro ao distrito industrial. Temos várias ideias para utilizar essas áreas em benefício da comunidade. A ponte de ferro, por exemplo, é um patrimônio muito especial, que poderá ganhar finalidade turística e também servir como passagem para pedestres e ciclistas”, destacou.

O prefeito de Ventania, Zélio Bittencourt, ressaltou que a cessão das áreas ferroviárias representa a concretização de uma reivindicação histórica do município, que há décadas buscava uma solução para o trecho desativado que atravessa a cidade.

Prefeito de Ventania, Zélio Bittencourt
Prefeito de Ventania, Zélio Bittencourt |  Foto: Divulgação.

“Essa é uma conquista muito importante para Ventania e um sonho aguardado há muitos anos. A ferrovia acabou limitando o crescimento da cidade e, agora, teremos a oportunidade de transformar esse espaço em benefício da população. Temos como objetivo implantar pistas de caminhada e ciclovias, além de restaurar a antiga estação ferroviária, que deverá abrigar a Secretaria Municipal de Cultura e um museu, valorizando a história do município e criando um novo cartão-postal na entrada da cidade”, destacou.

Região é incluída em nova concessão de ferrovias

A cessão foi oficializada em reunião em Brasília. O acordo representa um passo importante para solucionar um problema histórico enfrentado por diversos municípios da região. Para o deputado federal Aliel Machado, o acordo representa um passo importante para solucionar um problema histórico enfrentado por diversos municípios da região.

“A partir da cessão, as administrações municipais poderão iniciar o planejamento para transformar esses espaços em áreas voltadas à melhoria da qualidade de vida da população e ao desenvolvimento das cidades”, pontua.

Aliel Machado ao lado dos prefeitos dos municípios contemplados
Aliel Machado ao lado dos prefeitos dos municípios contemplados |  Foto: Divulgação.

Em contrapartida, o Ministério dos Transportes, a Infra S.A. e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) autorizaram a elaboração de Estudos de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) voltados a subsidiar processo de concessão de ferrovias federais, com extensão total aproximada de 4,2 mil quilômetros. O estudo propôs a divisão da Malha Sul em três segmentos distintos: Corredor Paraná-Santa Catarina, Corredor Rio Grande e Corredor Mercosul.

Neste último, o projeto inclui ferrovias que cortam os Campos Gerais, passando por Ponta Grossa, Carambeí, Castro, Palmeira, Piraí do Sul, Porto Amazonas, Jaguariaíva e Sengés.

O atual contrato de concessão da Malha Sul, operada pela Rumo, se encerra em fevereiro de 2027. O Ministério dos Transportes pretende realizar os leilões dos três lotes até o final de 2026. Ainda que os certames venham a ser realizados nesse prazo, a concessão deverá ser prorrogada de forma pontual, por dois anos – a antecipação da prorrogação do contrato, por intervalo maior, já foi descartada.

A nova modelagem de concessão da Malha Sul prevê que o futuro operador do trecho mais rentável pagará pelo menos R$ 8,6 bilhões ao longo do contrato para viabilizar os outros dois corredores que atendem à região Sul e possíveis demais projetos do governo que demandem aportes.

Isso será possível porque a operação do chamado corredor Paraná-Santa Catarina, que chega aos portos de Paranaguá (PR) e São Francisco do Sul (SC), não apenas gera receita suficiente para bancar a própria operação e investimentos na melhoria da malha como também rende um excedente econômico. Esse excedente é que vai alavancar os outros projetos.

CORREDOR MERCOSUL

Traçado do Corredor Mercosul
Traçado do Corredor Mercosul |  Foto: Divulgação.

O Corredor Interestadual tem início em Iperó/SP, ponto de conexão com a Malha Oeste, que liga o planalto ao litoral paulista. Seguindo em direção ao Sul, a ferrovia alcança Ponta Grossa/PR e, a partir daí, compartilha o trajeto até Mafra/SC com o Corredor Paraná-Santa Catarina.

De Mafra/SC o corredor atravessa o estado catarinense até chegar ao Rio Grande do Sul, alcançando Roca Sales/RS, onde se divide em dois ramais: um em direção a Passo Fundo/RS e outro até General Luz/RS. Em General Luz/RS a ferrovia se estende em duas direções: ao leste, até o Pátio Industrial/RS, na Região Metropolitana de Porto Alegre, e ao oeste, até Santa Maria/RS. De Santa Maria/RS a Cacequi/RS, o corredor compartilha o mesmo traçado com a Malha Gaúcha (Corredor Rio Grande), seguindo então até Uruguaiana/RS, na fronteira com a Argentina, onde se conecta à malha ferroviária do Mercosul.

O corredor Mercosul terá a maior extensão, porém, registra o menor retorno econômico, segundo os estudos. A concessionária que operar o trecho terá que investir R$ 4,5 bilhões na malha, muito afetada pelas enchentes registradas no Rio Grande do Sul em 2024. Cerca de R$ 3 bilhões do CAPEX serão destinados à reconstrução da infraestrutura ferroviária, destruída pelas chuvas que atingiram o estado.

FAEP APRESENTA PROPOSTA

Em 24 de junho, o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, entregou ao ministro dos Transportes, George Santoro, o posicionamento do setor produtivo paranaense em relação a nova concessão da Malha Sul ferroviária. O documento, elaborado em conjunto pelo G7 Paraná, reúne propostas relacionadas ao modelo atualmente em discussão para a futura operação da ferrovia.

O Sistema FAEP defende a realização de uma nova licitação para a Malha Sul, com foco na ampliação da capacidade de transporte, na modernização da infraestrutura ferroviária e na eliminação dos principais gargalos logísticos que afetam a competitividade do Paraná. Os estudos apresentados pelo Governo Federal preveem a divisão da Malha Sul em três segmentos: Paraná-Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mercosul.

Embora a entidade apoie a separação das operações, considera inadequado o modelo proposto para distribuição dos recursos gerados pela concessão, que prevê outorga de R$ 8,7 bilhões. A malha ferroviária do Paraná concentra aproximadamente 78% da carga movimentada por trens. No entanto, a proposta prevê que parte significativa desses recursos seja utilizada para financiar investimentos e déficits em outras concessões ferroviários.

Outro ponto de preocupação é a ausência de investimentos considerados estratégicos para ampliar a capacidade do transporte ferroviário no Estado. Entre as obras prioritárias defendidas pelo Sistema FAEP estão a construção de um novo traçado ferroviário na Serra da Esperança, entre Guarapuava, Irati e Lapa; a implantação do Contorno Ferroviário Oeste de Curitiba; e a ampliação dos pátios de cruzamento, estruturas que permitem aumentar a fluidez do tráfego ferroviário.

AUDIÊNCIA PÚBLICA

Para debater o projeto, será realizada uma audiência pública, com objetivo de abrir espaço para que a sociedade, agentes econômicos e demais interessados contribuam com sugestões e contribuições às minutas de edital e contrato de concessão. As informações sobre o projeto estão disponíveis desde 8 de junho de 2026, e o prazo para envio de contribuições está aberto e vai até 10 de agosto de 2026.

A atuação integrada entre a ANTT, o Ministério dos Transportes e a Infra S.A. ao longo da estruturação do projeto garante que o processo chegue à consulta pública com estudos técnicos, econômico-financeiros e socioambientais consolidados para os três corredores, o que contribui para maior segurança jurídica e previsibilidade na futura concessão.

As sessões presenciais ocorrem em quatro cidades: Brasília/DF, na modalidade híbrida (presencial e virtual) em 16 de julho, com transmissão ao vivo pelo canal da ANTT no YouTube; Curitiba/PR, em 27 de julho; Porto Alegre/RS, em 29 de julho; e Florianópolis/SC, em 31 de julho. Os endereços serão divulgados oportunamente.

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