Editorial
Pedestres têm desafios em calçadas deterioradas
Mario Martins | 13 de março de 2026 - 01:09
Fora de padrão e algumas beirando a ilegalidade. As calçadas precisam ser padronizadas em Ponta Grossa, até como forma de garantir a segurança das pessoas, deficientes ou não, ao caminhar. No início desta semana, o Instituto de Planejamento (Iplan), da Prefeitura, anunciou ações de fiscalização. A atuação objetiva zelar pela cidade, garantindo o cuidado com calçadas públicas em propriedades particulares, mantendo passeios regulares, livres de mato e de outros obstáculos.
Atualmente, os pedestres em Ponta Grossa enfrentam diversas dificuldades na locomoção diária, resultantes do grande número de calçadas inadequadas, que não oferecem condições mínimas de acessibilidade. Caminhar é a forma mais natural e econômica de se deslocar. Pesquisas apontam que as viagens a pé superam 40% dos deslocamentos realizados em cidades brasileiras de até 60 mil habitantes.
No entanto, a avaliação média dos equipamentos necessários para garantir uma jornada confortável e segura é de apenas 5,71 metros, quando deveria ser, no mínimo, 8. Isso indica que a caminhabilidade, tanto quantitativa quanto qualitativa, dos espaços destinados aos pedestres está muito aquém do aceitável. Diversos obstáculos transformam o trajeto dos pedestres em um verdadeiro desafio, frequentemente resultando em lesões, muitas vezes graves.
Com o objetivo de garantir acessibilidade a todos os pedestres, é fundamental analisar as condições inadequadas de algumas calçadas em Ponta Grossa. Os problemas diagnosticados incluem o uso de materiais inadequados, irregularidades e a ausência de um padrão uniforme nas calçadas de uma mesma rua. Há outra questão: telefones públicos e lixeiras são equipamentos que colocam em risco a circulação de pessoas nesses espaços públicos.
Recentemente, documento técnico foi elaborado pelo Iplan com diretrizes para a construção e reforma de calçadas no município, de forma padronizada, segura e acessível. Um dos objetivos do documento inédito é superar desafios locais, como terrenos inclinados e a ausência de padrões nas vias, proporcionando passeios urbanos que favoreçam a mobilidade inclusiva, especialmente para pessoas com mobilidade reduzida, prevendo rampas de acesso, pisos antiderrapantes e largura mínima de circulação.
Inicialmente, o manual terá caráter orientativo, servindo como guia para moradores, lojistas e construtoras, mas está prevista a regulamentação via decreto para que suas normas se tornem obrigatórias no município. A iniciativa também responde a recomendações do Tribunal de Contas do Paraná (TCE-PR) e reforça o compromisso municipal com governança, transparência e o direito de ir e vir de todos os cidadãos