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Imagem ilustrativa da imagem A pandemia final

Por Mário Sérgio de Melo

Alguns especialistas afirmam tê-la identificado, mas são desacreditados por outros, que parecem já infectados por ela. Seus sintomas são intricados: esquecimento, falta de discernimento, alheamento, dificuldade de enxergar a realidade e distinguir engodo de veracidade. Estes sintomas desencadeiam distorções de comportamento, tais como um alucinante conflito entre ceticismo e incredulidade, e, de outro lado, fé cega em supostos vaticínios religiosos, inventados por outros já infectados.

Outros sintomas são intolerância com o diferente, apego ao dinheiro, posses, status e poder, perda do senso crítico e da ética, irritabilidade, violência, hipocrisia, desonestidade, perversão sexual. Os contaminados o são em todos os países, raças, classes socioeconômicas, religiões, gêneros, ideologias e ocupações. Médicos, militares, políticos, agricultores, religiosos, professores, estudantes, cientistas, esposas do lar, parece que ninguém escapa. Um idoso encanecido e engelhado encontrado casualmente na rua, no shopping ou na repartição, pode subitamente irromper em uma cruzada verbal odienta. Transforma-se num Dom Quixote arremetendo contra os moinhos de vento.

Pesquisas têm buscado, sem sucesso, identificar o vírus, suas origens e as causas da propagação da nova pandemia. Os pesquisadores ainda debatem entre si, alguns dizem que ela é inexistente, seriam ilusões da inteligência artificial, que já atua para dominar a humanidade. Àqueles que acreditam nessa pandemia, resta a hipótese de que se trate de um novíssimo tipo de vírus, que não tem materialidade. É como energia pura, no campo das ideias e do psiquismo humano. Há suposições da origem extraterrestre de tais vírus. Embora imateriais, agem no mundo material, provocando comportamentos de rebanho, em que a lucidez individual é substituída pela vontade da massa enlouquecida.

Alguns pesquisadores lembram que já em 1921, no livro “Psicologia das massas e análise do eu”, Sigmund Freud já tinha previsto a pandemia, mas não foi acreditado. Ou, pior, foi compreendido por alguns poucos inescrupulosos, que usaram as descobertas do psicanalista para manipular e aproveitar-se das massas. Por outro lado, o desafio está colocado: quais são as causas mais severas da patologia, como combatê-las?

A busca da prevenção e cura da avassaladora doença está angustiante, ainda sem solução. Alguns falam que seria a educação, mas ela parece também já contaminada. Outros dizem seja a religião, ela também infectada e suspeita. Outros dizem ser doença incurável, da qual estamos só começando a ver os sintomas e seus calamitosos efeitos: a pandemia vai alastrar-se de forma inexorável, vai extinguir todos os contaminados.

Só vai sobrar uma minoria, a dos naturalmente imunes. Pesquisas preliminares têm indicado um certo grau de correlação entre imunidade e empatia, amizade, humildade, despojamento, solidariedade, amorosidade, afeto sincero e desinteressado...

Mário Sérgio de Melo é Geólogo, professor aposentado do Departamento de Geociências da UEPG

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