História e a Independência

Por Acir Camargo 

A pandemia reforçou o que o cotidiano limpidamente evidencia, a mentalidade do brasileiro no descompromisso com a sua história. A última semana caracterizou-se pela ausência das costumeiras celebrações da discutível independência do Brasil. Pesquisas e estudos históricos e os acontecimentos posteriores de 1954 nos permitiram acesso à diversidade de fontes, análises e novas interpretações do movimento independentista. Nestes dias, tenebroso período, que depois de 2016, aceleraram o processo e alienação plena, de desnacionalização econômica, cultural e política do Brasil, se faz necessário discutir e resgatar essas análises historiográficas. 

Até os 1980, reinou o falso patriotismo como signo zodiacal. Livros didáticos doutrinadores nos ensinavam num jogo de imagens dóceis, sequenciais, que a independência do Brasil, fora ato político importante, heroico e benemérito, fruto da bravura e imprevisibilidade do primeiro imperador e da articulação meticulosa e discreta da princesa. Nos ensinavam a admirar mitos, personagens, contos, nos quais, a história brasileira parecia uma sequência de fatos pacíficos, concatenados, personalidades e gestos sem contradição, sem conflitos. Nesse ensino equivocado, se exibia a falsa e harmoniosa convivência de Pedro Álvares Cabral, Tiradentes, Dona Maria I, Duque de Caxias, Pedro I, Pedro II, Marechal Deodoro e outros. Nos omitiam também a participação do povo, classes, seres humanos reais, escravos, índios, negros, mulheres, ricos, pobres e trabalhadores. Criminosamente nos poupavam das causas da história, a existência de conflitos e interesses em disputa que a fazem. Isso objetivava o mesmo tipo nefasto de patriotismo enganoso que se impõe à população desavisada, numa época como a nossa, quando forças tidas como mortas na década de 1950, retomam o discurso político, a produção literária, educacional e jornalística dos nossos dias, semelhante ao que ocorre no Leste Europeu e não poupa a América Latina.

Por uma cultura errônea, despolitizadora, maléfica, através da tradição positivista e dos manuais ingênuos, a Independência tomou um lugar imerecido e serve em nossos dias, para o mais escabroso patriotismo. Sua proclamação política, não econômica nem social, jamais pertenceu aos brios valentes do príncipe, mas da correlação de forças do capitalismo mundial em ascensão e à pressão das potências europeias que o capitaneavam. O êxito do modo de produção capitalista dependia da eliminação do antigo sistema, aquele que alimentava intermediários funestos nas relações comerciais de troca. Souberam os Braganças aproveitar o inevitável em seu benefício. O 7 de setembro preservou o que havia de mais atrasado e cruel da nossa história, a discriminação social, o modo de produção escravista, ausência de cidadania, voto censitário, coronelismo, senado vitalício, preocupação única nos interesses acumulativos da elite senhorial. A data assinala nossa dependência do Império inglês e o endividamento externo do país. Não foi revolução, não melhorou a vida da população.

Nosso esforço em superar visões enganadoras e antidemocráticas começam por revisar valores. Duas são as datas nacionais, a proclamação da República, 15 de novembro, quando um presidente inteligente e estudioso da História se pronunciaria em cadeia nacional reforçando o princípio da democracia política e social e 30 de outubro de 1930 que marcou o nascimento do país como nação e Estado. Precisamos bons professores e muitos livros.

Acir Camargo é colaborador do Jornal da Manhã

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