Professores se reinventam para manter a atenção dos alunos

Professores foram surpreendidos e tiveram que repensar o modo de educar

Os professores foram os profissionais que se reinventaram por completo neste ano. Com a quarentena decretada em março e a suspensão das aulas, alunos, diretores e professores foram surpreendidos e tiveram que repensar o modo de educar.

Da noite para o dia não tinham sala de aula para suas explanações, nem o pátio para as aulas de Educação Física nem o laboratório para as aulas práticas de Ciências. Isso sem mencionar o contato físico, o olho no olho do aluno e as interações.

A professora Célia Berthier, professora de Educação Física do Colégio Sion, conta que a princípio todos tomaram um susto e ficaram inseguros sobre como seria a nova forma de trabalhar.

Nesse contexto, o desafio é ainda maior para um professor de Educação Física, que trabalha com movimento, trabalho em grupo e muitos recursos. “As aulas tiveram que ser repensadas. E os alunos tiveram que repensar o aprender, porque antes corriam numa quadra, mas agora estão atrás do computador”, conta.

Cadeiras, cabo de vassoura e até tampa de panela na aula de Educação Física

Para um espaço mais restrito como a casa, foram adequados os materiais ao que o aluno dispunha naquele momento. Foi a vez de entrar em sala recursos como cadeira, cabo de vassoura, bola de meia, bolinha de papel e até tampa de panela.

“Para manter os alunos interessados, as aulas precisavam ser dinâmicas. Nas videoaulas, eu me caracterizada de personagem, vestia peruca, chapéu, tudo para que os alunos se divertissem e ao mesmo tempo aderissem à atividade”, lembra.

Tecnologia levou os professores a novo aprendizado

E por falar em videoaulas, a tecnologia foi um dos maiores desafios enfrentados pelos professores pela falta de familiaridade com os novos recursos que foram implementados. A professora Maria Luisa Fumaneri, do Sion, afirmou que aprenderam a usar o Teams e ela conta que foi um processo de aprendizado.  “Eu fiz lives no Instagram. Justo eu que nem tinha Instagram. Foi divertido. Na primeira vez, como não sabíamos que havia limite de tempo, ficamos em silêncio por cinco minutos, esperando o povo entrar”, diverte-se

A professora admite que em vários momentos se sentiu uma “analfabeta digital”, mas foi um ano em que aprenderam a usar recursos que podem ser úteis como recursos extras e eles puderem retornar às aulas presenciais.

Participação dos pais nas aulas foi fundamental

Outro ganho foi a participação da família na aula. Quando tem música e dança na aula de Educação Física, sempre aparece pai, mãe, avó dançando com a criança. “Nós, como professores de Educação Física, ao contrário dos professores de sala de aula, não tínhamos esse contato direto com os pais. Esse apoio da família foi bem importante para ajudar nessas aulas”, relata a professora Célia.

A professora Claudine May Helbig, mediadora das aulas de Educação Infantil de crianças de 3 a 4 anos, diz que o grande desafio foi transformar essa interação on-line no mais interativo e dinâmico possível dentro do Método Montessori. “Os pais foram fundamentais nessa etapa, porque colocavam em prática algumas das estratégias que criamos, como acrescentar elementos de uma história contada no ambiente domiciliar, acompanhá-los nas dinâmicas que eles percorrem e exploram o ambiente atrás de objetos. Isso sem contar o manuseio do computador e maior facilidade com o uso do microfone”, assinala.

O momento humano dos professores: perda de pai, gravidez e home office

Assim como os alunos, os professores estão sentindo muita falta dos seus alunos. E notaram que, mesmo a distância, o vínculo formado com o aluno no período de aprendizagem é muito forte. E sobrevive a todos os percalços que marcaram a educação em 2020. “Nós criamos uma relação que vai ser maior do que tudo isso. Vai ser difícil o retorno devido às medidas de distanciamento, mas o importante é que a gente manteve o laço. Agora é um laço invisível, estando perto mesmo longe. Quando a gente voltar para as aulas presenciais vai ser difícil segurar a vontade de abraçar todo mundo, porque a saudade está muito grande.”, acrescenta a professora Célia.

A professora de Ciências do Colégio Sion, Andressa Regiane de Barros, que em outubro já saiu de licença no final da gravidez, afirma que explicar para o filho mais novo, de 5 anos, que papai e mamãe estavam trabalhando foi desafiador. O filho achava que, como os pais estavam em casa, podiam brincar. “Meu marido também fez a parte dele e juntos nos ajudamos muito nesse período, revezando o cuidado com o filho, fazendo almoço e nos apoiando mutuamente”, revela Andressa.

A professora Maria Luisa conta que a convivência com colegas e alunos é o que mais sentiu falta nesse ano. “Nosso ambiente de trabalho é muito agradável e há muito carinho entre a equipe. Não à toa que em toda reunião online todos terminam com lágrimas nos olhos. Eu costumava dizer que, sempre que estava chateada, ia para o Sion e saía de lá melhor. Então o espaço físico é algo que me fez muita falta”, afirma.

Durante a pandemia, a professora perdeu seu pai. Depois dos dias de luto, ela se emocionou quando todos os alunos abriram a câmera e demonstraram empatia para dizer que, embora longe, estavam juntos. “Saber que você depende do outro, não só afetivamente, mas para a aprendizagem, foi algo que me deixa feliz, apesar de ser um ano maluco”, conclui a professora Maria Luisa.

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