Após arrancada, Aécio Neves disputa segundo turno com Dilma

Com 34,4 milhões de votos, o equivalente a 34% do total, o tucano Aécio Neves (PSDB) teve um desempenho surpreendente e ficou apenas 7 pontos porcentuais atrás da presidente Dilma Rousseff (PT), com quem disputará o 2 º turno. Será a sexta disputa consecutiva pelo Palácio do Planalto em que os dois principais protagonistas serão do PT e do PSDB - as duas primeiras foram vencidas pelos tucanos, e as três últimas, pelos petistas.
Dilma teve 42 milhões de votos, ou 42% dos votos válidos. Em 2010, no primeiro turno, ela conquistou 47% do eleitorado. Marina Silva (PSB), que se apresentou como alternativa para romper a polarização entre os dois partidos, acabou em terceiro lugar, com 21% dos votos. Nos últimos dias, ela perdeu eleitores na mesma velocidade com que ganhou na reta final da eleição de 2010, quando concorreu pelo PV e também ficou em terceiro lugar, com 19%.
Dilma venceu em 15 Estados, três a menos do que no primeiro turno da eleição passada. Os melhores desempenhos da presidente, em termos proporcionais, foram registrados no Nordeste. No Piauí, Maranhão e Ceará, ela rondou os 70% dos votos válidos.
No Nordeste, segundo a série de pesquisas Ibope, quase um em cada três eleitores são beneficiados por pelo menos um programa social do governo - o mais abrangente é o Bolsa Família, que chega a 22% dos entrevistados pelo instituto. Em termos absolutos, a maior vantagem de Dilma foi registrada na Bahia. Foram 2,4 milhões de votos a mais do que Marina e Aécio, que ficaram praticamente empatados na segundo colocação.
Em termos políticos, a vitória de maior peso ocorreu em Minas Gerais, terra de Aécio e sede da segunda mais poderosa e longeva máquina tucana de governo, instalada desde 2002. Mas Dilma teve vantagem apertada: foram 43%, 40% e 14% para os candidatos do PT, do PSDB e do PSB, respectivamente.
Em relação ao mapa eleitoral do primeiro turno de 2010, as principais diferenças para Dilma foram a perda de Goiás, Espírito Santo e Pernambuco, Estados onde ela havia ficado à frente há quatro anos.
Durante quase toda a etapa oficial da campanha, Aécio ficou em terceiro lugar - posto para o qual caiu com a entrada de Marina na corrida eleitoral, após o acidente que matou o ex-governador Eduardo Campos (PSB), em 13 de agosto. A virada em relação à adversária do PSB ocorreu apenas na pesquisa divulgada na véspera da eleição.
O tucano venceu em nove Estados. Ele ficou à frente de Marina em unidades da Federação com alta densidade eleitoral, como São Paulo e Minas. No Rio de Janeiro, que abriga o terceiro maior eleitorado do País, Marina levou vantagem em relação ao tucano.
Na divisão do voto por regiões, Aécio levou vantagem em relação a Marina no Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste.

Estratégia - Tucanos buscam apoio de Marina Silva para eleição do 2º turno
A candidata pelo PSB, Marina Silva, não se manifestou sobre sua posição no segundo turno até o fechamento desta edição. Aliados de Aécio Neves começam a esboçar uma lista de integrantes do PSB e do grupo político de Marina a serem procurados para construir as pontes de uma declaração de apoio da candidata derrotada.
Em 2010, quando disputou o Palácio do Planalto pelo PV, a ex-ministra preferiu não escolher entre Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB). Agora, os tucanos apostam que os ataques da campanha petista e o discurso mudancista de Marina vão levá-la a apoiar Aécio. O diretório paulista do PSB é um dos caminhos para atrair o partido de Marina.
O presidente regional da sigla, Márcio França, foi eleito vice-governador ao lado de Geraldo Alckmin. Fora isso, o PPS, que apoiou a ex-ministra, é presidido por Roberto Freire, aliado tradicional do PSDB. Outro alvo prioritário é o ex-tucano Walter Feldmann, conselheiro político de Marina. Em entrevista ontem à TV Estadão, Feldmann disse que o grupo se posicionará “ao longo da semana”.





















