Sergio Moro defende integridade e pautas de oposição em Ponta Grossa
Senador foca em segurança pública, critica gestão Lula e exalta crescimento do partido no estado

Em visita a Ponta Grossa na noite de quinta-feira (25), para participar do evento de filiação da prefeita Elizabeth Schmidt, ao Partido Liberal, o senador e pré-candidato ao Governo do Paraná nas Eleições deste ano, Sergio Moro destacou o apelo da sociedade em torno de seu nome para o Palácio Iguaçu, exaltou o crescimento do partido em todo o Estado e fez críticas ao Governo Federal. “É muito gratificante ter a preferência dos paranaenses. Isso reflete o reconhecimento do trabalho que a gente fez na Lava Jato, reflete o reconhecimento do trabalho que a gente fez como ministro da Justiça e Segurança Pública, quando a gente foi para cima do crime organizado, e também reflete, a meu ver, o reconhecimento do trabalho no Senado”, pontuou.
Confira a entrevista na íntegra
Grupo aRede - Tendo em vista os eventos de pré-candidaturas que estão sendo realizados em diversas regiões do Estado, como o senhor tem visto essa receptividade ao seu nome?
Sergio Moro - Essa parte é a mais gratificante do trabalho de representar o Paraná, além de ser uma honra. A gente está lá no Senado representando o Paraná. A política hoje é vista de uma maneira um pouco negativa, mas se a gente for pensar na essência pura dela, estar representando a população perante o Congresso Nacional, é uma grande honra. Agora, em relação a essas viagens, a gente tem o contato com o cidadão, a gente ouve as demandas, a gente ouve as críticas, e tem uma percepção de como as coisas estão indo, o que estão achando, não só do nosso Estado, mas do nosso país. E esse tipo de evento que realizamos aqui em Ponta Grossa é mais uma festa da cidadania, um convite aberto a toda a população, e claro, com os nossos apoiadores, que é uma forma também de a gente estar sempre presente e fazer esses eventos com intensidade. Teve um marco importante aqui em Ponta Grossa, que filiamos a prefeita Elizabeth no PL, além de colocá-la na posição de presidente do partido aqui na cidade de Ponta Grossa.
Grupo aRede - Em pesquisas eleitorais, o senhor aparece na frente dos demais concorrentes. Como o senhor avalia este cenário e como se portar diante também dessa primeira colocação?
Sergio Moro - É muito gratificante ter a preferência dos paranaenses. Isso reflete o reconhecimento do trabalho que a gente fez na Lava Jato, reflete o reconhecimento do trabalho que a gente fez como ministro da Justiça e Segurança Pública, quando a gente foi para cima do crime organizado, e também reflete, a meu ver, o reconhecimento do trabalho no Senado. Não só na aprovação de projetos de lei importantes, projetos na área de segurança pública, um projeto da minha esposa, deputada federal Rosângela Moro, na área da saúde, que ela foi autora e eu fui o relator no Senado, mas a coerência e consistência. Aquilo que eu prometi em 2022, nós estamos cumprindo a risca. Votei contra o aumento de impostos, é um absurdo que a cada 27 dias, na prática, tenha havido aumento de impostos nesse governo Lula, mas sempre com o voto contrário da oposição e o meu voto. Votei a favor das liberdades contra a censura, votei contra esses desmandos que a gente, infelizmente, está assistindo por parte do Supremo Tribunal Federal. Defendi o combate à corrupção. Integrei a CPI do INSS, a CPI do crime organizado, estávamos lá denunciando esses desvios para proteger o cidadão.
Grupo aRede - Senador, estamos diante de um cenário do governo do Estado, onde temos o governador Carlos Massa Ratinho Jr. findando o segundo mandato à frente do governo, com pesquisas que mostram avaliação acima dos 80% da gestão. E ele declarou que o candidato dele à sucessão é o deputado federal Sandro Alex, de Ponta Grossa. E, recentemente, o pré-candidato governista deu uma declaração falando que o senhor se concentrava muito na questão de Brasília, e que não estaria preparado para administrar o Paraná. Como o senhor viu essas declarações?
Sergio Moro - O que eu posso dizer é que a gente não se preocupa com os adversários, a gente se preocupa com a verdade e com os nossos projetos. Nós estamos preparando um projeto técnico, convidei para ser meu vice o Edson Vasconcelos, que é o presidente licenciado da Federação das Indústrias do Paraná. E olha que bacana: a Fiep já vinha preparando um mapa dos pontos de estrangulamento da economia paranaense. O que nós temos hoje? Um setor privado muito pujante. Veja que Ponta Grossa, como cresce a industrialização pelos predicáveis, pelas qualidades da cidade e dos seus habitantes. Mas nós temos uma série de pontos de estrangulamento: o Porto ainda não dá vazão, embora seja um orgulho não dar vazão a todas as nossas mercadorias exportadas; nós temos problemas nas nossas estradas, até para chegar de Ponta Grossa a Curitiba, às vezes, é um suplício, porque a estrada está duplicada, mas ela não é mais suficiente para atender a vazão de veículos, e essa situação é pior no interior; nós temos um problema de fornecimento de energia estável para todo o Paraná. Então, nós estamos mapeando esses pontos de estrangulamento e nós vamos atacá-los. Assim como a gente atacou o crime organizado, assim como a gente atacou a corrupção no PT, nós vamos colocar toda a nossa competência e eficiência e contrariar, muitas vezes, interesses poderosos para resolver esses problemas de estrangulamento da nossa economia. Mas vamos também dar continuidade aos bons projetos do governador Ratinho Júnior. Nós não somos adversários, nunca fui oposição ao governo Ratinho Júnior, mas nós entendemos que, além do Paraná, nós temos uma responsabilidade para o nosso país.

Grupo aRede - Em relação a política partidária, como o senhor vê uma composição do PL? Neste momento, o PL caminha junto com o Novo. Há algum outro partido também pode vir a fazer parte desta futura coligação?
Sergio Moro - Tudo é possível. Nós estamos focados no desenvolvimento do projeto técnico. Ontem mesmo, se me permite, nós fazíamos uma reunião com o secretário de Saúde do Estado de São Paulo, o doutor Eleuses, porque nós queríamos aprender um pouco mais sobre a experiência deles da tabela SUS paulista,porque nós queríamos implementar algo assim no Paraná. Seria uma tabela SUS paranaense, porque lá gerou uma revolução, um aumento de cirurgias eletivas no âmbito do SUS. Praticamente dobrou o número que São Paulo fazia. Queremos repetir essa mesma experiência, para quê? Aumentando a oferta, você vai poder atender a demanda da saúde, que é sempre crescente. Agora, claro, nós estamos de braços abertos a alianças políticas, desde que não seja petista e desde que não seja ladrão.
Grupo aRede - Citamos em outra questão, o pré-candidato ao governo, Sandro Alex. O senhor é pré-candidato, o ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca, do MDB, também lançou uma pré-candidatura ao governo e ainda temos o Requião Filho, mais alinhado a esquerda, que também é pré-candidato. Diante desse cenário, senador, é possível finalizar essa eleição num primeiro turno ou o senhor acredita que vai ser uma eleição bastante acirrada?
Sergio Moro - Primeiro, eu não comento sobre os adversários. A gente tem um projeto próprio, a gente tem uma existência própria. A gente tem o apoio, sim, do Jair Bolsonaro, mas eu tenho uma carreira, uma história, independentemente dele. Então, a gente não depende, necessariamente, dos nossos apoiadores para avançar. Claro que o apoio é bem-vindo e a gente se orgulha disso, porque o Bolsonaro e o Flávio, por exemplo, também estão dentro de uma empreitada para salvar o país. A gente precisa virar essa página tenebrosa do governo do PT. Mas eu não sou daqueles que só existem porque têm um padrinho político, eu acho que isso é muito perigoso, muito complicado, porque quem vai estar no manche, quem vai estar no timão é o próprio candidato ou pré-candidato. Dito isso, a gente tem a liderança nas pesquisas, há uma possibilidade de vitória no primeiro turno. É claro que quem não gostaria ganhar no primeiro turno? Mas, no final, o nosso objetivo é o governo, se for o primeiro, se for o segundo turno, isso faz parte do jogo eleitoral. Vamos ver como as coisas se desenvolvem. Agora, é gratificante, como eu disse, ter esse reconhecimento dos paranaenses. E, veja, diferentemente, a gente não tem aquela máquina pública atuando ao nosso favor, a gente não tem aquelas forçações de barra, aqueles instrumentos que nem deviam ser utilizados em eleições. O que a gente tem? A nossa história e a verdade, e as pessoas, com isso, reconhecem que o nosso projeto tem uma credibilidade. Acho que ninguém combateu mais a corrupção do que eu nesse país. O que nós vamos fazer? Vamos retomar a agenda anticorrupção no governo Paraná. Queremos criar nossa Agência Estadual Anticorrupção, com diretor com mandato, para que não ocorra desvio dentro do governo. Se ocorrer, que seja identificado e tomado providências de imediato
Grupo aRede - Falando dos Campos Gerais e Ponta Grossa, o senhor tem uma excelente relação com a prefeita Elizabeth Schmidt. A prefeita tem reclamado, nos últimos anos, de uma maior atenção do governo do estado para com Ponta Grossa. Num futuro governo seu, qual tratamento Ponta Grossa terá?
Sergio Moro - Eu entendo que é errado discriminar cidades por razões político-partidárias. De fato, o que a gente percebe é que, como a prefeita caminha comigo, infelizmente não tem recebido a atenção necessária por parte do governo do estado. E Ponta Grossa é uma cidade central, estratégica, ela está nesse entroncamento rodoferroviário, que é uma via crucial para o nosso estado. Veja que o próprio setor privado reconhece isso, que o crescimento industrial de Ponta Grossa, o crescimento em todos os aspectos, é resultado desse papel estratégico de Ponta Grossa na nossa economia. Falando, brincando aqui, até o Operário tem se destacado significativamente no Campeonato Paranaense e no Campeonato Nacional nos últimos anos. Acho que tudo isso é fruto de um momento muito positivo da cidade de Ponta Grossa, que decorre principalmente da população local e da posição geográfica, mas também da administração competente da prefeita Elizabeth. A gente tem que potencializar isso, a gente tem que ver Ponta Grossa como uma joia. Isso também acaba erguendo a economia de todos os campos gerais, que é uma região com um gigantesco potencial para a gente poder avançar. Carambeí, Castro, Jaguaraíva, todas essas cidades são muito importantes para o desenvolvimento do nosso estado. Então, pode ter certeza que sim, todas as cidades, na verdade, a gente não vai deixar nenhuma região para trás,no nosso projeto de governo, mas a gente também sabe reconhecer o papel estratégico da cidade de Ponta Grossa na economia do Paraná.
Grupo aRede - Sobre a representatividade política de Ponta Grossa e dos Campos Gerais, quem o PL tem apostado às futuras campanhas?
Sergio Moro - O PL e o Novo estão muito fortes no estado do Paraná. Nós estamos montando a melhor chapa de pré-candidatos a deputado: temos os dois melhores pré-candidatos ao Senado, que é Deltan Dallagnol, o procurador da Lava Jato, já mostrou toda a sua coragem, e um dos líderes da oposição ao governo Lula lá no Congresso, que é o deputado federal Filipe Barros, que agora é pré-candidato ao Senado. Nenhuma outra aglomeração tem pré-candidatos com esse nível, com essa qualidade. Do outro lado, com pré-candidatos a deputado federal, estadual, nós temos vários, entre esses, preciso destacar aqui minha esposa, que vai concorrer para a reeleição como deputada federal, agora aqui no estado do Paraná. Ela já vem fazendo um trabalho principalmente na área da saúde e na defesa das pessoas com deficiência, pessoas com doenças raras, lá no Congresso Nacional, além das pautas próprias ali da oposição. Temos também alguns grandes pré-candidatos aqui da região e da cidade como, por exemplo, o vereador Julio Kuller, que faz um trabalho fantástico como presidente da Câmara dos Vereadores, um profissional muito respeitado aqui dentro da cidade. Nós temos também a Aline Sleutjes, que é pré-candidata a deputada federal da cidade de Castro, mas também com toda a representatividade aqui dos Campos Gerais. Temos o Ricardo Zampieri também como pré-candidato a deputado.
Grupo aRede - Nas eleições nacionais, dentro do campo da direita, o senhor enxerga que realmente Flávio Bolsonaro será o nome? Principalmente após o contato dele com o Vorcaro, envolvendo o financiamento para o filme do Jair Bolsonaro, e o vídeo da Michele Bolsonaro. O senhor acredita que é possível manter essa união ou alguma coisa ainda pode acontecer?
Sergio Moro - Não, ele é o pré-candidato da direita e ele é o único candidato com potencial hoje para derrotar o projeto do PT e o projeto do Lula. Simples assim. Nós precisamos virar essa página nefasta para o nosso país. Vou lembrar aqui, que em 2022, fui eleito senador e não tinha o apoio nem do Jair Bolsonaro e nem tinha o apoio do Ratinho Júnior. Mas fui eleito. No segundo turno, eles ligaram para mim. O Bolsonaro ligou para mim pedindo para que eu estivesse nos debates presenciais para ajudar a derrotar o PT e o Lula. Deixei de lado minhas divergências e fui lá, porque eu entendia que o novo governo Lula seria trágico para o país. E é a mesma coisa que eu penso agora: um novo mandato do Lula seria provavelmente um Dilma II, está no horizonte uma crise fiscal, risco de uma maior recessão da história do país como tivemos durante o governo Dilma, que foi o pior de todos. Nem na pandemia o PIB caiu tanto como no governo Dilma. Hoje se coloca o Flávio, e eu não vejo os outros pré-candidatos da oposição, por mais respeito que eles mereçam, pessoas como o Zema, como o Caiado, eu não os vejo com potencial para derrotar o projeto do PT e do Lula. Então estamos apoiando o Flávio Bolsonaro. Inclusive, semana passada, tivemos o lançamento do programa Brasil Sem Medo, para tratar de 12 pontos principais, iniciais, relacionados à segurança pública. Coisa que o PT não consegue falar, veja as gafes, gafes é falar pouco, mas veja as falas do Lula sobre segurança pública, uma pior do que a outra. Chamar o Comando Vermelho e o PCC de ‘nossos criminosos’, dizer que o traficante é vítima do usuário, minimizar o furto de celular, porque não é o dele, porque a população sofre no Brasil, economiza, às vezes está pagando um financiamento até de um celular, porque a picanha não veio, afinal de contas. O que veio foram juros altos e as famílias endividadas, e ele minimiza quando o trabalhador perde o seu patrimônio. Então o Brasil não aguenta mais esses quatro anos, o Flávio é o candidato consolidado. Esse escândalo do Banco Master, vamos dizer a verdade, é um escândalo do governo Lula. Onde que ele está eclodindo? Está eclodindo dentro do governo Lula. E qual que é a responsabilidade principal disso?
Grupo aRede - O que o senhor acredita que vai ser o grande assunto de interesse da população em que os candidatos vão ter que abordar nesta eleição?
Sergio Moro - As famílias estão muito endividadas, estão sofrendo. Existe também essa doença, essa febre das bets, que é algo terrível, mas o principal causa disso é o desequilíbrio macroeconômico gerado pelos gastos irresponsáveis do governo Lula, que aumentou impostos, mas nunca diminuiu os gastos. A dívida pública cresce, nós temos uma crise fiscal ali adiante. Mas acho que o problema principal do país, é essa crise moral. Crise moral refletida pela volta da roubalheira, crise moral pelo avanço do crime organizado no país. E aqui é um ano que o brasileiro tem a possibilidade de fazer uma escolha crucial, que é importante para o futuro do nosso país. Independentemente do que aconteça, o Brasil sobrevive. Mas veja que... Vamos fazer um comparativo com o que aconteceu nos últimos 30 anos: o Brasil era um país emergente como a China, como a Índia, a China voou e hoje tem um PIB equivalente ao dos Estados Unidos, a Índia está galopando economicamente e nós estamos patinando. Por que o Brasil não dá certo? Não. Por que a população não quer trabalhar? Quer trabalhar. Nós estamos patinando por escolhas erradas feitas pelos nossos governantes. E o principal deles está sentado hoje na cadeira do Palácio Planalto, que é Luiz Inácio Lula da Silva. Então, precisamos virar essa página crucial, e esse vai ser o tema. Por isso que a gente, mesmo aqui no Paraná, mesmo focando no Paraná, a gente não pode se omitir em relação às nossas responsabilidades. Quem não critica o Lula, quem não critica o PT, é cúmplice.





















