Polícia identifica fraude bilionária e adulteração em postos de combustíveis do Paraná
Autoridades concluem investigação e localizam problemas com a gasolina dos estabelecimentos
Publicado: 23/01/2026, 17:52

A Polícia Federal (PF) concluiu as investigações relativas à prática sistemática de crimes contra a ordem econômica e estelionato em dezenas de postos de combustíveis na capital paranaense e Região Metropolitana de Curitiba (RMC). O inquérito é um desdobramento da 'Operação Tank', com enfoque na materialidade das fraudes e na identificação dos responsáveis diretos pela rede de postos sob controle de uma organização criminosa.
'BOMBA BAIXA' E GASOLINA COM 79% DE ETANOL
As perícias realizadas em 50 postos de combustíveis sob domínio do grupo confirmaram um esquema sofisticado para lesar o cidadão comum em duas frentes:
- Fraude Metrológica ('Bomba Baixa'): a organização utilizava o chamado 'Sistema Flex', um dispositivo eletrônico que permitia a manipulação remota dos volumes de combustível via aplicativo de celular. Os exames periciais constataram que as bombas entregavam volumes significativamente menores do que o registrado no visor, com diferenças que chegaram a -8,3%, acima de qualquer tolerância legal;
- Adulteração de Combustível: as análises laboratoriais revelaram, ainda, índices alarmantes de mistura de etanol na gasolina comum. Em casos extremos, os postos comercializavam um produto com 79% de etanol, ignorando completamente o limite legal de 27% (± 1%). Essa prática, além de configurar crime, causava danos diretos aos veículos dos consumidores e aumentava artificialmente o lucro dos criminosos.
INDICIAMENTOS E PENAS
Ao término dos trabalhos, a Polícia Federal promoveu o indiciamento de oito pessoas, identificadas como o núcleo de comando e gestão da rede de postos (a chamada 'Diretoria').
Os investigados foram indiciados pelos seguintes crimes:
- Crimes contra a Ordem Econômica (Lei 8.176/91): pela aquisição e revenda de combustíveis em desacordo com as normas legais, com indicativo de prática reiterada por ao menos 21 vezes;
- Estelionato (Art. 171 do Código Penal): pelo emprego de artifício ardiloso ('bomba baixa') para induzir o consumidor ao erro e obter vantagem ilícita, com indicativo de prática por ao menos 23 vezes.
Somadas, as penas podem chegar a 40 anos de reclusão para cada integrante do grupo.
LAVAGEM DE DINHEIRO
A investigação demonstrou que a fraude nos postos era o 'motor' de um esquema bilionário de lavagem de dinheiro do crime organizado. Os lucros obtidos enganando o consumidor eram reinjetados em uma estrutura financeira que movimentou bilhões de reais, utilizando empresas de fachada e 'laranjas' profissionais para ocultar a origem ilícita dos recursos.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- PF concluiu inquérito da Operação Tank, que investigou fraudes em dezenas de postos de combustíveis em Curitiba e Região Metropolitana, controlados por uma organização criminosa;
- Perícias confirmaram “bomba baixa” e gasolina adulterada, com bombas entregando até 8,3% menos combustível e casos de gasolina com até 79% de etanol (bem acima do limite legal);
- Oito pessoas foram indiciadas por crimes econômicos, estelionato e lavagem de dinheiro, com penas que podem chegar a 40 anos de prisão para cada integrante do grupo.
Com informações: Assessoria de Imprensa.




















