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Pais divulgam carta sobre os 3 filhos que perderam no MH17

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Gabriel Sartini

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A tragédia com o voo MH17 da Companhia Malaysia Airlines, que caiu na Ucrânia após ser atingido e deixou 258 mortos, deixou várias famílias destruídas. Anthony Maslin e Marite Norris perderam os três filhos, que estavam na aeronave, acompanhadas do avô. Em uma carta dirigida aos familiares e políticos, o casal escreveu sobre a perda das três crianças Mo, 12 anos, Evie, 10, e Tois, 8, além da perda do pai de Marite.

"Vivemos em um inferno. Aliás, além do inferno. Nossos bebês não estão aqui conosco e agora temos de viver com esse horror, todos os dias e todos os momentos, para o resto de nossas vidas", diz a declaração.

Desolados, os pais disseram ainda que ninguém merece passar por uma dor tão grande. "Nem mesmo as pessoas que atiraram toda a nossa família para fora do avião merecem passar por uma coisa dessas", disseram eles, lembrando que o amor que sentem pela família é mais forte que qualquer sentimento de ódio.

Leia a carta na íntegra:

"Uma mensagem para os soldados na Ucrânia, para os políticos, para os meios de comunicação social, para os nossos amigos e para a nossa família. A nossa dor é intensa e implacável. Nós vivemos um inferno para além do inferno. Os nossos bebés não estão aqui conosco. Temos que viver com este ato de horror todos os dias e todos os momentos para o resto das nossas vidas.

Ninguém merece o que estamos a passar. Nem as pessoas que mataram a nossa família. Nenhum ódio neste mundo é tão forte como o amor que nós temos pelos nossos filhos, por Mo, por Evie, por Otis. Nenhum ódio neste mundo é tão forte como o amor que nós temos pelo avô Nick. Nenhum ódio neste mundo é tão forte como o amor que nós temos um pelo outro. Esta é uma revelação que nos dá algum conforto.

Pedimos a todos que se lembrem disto quando tomarem decisões que nos afetem e às outras vítimas deste horror. Até agora, todos os momentos desde que saímos de casa, temos estado rodeados de família e amigos. Rezamos desesperadamente para que isso continue, porque esta expressão do amor é o que nos mantém vivos. Queremos continuar a saber coisas sobre a vossa vida, o bom e o mau.

Nós já não queremos viver as nossas vidas. Por isso, gostaríamos de agradecer a toda a gente, a todos os nossos amigos, família e comunidade incríveis, e dizer-vos que vos amamos muito. Também queríamos agradecer às pessoas do Ministério dos Negócios Estrangeiros e do Comércio da Austrália, à coordenadora local Claire, e a Diana e Adrian, de Haia, sem os quais não estaríamos aqui. Pedimos aos meios de comunicação social que respeitem a privacidade da nossa família e amigos, a dor não é uma história”.

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