STF divulga contrato de R$ 131 milhões entre Master e mulher de Moraes | aRede
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STF divulga contrato de R$ 131 milhões entre Master e mulher de Moraes

Eram previstos pagamentos de 36 parcelas mensais e sucessivas no valor de R$ 3 milhões cada

Os pagamentos começaram em fevereiro de 2024
Os pagamentos começaram em fevereiro de 2024 -

Publicado Por Milena Batista

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O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), tornou público, no fim da noite desta quinta-feira (10), o contrato firmado entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.

Conforme o Metrópoles, o documento faz parte da investigação sobre o Banco Master e teve o sigilo retirado após determinação do presidente do STF, Edson Fachin.

Firmado em janeiro de 2024, o contrato previa serviços de implantação, acompanhamento e aprimoramento de programas de integridade (compliance), além de consultoria estratégica e jurídica em procedimentos e inquéritos policiais nas Polícias Federal e Civis.

Também estavam previstos serviços relacionados a procedimentos administrativos perante órgãos como o Banco Central, a Receita Federal e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), além de processos judiciais em todas as instâncias.

Pelo contrato, foram estabelecidas 36 parcelas de R$ 3 milhões líquidos, equivalentes a R$ 3,64 milhões brutos por parcela.

Os pagamentos começaram em fevereiro de 2024 e foram realizados regularmente até o fim de 2025. Ao todo, 22 parcelas foram pagas pelo Banco Master, totalizando R$ 80,2 milhões.

Os repasses foram interrompidos em novembro, quando o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master.

Moraes editou versão final do contrato

Em relatório tornado público por Mendonça no início desta semana, a Polícia Federal aponta que o documento foi editado pelo ministro Alexandre de Moraes.

Segundo os dados extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, um arquivo no formato Office 365 teve alterações registradas sob o usuário “Ministro Alexandre de Moraes” na noite de 15 de janeiro de 2024.

O escritório Barci de Moraes confirmou que o ministro acessou e editou a versão final do contrato. Segundo a assessoria, a consulta foi feita a pedido do próprio setor de compliance para verificar a existência de possíveis impedimentos legais para a contratação.

Em nota, o escritório afirmou que não havia previsão de atuação perante o STF nem impedimento legal para a contratação, destacando que Moraes nunca teria julgado uma causa envolvendo o Banco Master.

Crise no STF

A divulgação do contrato ocorre em meio a uma disputa entre ministros do Supremo envolvendo a investigação do Banco Master.

1º de setembro: André Mendonça retirou o sigilo de parte da investigação em que aparece o nome de Alexandre de Moraes. O relatório da Polícia Federal revelou supostas trocas de mensagens entre Moraes e Daniel Vorcaro.

3 de setembro: Moraes encaminhou a Fachin, no âmbito do Inquérito das Fake News, um pedido para investigar a atuação de Mendonça por suspeitas de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. As acusações ainda não foram julgadas.

4 de setembro: Fachin negou o pedido de Moraes e encaminhou o procedimento à Presidência do STF. O ministro também deu cinco dias úteis para que Mendonça e a Procuradoria-Geral da República se manifestassem.

8 de setembro: Mendonça determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada. O ministro apontou suspeitas relacionadas à produção de relatórios da PF sobre sua atuação. A decisão provocou reação da Advocacia-Geral da União, e 11 diretores da PF colocaram os cargos à disposição em apoio aos dois delegados.

9 de setembro: O ministro Flávio Dino determinou o retorno de Andrei Rodrigues e Leandro Almada aos cargos e apontou “atropelos processuais” na decisão de Mendonça. Horas depois, Fachin suspendeu as decisões de Mendonça e Dino e manteve os dois delegados na PF enquanto analisa o impasse.

No mesmo dia, Fachin determinou que procedimentos com potencial para investigar ministros do STF passem primeiro pela Presidência da Corte e retirou Moraes da relatoria do Inquérito das Fake News.

10 de setembro: Fachin determinou a retirada do sigilo de procedimentos relacionados à investigação do Banco Master e pediu que Mendonça entregasse um HD com as informações à Presidência do STF e aos demais ministros.

Como relator do caso, Mendonça atendeu à solicitação e retirou o sigilo da investigação.

A divulgação dos documentos ocorre antes da sessão extraordinária do plenário do STF marcada para 15 de setembro, quando os ministros deverão analisar questões relacionadas ao caso Banco Master.

CONTEÚDO DE MARCA

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