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Ineficiência nas cargas e descargas pressiona custos do transporte no Paraná

Além dos custos diretos, a falta de previsibilidade obriga as transportadoras a planejar as rotas considerando os cenários mais desfavoráveis

Em 2025, os portos paranaenses movimentaram o recorde de 73,5 milhões de toneladas, enquanto o Pátio Público de Triagem do Porto de Paranaguá recebeu mais de 507 mil caminhões
Em 2025, os portos paranaenses movimentaram o recorde de 73,5 milhões de toneladas, enquanto o Pátio Público de Triagem do Porto de Paranaguá recebeu mais de 507 mil caminhões -

Publicado por Diego Chila

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O Paraná ocupa posição estratégica na logística nacional, impulsionado pela força do agronegócio, da indústria, do comércio e da atividade portuária. Em 2025, os portos paranaenses movimentaram o recorde de 73,5 milhões de toneladas, enquanto o Pátio Público de Triagem do Porto de Paranaguá recebeu mais de 507 mil caminhões. Em operações dessa dimensão, a eficiência no carregamento, descarregamento e liberação dos veículos torna-se decisiva para a competitividade do Transporte Rodoviário de Cargas, mas o tempo excessivo de espera nessas etapas ainda reduz a produtividade das transportadoras, dificulta o cumprimento dos prazos e amplia os custos operacionais.

Embora a Lei nº 11.442/2007 estabeleça o prazo máximo de cinco horas para as operações de carga e descarga, o Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado do Paraná (SETCEPAR) avalia que esse período já compromete significativamente a produtividade das transportadoras. “Uma jornada útil do motorista tem cerca de oito horas. Isso significa que uma única espera dentro do limite previsto em lei já consome mais da metade do dia produtivo do veículo. Caminhão parado não gera receita, mas continua gerando custos com financiamento, seguro, rastreamento, licenciamento e salário do motorista”, afirma o presidente da entidade, Silvio Kasnodzei.

O impacto financeiro das esperas ganhou ainda mais relevância após o julgamento da ADI 5322 pelo Supremo Tribunal Federal, que alterou o tratamento do período em que o motorista permanece nas dependências do embarcador ou do destinatário. “Desde então, a espera passou a integrar a jornada de trabalho comum, sendo remunerada integralmente”, explica Kasnodzei. Aos gastos com mão de obra somam-se o consumo de combustível, o desgaste do veículo e o custo da viagem que deixou de ser realizada.

Além dos custos diretos, a falta de previsibilidade obriga as transportadoras a planejar as rotas considerando os cenários mais desfavoráveis. Isso reduz o número de entregas programadas, exige margens maiores entre os atendimentos e pode demandar veículos e motoristas adicionais. Para enfrentar o problema, a entidade defende que embarcadores e destinatários respeitem os horários agendados, dimensionem suas docas e equipes conforme o volume movimentado e forneçam registros dos horários de chegada e saída dos caminhões.

Na avaliação da entidade, parte das soluções já está disponível e depende mais de organização do que de grandes investimentos. “As soluções são conhecidas, maduras e de baixo custo; o que falta é adoção. O agendamento eletrônico deve contar com janelas de atendimento definidas e controle do tempo de permanência, enquanto a integração documental pode eliminar conferências manuais que ainda travam as docas”, afirma Kasnodzei.

O SETCEPAR também defende a criação de um protocolo estadual de boas práticas envolvendo transportadoras, embarcadores, destinatários e poder público. Para a entidade, reduzir o tempo de espera nas operações de carga e descarga representa um ganho de produtividade para toda a cadeia logística, fortalecendo a competitividade das empresas e aumentando a eficiência do transporte rodoviário de cargas no Paraná.

Com informações da assessoria
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