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Israel afirma que ataque com os EUA matou líder supremo do Irã, mas Teerã nega

Quase 2 meses após captura de Maduro, Khamenei pode ser o primeiro chefe de Estado morto em uma operação liderada pelos EUA

Ação ocorre após três rodadas para discutir o que fazer com o programa nuclear da teocracia, que não confirma morte
Ação ocorre após três rodadas para discutir o que fazer com o programa nuclear da teocracia, que não confirma morte -

Publicação por Lincoln Vargas

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O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, foi morto neste sábado (28) no ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel contra a teocracia, cujo futuro após 47 anos está em suspenso. A informação foi passada pelo Estado judeu para Washington, segundo múltiplos relatos.

O Irã negou que Khamenei tivesse morrido, mas não apresentou nenhuma prova de sua sobrevivência. Mais cedo, o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, havia dito publicamente “há muitos sinais” de que o líder “não está mais entre nós”.

Ele citou que o complexo em que Khameni morava foi destruído por sua aviação em Teerã. O estrago já era verificável por meio de uma foto de satélite divulgada mais cedo pelo New York Times, mas a mídia estatal iraniana afirmava que o líder e o presidente Masoud Pezeskhian, estava vivos.

Já o chanceler Abbas Araghchi disse que Khamenei tinha sobrevivido “pelo que ele sabia”. O porta-voz diplomático Esmaeil Baghaei, por sua vez, afirmou à rede americana ABC que “não podia confirmar” a condição dos dois líderes. “O que importa é que nosso país, nossa nação, está focada em se defender”, disse.

Netanyahu também afirmou que “diversos comandantes da Guarda Revolucionária e cientistas nucleares” foram alvejados na ação com 200 aviões contra 500 alvos, que levou a uma retaliação também inédita contra aliados americanos no golfo Pérsico.

Mais cedo, o Irã tinha dito que havia ocorrido algumas baixas nos quadros de liderança do país, mas nada de impacto sobre a governabilidade ou capacidade de defesa. Segundo o Crescente Vermelho, 201 pessoas haviam morrido e 747, ficado feridas. Não houve baixas americanas, segundo o Pentágono, e ao menos um civil morreu em Abu Dhabi.

A ação militar ocorreu mesmo após o anúncio de mais uma rodada de negociações entre americanos e iranianos acerca do programa nuclear de Teerã, que o presidente Donald Trump disse querer ver desmantelado completamente.

Se confirmada, a morte de Khamenei, 86, o torna o primeiro chefe de Estado no poder assassinado em uma operação comandada por Washington na história, com o aparente agravante que talvez tenham sido aviões do arquirrival Estado judeu os instrumentos.

Trump e Netanyahu pediram para o povo iraniano ir às ruas para tomar o poder. “Acabem o serviço”, disse o premiê israelense.

O iraniano liderava seu país desde 1989, quando morreu o fundador da República Islâmica, aiatolá Ruhollah Khomeini.

Outros líderes hostis a Washington morreram após ações ocidentais na história recente, mas nunca diretamente. O ditador iraquiano Saddam Hussein, por exemplo, foi capturado por americanos em 2003, após a invasão de seu país, mas acabou enforcado após julgamento em uma corte local três anos depois.

Já o ditador líbio Muammar Gaddafi, que sobrevivera a um bombardeio americano em 1986, foi morto por rivais numa sarjeta em 2011 após se destituído na esteira de uma ação ocidental autorizada pela ONU com participação dos EUA.

Sob Trump, se havia regra limitando ações diretas. O americano havia capturado no dia 3 de janeiro o ditador Nicolás Maduro e sua mulher num ataque à Venezuela, de resto uma aliada do Irã, da Rússia e da China.

O que acontece se Khamenei morrer é incerto e depende do escopo e da duração da operação americana, que pode visar a destruição da cadeia de comando da Guarda Revolucionária, o principal ente militar da teocracia.

Do ponto de vista sucessório, na ausência do líder é prevista a criação de uma junta formada pelo presidente do país, o chefe do Judiciário e um membro do Conselho dos Guardiões, órgão com 6 clérigos e 6 juristas.

O grupo governa até a reunião dos 88 membros da Assembleia de Peritos, clérigos eleitos mas que precisam do aval do Conselho, que definirá o nome do sucessor de Khamenei. Com a suspeita morte em acidente aéreo do presidente radical Ebrahim Raisi, em 2024, o favorito era um dos filhos de Khamenei, Mojtaba, 56.

Nada disso é provável com o país sob ataque. A chance de a Guarda tomar as rédeas, se sobreviver de forma organizada, não é desprezível também, tornando o autocrático Estado religioso numa ditadura militar sob linhas semelhantes.

Outra opção é uma guerra civil, dado que não está nos planos e na capacidade mobilizada de Trump a hipótese de uma ação terrestre para empoderar algum grupo no comando.

Este era um temor de ativistas, que buscaram eleger a figura do filho do xá deposto pelos aiatolás, Reza Pahlavi, como nome consensual, o que parecia ilusório dado o distanciamento do príncipe homônimo, radicado nos EUA.

Com informações da Banda B, parceira do Portal aRede

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