Trump sobre o Irã: 'Às vezes é preciso usar a força'
Paciência do presidente americano parece estar se esgotando, embora ele tenha dito que ainda não havia tomado uma decisão final sobre ataque militar

O presidente dos EUA, Donald Trump, expressou decepção, nesta sexta-feira (27), com as negociações entre os EUA e o Irã sobre seu programa nuclear e alertou que "às vezes é preciso usar a força", em meio a um grande reforço militar na região que pode prenunciar ataques contra a República Islâmica.
Nas semanas que se seguiram à repressão iraniana contra manifestantes, Trump aumentou a pressão diplomática e militar sobre o Irã, tentando forçar os governantes do país a renunciar às armas nucleares e a outras atividades que Washington considera desestabilizadoras.
Após a última rodada de negociações na quinta-feira (26) em Genebra ter terminado sem acordo, a paciência de Trump pareceu estar se esgotando, embora ele tenha dito que ainda não havia tomado uma decisão final sobre o uso da força.
"Eles não podem ter armas nucleares. E não estamos nada satisfeitos com a forma como estão negociando. Vamos ver como tudo se desenrola", disse Trump a repórteres ao sair da Casa Branca rumo ao Texas.
O Irã nega estar buscando desenvolver armas nucleares e quer que qualquer acordo inclua o levantamento das sanções americanas contra o país.
Trump falou um dia depois de as negociações entre os enviados dos EUA, Steve Witkoff e Jared Kushner , e autoridades iranianas em Genebra terem terminado sem notícias de um acordo , embora o ministro das Relações Exteriores de Omã, Sayyid Badr Albusaidi, que atuou como mediador, tenha dito que as conversas fizeram progressos significativos.
Uma grande força militar dos EUA, incluindo dois grupos de porta-aviões, está na região aguardando ordens de Trump.
Embora o momento em que Trump tomará uma decisão final não esteja claro, o Departamento de Estado informou que o secretário de Estado, Marco Rubio, realizará conversas em Israel com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, nos dias 1 e 2 de março.
Em junho do ano passado, os Estados Unidos juntaram-se à campanha de bombardeios de Israel contra o Irã, atingindo importantes instalações nucleares.
Questionado sobre a possibilidade de uso da força, Trump disse que os Estados Unidos têm as maiores Forças Armadas do mundo.
"Eu adoraria não precisar usar, mas às vezes é necessário", disse ele.
Mais negociações entre EUA e Irã
Trump disse que mais discussões sobre o Irã iriam acontecer ainda nesta sexta-feira.
Ele não especificou com quem, mas Omã, que tem atuado como mediador entre os dois países, enviou seu ministro das Relações Exteriores a Washington nesta sexta-feira para discutir o assunto com o vice-presidente dos EUA, JD Vance, de acordo com uma fonte familiarizada com o assunto.
Altos funcionários da área de Defesa dos EUA estiveram na Casa Branca na quinta-feira para negociações.
"Não queremos armas nucleares do Irã e eles não estão dizendo essas palavras de ouro", disse Trump. Isso pareceu se referir à insistência dos EUA para que Teerã se comprometesse a não desenvolver armas nucleares, algo que o presidente americano deixou explícito em seu discurso sobre o Estado da União na terça-feira.
Trump deve seguir para Palm Beach, na Flórida, para passar o fim de semana em seu resort Mar-a-Lago.
Uma fonte a par das deliberações internas da Casa Branca disse à Reuters que Trump está "muito ciente de todas as opções que tem pela frente".
Internamente, existe o reconhecimento de que enfrentar o Irã seria mais difícil do que a captura do líder venezuelano Nicolás Maduro pelos EUA, e também havia pessimismo interno quanto à possibilidade de as negociações darem resultado, disse a fonte.
"Ninguém está muito otimista em relação às negociações", disse a fonte.





















