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Coluna MSN: O melhor destino

“Quais são os seus planos para estas férias?”

Miguel Sanches Neto é escritor e reitor da Universidade Estadual de Ponta Grossa
Miguel Sanches Neto é escritor e reitor da Universidade Estadual de Ponta Grossa -

Publicado por Camila Souza.

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Chega o final de ano e todo mundo começa a ir para muitos lugares. Ou sonhar para onde ir, que sempre é a melhor parte da viagem. Pode ser para a casa de parentes com quem não se briga há bastante tempo. Mas o mais comum é a praia. Ah, a praia!

Alguns agora vão para a Argentina, para cultuar o mito Milei que vai destruir o país em 3, 2, 1. Já! Notei que várias pessoas de bem escolheram a Argentina como destino ideológico nestas férias, enquanto, logicamente, Trump não volta ao poder, restaurando o prestígio capitalista dos Estados Unidos que, aliás, nunca mudam. A economia dos Estados Unidos precisa de guerras para se manter em paz. Para ela, todas as guerras mundiais são patrióticas porque lucrativas.

Como sou obrigado a me deslocar por necessidade de ofício, o fim do ano é para mim um momento de permanecer quieto. A cidade se esvazia depois do Natal, quando as famílias cumprem o último compromisso com os seus, afastando-se das gaiolas domésticas.

E é este o maior milagre produzido pelo Natal. A maioria das pessoas chatas vai a algum paraíso publicitário, não tão distante como gostaríamos e nem por tanto tempo como seria higiênico para nossas relações. O boteco que você frequenta fica quase vazio. Há vagas de estacionamento no centro da cidade. Você até consegue caminhar durante os dias da semana com um trânsito próprio de domingo de manhã.

E encontra amigos que também preferem se esconder em casa, onde sempre tem algo estragado para arrumar. Lemos uns livros que estavam apenas começados. Vemos o noticiário dos congestionamentos nas estradas, do excesso de turistas nos balneários. Até a nossa cerveja fica mais saborosa, porque bebida com um sentimento de que, sim, nunca tivemos férias tão silenciosas.

A partir do dia 10 de janeiro, a cidade volta a se agitar. Alguém já buzina se você, ainda em ritmo de descanso, demora um pouco para arrancar o carro quando o sinaleiro abre. Mas você descobre que seu sossego de fato acabou quando aquele amigo inconveniente convida para um happy hour para contar tudo que ele fez na viagem recente. E voltamos a dar desculpas e a fugir dos lugares públicos, tentando prolongar minimamente estes restinhos de trégua social.

Felizes os que ficam.

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