Turista é preso por 'parecer gay'; cárcere durou 19 dias
Miguel Álvaro Pereira relata ter sido alvo de agressões físicas, por parte da polícia turca

Com o carimbo de mais de 40 países no passaporte, incluindo alguns em que a homossexualidade é ilegal e punida com pena de prisão ou de morte, foi na Turquia que Miguel Álvaro foi detido por "parecer gay'" A "aparência" denunciou-o: foi a justificação da polícia para o algemar e manter preso durante 19 dias.
Pelas várias esquadras, prisões, divisões por onde Miguel e outros homens que também foram detidos passaram, os insultos não partiram só de outros reclusos, mas dos guardas. “Comentaram várias vezes: ‘Porque é que estas bichas estão aqui?’, enquanto se riam de nós. Ignoravam-nos quando fazíamos perguntas. Nos últimos anos, o discurso xenófobo e anti-imigração tem crescido na Turquia.
Dos 3,6 milhões de sírios que encontraram refúgio no país vizinho desde o início da guerra, o Presidente turco prometeu no mês passado, no primeiro discurso após ser reeleito, deportar um milhão de pessoas. No mesmo dia, Recep Tayyip Erdogan insistiu no discurso de ódio contra pessoas LGBTI+.
Miguel chegou esta terça-feira ao Brasil, onde vive atualmente. Está impedido de entrar em território turco nos próximos três anos. “Neste momento, estou num estado psicológico horrível, tenho muito medo das sequelas no futuro. Rezo para que se faça justiça”, confessa o português, que trabalha como professor. “Não vou descansar. Espero levar o meu caso ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.”





















