PUBLICIDADE

Cirurgião renomado é acusado de deformar nariz de pacientes

Pacientes tiveram deformações e infecção por bactérias. Cirurgião chegou a acusá-los de provocarem as deformações.

Veraldino de Freitas Júnior, de 35 anos
Veraldino de Freitas Júnior, de 35 anos -

Da Redação

@Siga-me
Google Notícias facebook twitter twitter telegram whatsapp email

Pacientes tiveram deformações e infecção por bactérias. Cirurgião chegou a acusá-los de provocarem as deformações

A Polícia Civil de São Paulo está investigando o cirurgião plástico Alan Landecker após receber queixas de ao menos sete ex-pacientes, que o acusam de deixá-los com lesões no nariz e problemas de saúde, que incluem perda de olfato, paladar e audição, provocadas por infecções depois da realização de rinoplastias.

Entre os reclamantes está o médico e empresário mineiro Veraldino de Freitas Júnior, de 35 anos, que decidiu passar por uma cirurgia depois do fim de um relacionamento. Ele contou ao jornal Folha de S. Paulo que encontrou Landecker porque sentiu confiança no cirurgião.

"Ele me disse: ‘Aqui não é uma rodoviária, não. Aqui é relojoaria suíça. Sinta-se seguro que nós vamos cuidar de você’. Nessa hora, a gente não se importa mais com o preço, com nada, porque a gente pensa estar no lugar mais seguro", disse Freitas Júnior.

O preço de sua rinoplastia, feita em setembro de 2020, foi de R$ 50 mil. Depois de um ano, ele já havia realizado três cirurgias e gastado R$ 300 mil. Hoje, ele está com o nariz deformado, recebe medicação intravenosa para combater uma bactéria contraída na operação e vive à base de antidepressivos. "Ele acabou com minha vida", desabafa.

Ao jornal, Landecker negou ter cometido falhas nos procedimentos, garantiu que prestou a necessária assistência pós-cirúrgica e disse que não pode ser responsabilizado nos casos em que os pacientes não cumpriram o protocolo de cuidados recomendados.

Por conta das reclamações, três dos mais renomados hospitais da capital paulista - Sírio Libanês, Vila Nova Star e São Luiz - a proibi-lo de realizar cirurgias em suas unidades. Outro hospital de destaque, o Albert Einstein, abriu apuração interna e também pode vir a barrá-lo se for comprovado algum erro.

O médico também foi denunciado ao Cremesp (Conselho Regional de Medicina) e ao Ministério Público de São Paulo.

Contaminação por bactéria

A investigação policial agora foca na contaminação dos pacientes com uma bactéria que come a cartilagem do nariz, abrindo buracos internos e causando danos até permanentes, e não no descontentamento estético com os resultados, segundo informaram policiais ao jornal.

Um dos pacientes foi infectado com a Mycobacterium abscessus, da família da tuberculose, capaz de destruir o nariz da pessoa de forma permanente e requer tratamento difícil e demorado por ser muito resistente, e muitas vezes não tem cura.

Os ex-pacientes estão sendo submetidos a exames de corpo delito na Polícia Científica para confirmar as lesões e saber se é possível comprovar que foram causadas pelas rinoplastias.

Além disso, a investigação avalia se essa possível contaminação foi acidental (culposa) ou intencional (dolo eventual), ou seja, se o médico sabia da existência de um surto na sua clínica e ainda assim continuou a operar, omitindo dos pacientes o risco.

Para Freitas Júnior, foi isso que aconteceu.

"Eu não culpo ele por uma possível contaminação. Isso acontece. Mas esse ato de ficar escondendo essa contaminação dos outros, isso é criminoso. Ele me fez passar por mais duas cirurgias, em tempo de pandemia de covid. Deformou meu nariz. Em função de uma mentira", afirmou.

Segundo ele, ele tomou conhecimento da possível contaminação ao assistir uma live da modelo Sarah Cardoso, quando descobriu que não era a primeira pessoa a ter o problema.

À Folha, Sarah disse que fez a live em março deste ano para orientar seus seguidores sobre o procedimento, mas que ficou surpresa ao ver a quantidade de pessoas que foram falar com ela.

"A partir daí, começou a vir falar comigo um monte de gente que fez cirurgia com ele e teve o mesmo problema. Aí eu comecei a ficar assim: ué, eu não era caso único?"

Leia a matéria completa no site do Yahoo!Notícias.

PUBLICIDADE

Conteúdo de marca

Quero divulgar right

PUBLICIDADE