Trabalhadores podem parar transporte coletivo de Curitiba
Motoristas e cobradores da capital paranaense podem paralisar o serviço contra lei da bilhetagem eletrônica

Motoristas e cobradores da capital paranaense podem paralisar o serviço contra lei da bilhetagem eletrônica
O Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (SINDIMOC) convoca os trabalhadores para uma assembleia geral, marcada para a próxima quinta-feira (8), às 15h, na Praça Rui Barbosa, no Centro de Curitiba. A intenção é votar pela aprovação de um indicativo de greve geral a categoria, contra a proposta de projeto de lei enviado pela Prefeitura à Câmara Municipal de Curitiba, que pede a bilhetagem eletrônica em todo o sistema de transporte da capital.
O Sindimoc chama o projeto de a ‘Lei de Desemprego’, porque acabaria com a profissão dos cobradores. A Prefeitura de Curitiba alega, por sua vez, que os trabalhadores serão reaproveitados e passaram por capacitação. Já o sindicado não concorda com isso.”Nas outras cidades em que isso foi implantado demitiram todos. É sempre assim. E a tarifa, eles baixam um pouco no começo, para adoçar a opinião pública, e depois o preço sobe até mais, para compensar. Não vamos aceitar! No Brasil com 14 milhões de desempregados, essa medida é inadmissível”, afirmou o presidente do Sindimoc, Anderson Teixeira.
A URBS aponta como principal motivo para a medida diminuir o número de assaltos no transporte coletivo, já que não circularia mais dinheiro. Porém, vereadores contestam que isso poderá causar a migração para outros crimes, como os casos de arrastões.
Vereadores
Integrante da base do prefeito Rafael Greca (PMN) na Câmara Municipal, o vereador Rogério Campos (PSC) criticou o projeto que pode extinguir a profissão de cobrador de ônibus em Curitiba. Em entrevista à Banda B, ele disse que o projeto é bastante “indigesto” e questionou o ponto que cita a segurança pública: “Alguns vereadores chegaram a dar risada com a questão dos assaltos. Se vamos tirar o dinheiro de circulação no transporte coletivo, podemos perguntar: mas e os arrastões, que são a modalidade que acontecem hoje?”
Empresas defendem
O Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp) defendeu, nesta quinta-feira (1), o projeto de lei da prefeitura que pode implantar a bilhetagem eletrônica em toda a cidade. De acordo com a entidade, a proposta dá mais eficiência ao sistema e traz mais segurança, já que retira a circulação de dinheiro de dentro dos coletivos. Os trabalhadores criticam a medida e falam que seis mil cobradores podem perder o emprego com a aprovação.
Em nota, o Setransp informou que é de seu interesse o novo modelo. “A ideia é modernizar o sistema e dar mais eficiência e controle quanto à cobrança de passagens, a fim de proporcionar mais rapidez nos embarques e oferecer novas funcionalidades em benefícios dos passageiros. Além disso, a nova bilhetagem trará mais segurança ao transporte coletivo, pois o pagamento da tarifa se dará por meio da utilização de cartão eletrônico, retirando a circulação de dinheiro de dentro dos ônibus e, com isso, reduzindo a ocorrência de assaltos, que tantos transtornos têm causado à população”, informou a entidade.
Fim dos cobradores já foi proposto em Ponta Grossa
Em fevereiro de 2015, o vereador Pietro Arnaud (PTB) protocolou um projeto de lei que prevê a extinção lenta e gradual dos cobradores nos ônibus da Viação Campos Gerais (VCG) em Ponta Grossa. Um dos argumentos era de que os trabalhadores poderiam ser realocados na empresa e que a tarifa poderia ser reduzida.
A proposta gerou polêmica na ocasião, com repercussão negativa no Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário de Passageiros de Ponta Grossa (Sintropas-PG). O projeto foi retirado em maio do mesmo ano.
Com informações da Banda B





















