Indicação de Gaspar gera divisão no entorno de Flávio Bolsonaro
Avaliação é que deputado não agrega votos junto ao eleitorado feminino e não agrada o mercado

A escolha do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como vice na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência frustrou parte dos aliados do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. A avaliação de uma ala do bolsonarismo é que o parlamentar tem potencial de votos limitado, não vence o desgaste com o eleitorado feminino e não agrada o mercado, que ainda vê a candidatura de Flávio com desconfiança.
Outra crítica ao candidato a vice é a falta de conhecimento em nível nacional. Uma ala do PL (Partido Liberal) considera o parlamentar "inexpressivo". Os termos "sem recall" e "em voto" também foram usados para definir o escolhido.
A opção por Gaspar também foi criticada pela falta de apelo junto ao mercado financeiro. Cotada para vice, Daniella Marques tinha a simpatia deste setor.
Longe do perfil ideal
Logo após o anúncio de que Flávio seria candidato a presidente, ainda no final do ano passado, aliados próximos comentavam que o perfil ideal para vice era uma mulher. De preferência, a escolhida deveria ser evangélica, nordestina e filiada a um partido de centro.
Além de não atender a estes requisitos e ser considerado sem votos, Alfredo Gaspar tem questões a explicar. Ele responde a um inquérito de estupro de vulnerável no STF (Supremo Tribunal Federal).
A investigação se baseia em áudios que indicariam que o deputado teria supostamente mantido relações com uma adolescente de 13 anos.
O parlamentar nega as acusações, que vieram à tona durante a leitura do relatório final da CPMI do INSS. Alfredo reclamou que foi alvo de "perseguição política". Ele se submeteu a um exame de DNA e afirmou que tomou esta providência para provar sua inocência.
O anúncio de Gaspar como vice foi feito por Flávio em declaração à imprensa nesta manhã. Em discurso, o senador destacou que Alfredo Gaspar foi promotor e irá reforçar o combate à corrupção e ao crime organizado, caso eleito.
Avalistas da escolha defendem a indicação do deputado por causa deste perfil. O fato de ter integrado o Ministério Público e ter sido o relator da CPMI do INSS serviria para a campanha tentar desgastar Lula usando a corrupção.
O filho mais velho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, é alvo de três inquéritos no STF. As investigações apuram possíveis casos de tráfico de influência e corrupção cometidos em parceria com Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS.
Outra fragilidade de Lula é o caso de seu assessor pessoal.
Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ficou na chefia do gabinete pessoal da Presidência da República até 21 de julho deste ano.
Ele abandonou o posto para trabalhar na campanha de reeleição do petista. Nesta quarta, comunicou que vai desistir da tarefa depois da revelação de que recebeu dinheiro da empresária Roberta Luchsinger. Ela é amiga de Lulinha e ligada ao Careca do INSS.
Outro fator considerado um diferencial de Gaspar é a sua origem nordestina. Tradicionalmente, a maioria do eleitorado da região apoia Lula.
Por fim, aliados de Flávio têm elogiado Alfredo e destacado seu perfil "íntegro" e "firme".
Com informações: CNN Brasil




















