Tribunal marca data do último recurso de Lula
Este é o último recurso em segunda instância do ex-presidente
Este é o último recurso em
segunda instância do ex-presidente
Tribunal Regional Federal 4 (TRF4)
marcou para a próxima segunda-feira, 26 de março, às 13h30, o julgamento do
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Este é o último recurso
em segunda instância do ex-presidente e a depender da decisão dos
desembargadores, Lula pode ser preso na própria segunda.
Os desembargadores decidirão neste
julgamento sobre os embargos de declaração (um instrumento jurídico em que se
pede esclarecimentos em relação a algum ponto da sentença) interpostos em 20 de
fevereiro pela defesa contra a decisão tomada no último dia 24 de janeiro.
Na ocasião, os desembargadores concordaram com a decisão do juiz Sérgio
Moro de condená-lo pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de
dinheiro. Segundo a decisão, Lula recebeu como propina da construtora OAS um
tríplex no Guarujá e reformas neste imóvel, num valor total de 2,4 milhões de
reais, vindos de uma conta corrente mantida pela construtora para o partido,
alimentada por dinheiro desviado de contratos da Petrobras. O colegiado de
segunda instância também aumentou a pena dele para 12 anos e um mês.
A defesa de Lula apontou nos
embargos 38 omissões na decisão dos desembargadores, 16 contradições e cinco
obscuridades. Caso os desembargadores rejeitem unanimemente os argumentos dos
defensores e mantenham integralmente a sentença, é possível que demore poucas
horas para que Lula seja preso. Quem expede o pedido de prisão provisória é
Moro, com base na decisão dos desembargadores. Segundo a assessoria de imprensa
do TRF4, Moro pode tomar a medida apenas com o extrato da ata de decisão dos
desembargadores. Este extrato sai no mesmo dia ou no dia seguinte, a depender
do horário do final do julgamento, que promete ser rápido.
O cenário muda caso houver
qualquer divergência na decisão desta segunda, em relação com a sentença dada
em janeiro. Ainda que os desembargadores mantenham a condenação, qualquer
modificação, no acolhimento de qualquer omissão, contradição ou obscuridade,
Moro dificilmente conseguirá expedir a ordem de prisão apenas com base no
extrato. Isso porque a ata da decisão dirá apenas “parcialmente provido",
sem especificar o que mudou. Quando isso acontece, o juiz geralmente espera a
publicação dos votos dos desembargadores e da decisão para saber exatamente o
que mudou. Uma recomendação do Conselho Nacional de Justiça afirma que eles
precisam ser publicado em até dez dias depois do julgamento. Mas, segundo a
assessoria, o TRF4 tem publicado antes disso.
Depois dos embargos de
declaração, a defesa do ex-presidente Lula ainda pode recorrer para os
tribunais superiores: Superior Tribunal de Justiça (STJ) e Supremo
Tribunal Federal (STF). Entretanto, a prisão do ex-presidente pode se dar logo
após a última decisão de segunda instância, de acordo com entendimentos
anteriores e uma decisão na sentença dele dada pelos desembargadores em
janeiro. Em março, os ministros da quinta turma do Superior Tribunal de
Justiça (STJ) negaram um habeas corpus preventivo ao petista em que a
defesa pedia que ele só fosse preso após a análise dos recursos das outras
instâncias.
Apesar dos prognósticos negativos,
Lula permanece como candidato do PT à Presidência, ainda que pela lei da Ficha
Limpa condenados em segunda instância sejam vetados de concorrer a cargos
eletivos. Ele está, inclusive, em uma nova caravana na região Sul do país, que
deveria terminar justamente em Curitiba, no próximo dia 28 (quarta-feira).
Informações El País