Ganhadora de R$ 1,8 bi em loteria não pode receber prêmio
Agora, ela contesta na Justiça as regras da Comissão de Loterias de New Hampshire e luta para se manter no anonimato
Agora, ela contesta na Justiça as regras da Comissão de Loterias de New
Hampshire e luta para se manter no anonimato
Uma mulher de New Hampshire, nos
Estados Unidos, ganhou US$ 560 milhões, o equivalente a R$ 1,8 bilhão, num
sorteio na loteria Powerball no início de janeiro, mas até agora não conseguiu
retirar o prêmio, por conta de um disputa legal.
Ela assinou o nome no verso do
bilhete sorteado, como indicava a regra do sorteio - mas agora afirma que o ato
foi "um grande erro", porque quer se manter o anonimato.
Usando o pseudônimo de "Jane
Doe", nome genérico normalmente usado no país para se referir a pessoas
desconhecidas ou indigentes, ela entrou com uma ação para recolher o prêmio sem
ter o próprio nome revelado.
Segundo a legislação vigente em
New Hampshire, o nome do ganhador, a cidade onde a aposta foi feita bem como a
quantia a ser recebida são informações públicas. E qualquer alteração na
assinatura do verso do bilhete pode impedir o recebimento do prêmio.
Seria possível driblar essa regra
por meio de um contrato de cessão fiduciária com um fundo ou por meio da
criação de uma administradora de bens, desde que a assinatura no verso do
bilhete seja do administrador do fundo ou do trust. Pelo menos foi isso que o
advogado da dona do bilhete premiado disse a ela.
Agora, ela contesta na Justiça as
regras da Comissão de Loterias de New Hampshire e luta para se manter no
anonimato. Ao entrar com a ação, ela apresentou não o original, mas uma cópia
do bilhete premiado. E, até o fim do processo, está impedida de recolher o
prêmio.
De acordo com os argumentos que
apresentou na ação, a americana alega que quer continuar contribuindo com a
comunidade e também manter a liberdade para entrar em uma mercearia ou assistir
a um evento público sem que a reconheçam como a vencedora de um prêmio
milionário.
No processo, ela sustenta que o
interesse à privacidade é maior que o insignificante interesse público em
revelar a identidade dela. Argumenta ainda que diferentes ganhadores de loteria
sofreram danos graves, inclusive alguns morreram, após terem o nome tornado
público.
A Comissão de Loteria disse à
vencedora que seriam obrigados a revelar o nome dela se alguém apresentar um
pedido de informação sobre o dono do bilhete premiado.
Charlie McIntyre,
diretor-executivo da Comissão, afirmou num comunicado que a entidade entende
que ganhar uma quantia tão grande é "um feito que muda a vida" das
pessoas. "Respeitamos o desejo da participante de permanecer sob
anonimato, mas os estatutos e as regras da loteria expressam claramente os
protocolos", assinalou.
McIntyre disse ainda que a
Promotoria do Estado foi consultada e a orientação foi processar o bilhete da
mulher que não quer ter a identidade revelada "como qualquer outro".
Fortuna sem fama
Apenas seis estados dos EUA
permitem que ganhadores de loteria tenham o nome preservado - Delaware, Kansas,
Maryland, Dakota do Norte, Ohio e Carolina do Sul. Mas New Hampshire é um dos
poucos que permitem aos apostadores usar um contrato de alienação fiduciária,
por meio de um fundo, para receber o dinheiro anonimamente. Para isso, contudo,
a assinatura no verso deve ser do administrador do fundo, e não do verdadeiro
vencedor.
Em 2016, um ganhador da loteria
de New Hampshire conseguiu preservar a identidade e recebeu US$ 487 milhões por
meio de um fundo gerido por advogados locais.
No processo, "Jane Doe"
pede para que o nome dela seja borrado diante da Comissão de Loteria e que os
dados de um fundo sejam inseridos no bilhete de US$ 559,7 milhões. Enquanto
isso, o prêmio está retido e a vencedora deixa de lucrar com eventuais investimentos
e juros bancários.
Na loteria Powerball, que começou
como Lotto America nos anos 1980 e depois mudou de nome, o apostador escolhe
cinco números, entre 1 e 69. Na hora do sorteio, eles aparecem em bolas
brancas. Depois, mais um número é sorteado. É a Powerball, ou a "bola do
poder". De cor vermelha, a numeração varia entre 1 e 26. Especialistas
dizem que as chances de acertar a combinação completa são mínimas. Já foram
estimadas como sendo de uma em 292 milhões.
Os bilhetes são vendidos em
diferentes estados americanos, além de Porto Rico, Ilhas Virgens e o Distrito
de Columbia. São dois sorteios por semana, um às quartas e outro aos sábados.
Informações BBC Brasil