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Doença ameaça dizimar bananas pelo mundo

Conter a doença e encontrar uma variedade resistente se tornaram prioridades urgentes

Bananas do tipo cavendish, como as nanicas, eram cultivadas em estufas no Reino Unido desde 1840/Foto: Reprodução BBC Brasil
Bananas do tipo cavendish, como as nanicas, eram cultivadas em estufas no Reino Unido desde 1840/Foto: Reprodução BBC Brasil -

Da Redação

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Conter a doença e encontrar uma variedade resistente se tornaram prioridades urgentes

A gigante plantação de banana no meio de uma planície seca já foi considerada um milagre. Hoje está devastada por uma doença chamada Mal do Panamá, causada por um fungo mortal, o TR4. Ele foi detectado na África pela primeira vez há cinco anos, depois de dizimar milhões de hectares de plantações de banana na Ásia a partir de 1980.

O fracasso nas tentativas de conter a doença – que é resistente a fungicidas e não pode ser controlada quimicamente – gera preocupações ao redor do mundo. Poderia a fruta mais exportada do mundo, fonte de nutrientes para milhões de pessoas, estar sob o risco de extinção?

A BBC foi o primeiro veículo de imprensa a ter acesso à fazenda desde que ela foi atingida pela doença. E descobriu que, mais além da devastação, a plantação é um caso emblemático sobre as consequências inesperadas e indesejadas da globalização – e sobre a forma como a solução para esses problemas pode vir de lugares improváveis.

Feita a higienização ao entrar na fazenda, visitantes avistam cachos e cachos de banana presos a armações de metal. De lá, centenas de bananas são carregadas para uma área de tratamento antes de serem enviadas para o Oriente Médio em containeres.

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"Vim para Matanuska pela primeira vez logo após identificarmos o patógeno. Nesse estágio a fazenda ainda era maravilhosa", diz Altus Viljoen, professor da Universidade de Stellenbosch, na África do Sul. Ele foi o primeiro cientista a confirmar que a doença havia de fato se espalhado para além da Ásia.

"Eu sabia que a paisagem (das plantações) iria mudar, mas não tinha ideia do tamanho do golpe, de quão severo ele seria."

Hoje, restam apenas 100 hectares das plantações de Matanuska. Cerca de dois terços dos 2,7 mil trabalhadores da fazenda foram demitidos, arruinando a economia local.

Conter a doença e encontrar uma variedade resistente se tornaram prioridades urgentes.

Cerca de 500 mil pessoas trabalham na indústria bananeira em Moçambique.

'Má sorte'

Países vizinhos como a Tanzânia, a 600 km de Matanuska, também têm a economia extremamente dependente do cultivo de banana. Na Uganda e no Congo, as bananas representam 35% da ingestão de nutrientes de boa parte da população.

E, embora acredite-se que o tipo da fruta cultivado nesses países seja resistente ao fungo, ninguém sabe com certeza.

No Brasil, onde a banana é a fruta mais consumida, a produção chega a 7 milhões de toneladas anuais, segundo medições oficiais, com papel importante no mercado exportador. E a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) diz, em boletim online, que diversas variedades da fruta são suscetíveis ao Mal do Panamá. A recomendação principal, segundo o órgão, é investir em variedades resistentes ao fungo.

De volta a Moçambique, a chefe da área de doenças botânicas do Ministério da Agricultura local, Antonia Vaz, afirma que "todos os países africanos estão preocupados com o que está acontecendo aqui".

Ela diz que o governo moçambicano implementou medidas para controlar a doença e garantir que ela não se espalhe para o norte. Ela também faz questão de dizer que a doença não é endêmica no país. O governo acredita que ela tenha vindo das botas de trabalhadores rurais das Filipinas.

Informações BBC Brasil

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