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Humanidade deixou a África muito antes do que se pensava

A descoberta representou um marco nas pesquisas sobre as rotas migratórias dos humanos

Fóssil de mandíbula traz nova luz sobre migração humana/Foto: Divulgação Israel Hershkovitz/Tel Aviv University
Fóssil de mandíbula traz nova luz sobre migração humana/Foto: Divulgação Israel Hershkovitz/Tel Aviv University -

Da Redação

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A descoberta representou um marco nas pesquisas sobre as rotas migratórias dos humanos

Um fóssil encontrado numa caverna de Israel indica que os Homo sapiens deixaram a África cerca de 50 mil anos antes do que se pensava, revelou um estudo publicado nesta quinta-feira (25/01) pela revista especializada Science.

Fragmentos faciais, incluindo a parte mandíbula e vários dentes, foram encontrados no sítio arqueológico Caverna Misliya, localizada no Monte Carmel. Os ossos têm entre 177 mil e 194 mil anos.

Até agora, os fósseis mais antigos de Homo sapiens encontrados fora da África tinham entre 90 mil e 120 mil anos e também foram descobertos em Israel.

"Misliya é uma descoberta emocionante. Ela fornece a clara evidência que nossos ancestrais migraram da África muito tempo antes do que acreditávamos", afirmou o coautor do estudo Rolf Quam, paleoantropologista da Universidade de Binghamton.

Segundo o estudo, o fóssil chamado de Misliya-1 possui dentes semelhantes aos dos humanos modernos, além de mostrar padrões e características da espécie humana. Outras evidências encontradas na caverna revelaram que seus habitantes caçavam animais grandes e usavam o fogo. Ferramentas de pedra e lâminas sofisticadas para a época também foram descobertas no local.

Após a localização de fósseis no Marrocos recentemente, pesquisadores anunciaram que os Homo sapiens apareceram na África há cerca de 300 mil anos. A descoberta representou um marco nas pesquisas sobre as rotas migratórias dos humanos. Com o achado em Israel, uma nova luz é lançada nesta área de pesquisa e em estudos sobre a evolução da espécie humana.

A descoberta em Israel reforça a ideia de que os humanos migraram da África por uma rota ao norte, ao longo do vale do Nilo e da costa leste do Mar Mediterrâneo, e não por uma rota ao sul através do estreito Bab al-Mandeb, costa da Árabia Saudita, subcontinente indiano e leste da Ásia, argumentou o paleoantropologista autor do estudo, Israel Hershkovitz, da Universidade de Tel Aviv.

Hershkovitz disse ainda que acredita que o Homo sapiens pode ter surgido há 500 mil anos.

Os humanos de Misliya eram provavelmente nômades e migravam pela região no decorrer das estações do ano ou em busca de alimentos, acrescentou Quam.

Informações dw.com

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