Exército coloca 1.500 homens de prontidão em Porto Alegre
A atenção do Exército não se restringe a Porto Alegre, mas a outras cidades também, por conta da possibilidade de tumulto
A atenção do Exército não se
restringe a Porto Alegre, mas a outras cidades também, por conta da
possibilidade de tumulto
Cerca de 1.500 homens do Exército
se encontram desde a noite de terça-feira, 23, de prontidão nos quartéis de
Porto Alegre, para serem acionados, se houve algum tipo de descontrole na
segurança pública e o governador do estado, Ivo Sartori, assim entender
necessário e fizer solicitação de emprego de tropas ao presidente Michel Temer.
Esta hipótese, no entanto, é
considerada remota pela cúpula das Forças Armadas, que tem reiterado que a
Brigada Militar de Porto Alegre está plenamente capacitada e tem todas as
condições de controlar qualquer tipo de evento na capital do estado, onde
diversas manifestações serão realizadas ao longo do dia por conta do julgamento
do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Trata-se, portanto, de uma
medida preventiva e os soldados não irão para as ruas de Porto Alegre.
Os dois batalhões do Exército se
aquartelaram ontem à noite e permanecerão dentro das unidades militares, além
de trabalharem na proteção das instalações militares. Mesmo com cerca de 1.500
homens de prontidão, caso haja necessidade, esse número pode ser facilmente
ampliado com emprego de outros batalhões que ficam em Porto Alegre, inclusive
da Polícia do Exército. No entanto, o Exército reforça que se trata apenas de
medida preventiva, para evitar surpresas, e avisa que qualquer ação das Forças
Armadas só pode acontece se o governo local entender que suas forças não são
capazes de manter a segurança pública, o que não acreditam que aconteça, pela
preparação da tropa gaúcha e dispositivo em funcionamento, e se o governador
encaminhar pedido ao presidente da República solicitando ajuda federal.
A atenção do Exército não se
restringe a Porto Alegre, mas a outras cidades também, por conta da
possibilidade de tumulto, embora as informações, até agora, sejam de que as
manifestações serão pacíficas, com aglomerações, mas sem violência. Entre as
cidades no radar de atenção estão São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e
Salvador, onde são esperadas manifestações de apoio e contrárias a Lula,
consideradas normais. Mas, mesmo que ocorram confrontos, as polícias militares
dos estados estão capacitadas a resolver o problema, de acordo com a avaliação
de oficiais-generais das Forças Armadas.
No caso do Rio Grande do Sul, a
PM, para reforçar o policialmente, levou soldados do interior para a capital,
até superdimensionado a possibilidade de combate à violência, o que é
considerado planejamento correto pelos militares, pelo potencial de enfrentamento
e acirramento dos ânimos, sempre possível nestas ocasiões. A expectativa da
área federal permanece de que, com as informações disponíveis até então, a
exemplo do julgamento ocorrido em Curitiba, quando houve primeiro julgamento do
Lula, tudo transcorra dentro da normalidade. Se houver algum problema, será
pontual e facilmente controlado. O perímetro de segurança feito pela Polícia
Militar, em Porto Alegre, ajuda proteger a área, embora toda a cidade esteja
sob atenção.
Além das tropas para pronto-emprego
que já estão no quartel, há também militares em condições de serem convocados
de forma imediata, para reforçar a segurança, caso haja necessidade. Todo o
planejamento, que foi acompanhado de forma conjunta no Gabinete de Gestão
Integrada formada por todos os órgãos de segurança estaduais, municipais e
federais, em Porto Alegre. No caso do Exército, apenas o contingente local foi
acionado. Não houve convocação de tropas de outros estados. Como todo o
trabalho está sendo feito de forma integrada pelas forças de segurança, a
convocação de pessoal das Brigadas Militares de outras cidades para Porto
Alegre e a formatação do trabalho foi elogiado pelas forças federais, que
insistem que a Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul tem
controle da situação no estado.
Informações Estadão