Educadores refletem sobre a profissão
Mesmo em meio às dificuldades, profissão ainda desperta bons sentimentos nos profissionais

Ser professor não é uma tarefa fácil nos dias atuais. As dificuldades que os professores encontram no cotidiano da sala de aula são inúmeras: o grande número de alunos por turma, a falta de apoio das famílias dos estudantes e a desvalorização salarial, são exemplos disso. Porém, mesmo com tantas dificuldades, muitos ainda optam por lecionar e encontram motivos para continuar na profissão.
Quem está chegando
Patrícia Prado é acadêmica do curso de Pedagogia e ressalta porque escolheu pela carreira. “Na minha visão considero como uma ótima profissão pelo fato de ser a minha vocação, mesmo que haja certa desvalorização e condições de trabalho desanimadoras que muitas vezes desestruturam o educador. Porém, foram relevantes as mudanças aconteceram no processo educacional e em relação à profissão que veio melhorar a vida do professor e do aluno, tornando assim o ensino e a aprendizagem algo prazeroso e significativo a ambos”, explica.
Quem já trabalha
Quem já trabalha na área tem suas queixas. A falta de motivação dos alunos é uma delas, como afirma Idione Aparecida D’Alves, que atua na profissão há 23 anos. Segundo ela é preciso “saber lidar com eles [os alunos], tratar eles sempre com carinho, ter paciência”. “Porque tem a questão que eles vem com problema de casa, então você precisa saber entender, conseguir atingir os objetivos, fazer com que eles aprendam, mesmo estando desmotivados, [...] buscar o jeitinho de cada um de aprender”, explica.
A experiente professora também afirma que outro desafio é a falta de incentivo financeiro. “O salário é o que não motiva, né? Porque você sempre tem que estar buscando coisas diferentes, tem que buscar se aperfeiçoar, mas você não tem incentivo”.
Já a professora Vanessa Sabrina de Souza, que está há 13 anos na área, aponta a falta de apoio por parte das famílias dos alunos como outro fator ruim. “Um dos maiores desafios que eu encontro é com relação às famílias, pois hoje em dia, elas estão deixando de assumir responsabilidades que são deles e estão passando pra escola”, comenta.
Vanessa ainda explica que a falta de apoio das famílias também sobrecarrega as atividades em sala de aula, sobrando para o professor suprir essa falta que eles fazem. “Assim como isso te desanima, isso te faz pensar: não posso me desanimar por causa disso, porque se por um lado esses alunos não tem um apoio em casa, é preciso que nós professores nos motivemos para conseguir suprir essa necessidade, essa ‘falta’ de casa. Então você acaba cumprindo um papel que não é seu, para que o aluno não fique nessa ‘falta’”.
Realização
Em contrapartida a essas dificuldades, também existem os fatores que servem como incentivo para a profissão, como afirma Gilmara Baldykowski, professora há 23 anos: “É uma delícia você trabalhar com eles e ver que aquele aluno que vem para você ‘cru’, que não está lendo e de repente ele vem e começa a ler. Aí, eu me desmonto, eu choro!”. Para a professora, o apoio pedagógico também é um diferencial positivo. “Quando as coordenadoras falam: ‘olha, tua turma melhorou! ’. Isso é um incentivo grande para gente, é o maior incentivo!”, explica.
Carla Patrícia Marcondes de Albuquerque, Secretária de Educação do Município de Palmeira, também enxerga a profissão de maneira positiva. “As práticas pedagógicas adotadas têm possibilitado a interdisciplinaridade e a transversalidade de temas urgentes para a sociedade contemporânea, fato que enriquece a aprendizagem dos alunos, desenvolvendo neles também o protagonismo e a autonomia. Não resta dúvida de que é uma profissão honrosa”, comenta.
Carla é bem otimista e lembra que todo professor marca a vida de seus alunos. “A possibilidade de transformar a vida dos alunos, proporcionando-lhes acesso às descobertas e conhecimentos, motiva o profissional. Quantos de nós lembramos com sorriso, nossos primeiros professores? Quantos professores despertaram em seus alunos o desejo e hoje estes se tornaram educadores?”, salienta.
Uma visão sindical poética
Outra pessoa que ressaltou a importância da profissão, até com certo romantismo, foi o Presidente do Sindicato dos Professores e demais Empregados dos Estabelecimentos de Ensino-Faculdades de Ponta Grossa (SINPUPP), José Luiz Teixeira. “Ser professor, não é só pelo intelecto. É ter o dom de ensinar pela alma a grandeza de um espírito. É ser capaz de ver na escuridão e poder dar a luz para o amanhecer, de dar educação mesmo nos dias de hoje, onde o Estado falido de todos os princípios, interfere tanto no dia a dia da sala de aula”, refletiu o presidente.
José Teixeira também salienta a importância da profissão, mesmo com a desvalorização. “O ensino no Brasil, por mais desvalorizado que possa ser, é ainda, o mesmo que forma o médico, que ganha salários 10 vezes superior que seu mestre. É o mesmo que forma o arquiteto para se escrever o mais ambicioso projeto arquitetônico. É o mesmo para se formar um juiz de destaque, todos estes ganhando salários absurdamente superiores a quem lhes formou”, diz José.
O presidente vai mais longe. “Ser professor é ver que seu aluno de favela que ainda não teve sua primeira refeição e tirar do seu parco salário para doar seu pão. Ser professor é incluir o negro no banco escolar. Ser professor é chegar em silêncio e ver sua sala em burburinhos e todos silenciarem somente pela sua entrada, em sinal de respeito. Ser professor é ensinar os rumos dos rumos, formando cidadãos de bem. É saber que o homem e a mulher nunca mais serão os mesmos.”, acrescentou.
Produção de Laísa Morais, Élder Scolimoski e Hurlan Jesus





















