Deputados debaterão a reforma política, Refis e meta fiscal
Nesta semana, a Câmara pode apreciar ainda a PEC 77/03, que institui um fundo público para custear campanhas eleitorais e altera as regras para eleição de deputados e vereadores
Nesta
semana, a Câmara pode apreciar ainda a PEC 77/03, que institui um fundo público
para custear campanhas eleitorais e altera as regras para eleição de
deputados e vereadores
A reforma política volta para o centro dos debates da Câmara
dos Deputados a partir desta segunda-feira (4). O tema tem se arrastado sem
consenso entre os parlamentares e será pauta única do plenário hoje, a partir
das 16h, com a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC 282) que,
entre outros pontos, proíbe as coligações para as eleições proporcionais
(deputados e vereadores) já a partir das eleições de 2018 e cria uma cláusula
de desempenho para as legendas.
De acordo com a relatora da proposta, deputada Shéridan
(PSDB-RR), a votação será possível após acordo com a presidência da Câmara. A
matéria saiu do Senado, mas como foi alterada pelos deputados e precisará
passar novamente pelo Senado.
Segundo a deputada tucana, mesmo com as modificações feitas
no texto, não haverá dificuldades para que o Senado aprove as mudanças no
sistema eleitoral, uma vez que as negociações em torno da proposta têm sido feitas
também com os senadores.
A PEC também prevê uma cláusula de desempenho para o acesso
a recursos do Fundo Partidário e ao tempo de rádio e TV na propaganda eleitoral
e partidária, a chamada cláusula de barreira. Além disso, cria a federação
partidária para unir partidos pequenos e, com a perda do mandato para políticos
que migrarem de legendas, fortalece a fidelidade partidária.
Fundo eleitoral
Nesta semana, a Câmara pode apreciar ainda a PEC 77/03, que
institui um fundo público para custear campanhas eleitorais e altera as
regras para eleição de deputados e vereadores. Com muitas dificuldades de consenso,
porém, o projeto vem apresentando resistências quanto à ordem em que os temas
serão apreciados, já que o fundo, cujo valor cogitado chegou a R$ 3,6 bilhões,
causou polêmica na sociedade (LINK).
A votação já foi iniciada no fim de agosto, quando os
deputados decidiram analisar o texto por tópicos, e deve ser retomada na
quarta-feira (6). Essa proposta prevê a adoção do sistema majoritário para as
eleições proporcionais e o financiamento de campanha a partir de um fundo
público.
Na discussão anterior, os deputados já aprovaram a retirada do percentual de
0,5% da receita líquida da União para compor o fundo partidário para custear as
campanhas, o que correspondia a R$ 3,6 bilhões em 2018. Ainda não há acordo
sobre o tipo de sistema de voto para as próximas eleições
Refis
Tendo uma semana mais curta devido ao feriado de 7 de setembro (quinta-feira),
os deputados iniciam a sessão de terça-feira (5) logo pela manhã, com uma pauta
que inclui mais de 30 itens. Entre eles, está a análise da Medida Provisória
783/17, que permite o parcelamento de dívidas com a União, tanto de pessoas
físicas quanto pessoas jurídicas. A matéria concede descontos e possibilita o
uso de prejuízo fiscal e de base negativa da Contribuição Social sobre o Lucro
Líquido (CSLL) para pagar os débitos.
Por meio de uma nova medida provisória, o governo estendeu o
prazo original da MP para adesão ao programa de 31 de agosto para 29 de
setembro. O Palácio do Planalto tem negociado um texto alternativo com menos
benefícios aos devedores.
Segundo o projeto de lei de conversão do deputado Newton Cardoso Jr (PMDB-MG),
os descontos, que no texto original giravam em torno de 25% a 90%, passam a ser
de 85% a 99% quanto a multas, juros de mora, encargos legais e honorários
advocatícios.
O relatório de Newton Cardoso já foi aprovado na comissão
especial mista que analisou o texto enviado pelo governo. No entanto, ainda
precisa ser votado pelo plenário da Câmara e também pelo Senado. Para
Rodrigo Maia, o objetivo é buscar um “ponto de equilíbrio” entre os
diferentes interesses.
Denúncia
A agenda de votações desta semana pode ser comprometida caso
se concretize a previsão de uma nova denúncia da Procuradoria-Geral da
República contra o presidente Michel Temer. Apresentada em junho pelo
procurador-geral da República Rodrigo Janot, a primeira denúncia contra Temer,
pelo crime de corrupção passiva, paralisou quase todos os trabalhos da Casa por
dois meses.
No entanto, o presidente interino da Câmara, André Fufuca
(PP-MA), disse não acreditar que isso atrapalhe as atividades. “Se a denúncia
for feita enquanto eu estiver na interinidade, nós daremos prosseguimento ao
que diz o Regimento Interno”, afirmou.
Ocupando a Presidência da República interinamente durante a viagem de Temer à
China, Rodrigo Maia também disse que a tramitação da denúncia não deve
prejudicar o andamento das votações em plenário.
Meta fiscal
A pauta da semana inclui ainda uma nova sessão do Congresso
Nacional, na próxima terça-feira (5), às 19h, para concluir a votação do
projeto que revisa as metas fiscais de 2017 e de 2018 para um déficit de R$ 159
bilhões.
O texto principal que previa alteração nos déficits fiscais dos dois anos
chegou a ser aprovado, mas como a sessão se prolongou pela madrugada, o quórum
mínimo necessário não foi alcançado e a votação foi encerrada pelo presidente
do Congresso, senador Eunício Oliveira (PMDB-CE).
A sessão foi convocada para que os parlamentares terminem de
apreciar os últimos dois dos cinco destaques feitos ao texto, que são sugestões
de alterações à proposta.
Com a derrota, o governo foi obrigado a enviar o projeto de lei do Orçamento de
2018 com um déficit desatualizado para as contas públicas, de R$ 129
bilhões, R$ 30 bilhões a menos do que o previsto recentemente pela
equipe econômica.
Caso o projeto tivesse sido aprovado por completo, o
Executivo estaria autorizado a enviar a nova meta fiscal de acordo com o ajuste
na Lei de Diretrizes Orçamentárias.
Informações Agência Brasil