Governo deve anunciar hoje mudança da meta fiscal
O resultado negativo nas contas do governo será debatido entre Temer e ministros da Fazenda
O resultado negativo nas contas do governo será debatido entre Temer e
ministros da Fazenda
O presidente Michel Temer e os ministros da Fazenda,
Henrique Meirelles, e do Planejamento, Dyogo Oliveira, terão hoje (14) a
reunião final para definir em quanto vai aumentar a meta de déficit primário
para este ano e para 2018. Em nota conjunta enviada na última quinta-feira
(10), as duas pastas informaram que qualquer decisão será anunciada
imediatamente depois de tomada.
O déficit primário é o resultado negativo nas contas do
governo, desconsiderando os juros da dívida pública. Originalmente, a meta de déficit
estava fixada em R$ 139 bilhões para este ano e em R$ 129 bilhões para o
próximo. No entanto, a arrecadação ainda em queda e uma série de frustrações de
receitas dificultaram o cumprimento da meta original.
Primeiramente, o Tribunal de Contas da União (TCU) mandou a
Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) refazer o edital do leilão de
renovação de concessão de usinas hidrelétricas da Companhia Energética de Minas
Gerais (Cemig), que renderia R$ 11 bilhões aos cofres federais este ano.
A segunda versão do programa de regularização de ativos no
exterior, conhecida como repatriação, arrecadou apenas R$ 1,61 bilhão,
contra R$ 13 bilhões inicialmente previstos. As alterações na medida provisória
que criou a renegociação especial de dívidas com a União também podem diminuir
a previsão de arrecadação, caso o governo não consiga reverter essas mudanças.
Por fim, o governo teve de recuar de duas medidas que
elevariam as receitas. O aumento do Programa de Integração Social e da
Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (PIS/Cofins) sobre
o etanol foi parcialmente revertido, reduzindo a previsão de arrecadação em R$
501 milhões.
Na semana passada, o governo revogou a medida provisória
(MP) que acabaria com a desoneração da folha de pagamento para 46 dos 52
setores beneficiados pela política. A MP, que trancava a pauta da Câmara dos
Deputados, perdeu a validade na última quinta-feira (10) e foi revogada sem
passar por votação. O governo enviará um projeto de lei sobre o assunto. A
revogação resultará em perda de R$ 4,8 bilhões.
Incertezas
O governo enfrenta ainda incertezas com receitas
extraordinárias. Em julho, o TCU emitiu um alerta de que a União terá
dificuldades em arrecadar R$ 19,3 bilhões por causa de receitas de concessões
que podem não entrar no caixa do governo em 2017. Além dos R$ 11 bilhões dos
leilões de hidrelétricas, que não vão mais entrar nos cofres federais este ano,
o governo fará um leilão de R$ 8 bilhões de concessões de petróleo e gás no
próximo mês.
A equipe econômica também pretende concluir a venda de ações
do Tesouro no IRB-Brasil, empresa que detém o monopólio do mercado de
resseguros no país, e privatizar a Caixa Seguridade e a Lotex, empresa de
loterias. As vendas, no entanto, precisam ser concluídas até outubro para que
os recursos ingressem no caixa do governo ainda este ano.
Informações Agência Brasil