Palocci entrega alegações finais a Sérgio Moro e pede absolvição
O Ministério Público denunciou Palocci por recebimento de propina junto ao grupo Odebrecht para obtenção de contratos de afretamento de sondas com a Petrobrás.
O Ministério Público denunciou Palocci por recebimento de propina junto
ao grupo Odebrecht para obtenção de contratos de afretamento de sondas com a
Petrobrás.
O ex-ministro Antonio Palocci pediu na quarta-feira (14) à
noite a absolvição das acusações de corrupção passiva e lavagem de dinheiro na
Operação Lava Jato. De acordo com a defesa de Palocci, ficou demonstrado no
decorrer da instrução processual a ausência do cometimento do delito por parte
do ex-ministro. Preso desde o dia 26 de setembro de 2016, ele está detido na
carceragem da Polícia Federal (PF), em Curitiba.
O pedido da defesa do ex-ministro foi encaminhado ao juiz
federal Sergio Moro e consta das alegações finais, parte derradeira do processo
antes da decisão judicial. A Procuradoria da República no Paraná entregou suas
argumentações em maio.
O Ministério Público denunciou Palocci por recebimento de
propina junto ao grupo Odebrecht para obtenção de contratos de afretamento de
sondas com a Petrobrás. Ainda de acordo com a denúncia, parte dos recursos
foram destinados para pagamento dos marqueteiros João Santana e Mônica Moura
pelo trabalho na eleição presidencial de 2010.
De acordo com a força-tarefa do MP, Palocci atuou de maneira
decisiva para que os pagamentos fossem efetivados. Por isso, os procuradores
cobram do ex-ministro o pagamento de R$ 32.110.269,37, valor correspondente à
suposta propina paga pela empreiteira Odebrecht.
“A integralidade da prova produzida nos autos demonstra que
o acusado não se envolvia ou decidia a forma como que seriam feitos os
pagamentos à Monica Moura e João Santana por seus serviços de marketing eleitoral”,
diz a peça da defesa.
Os advogados pediram ainda que seja decretada incompetência
da Justiça Federal para processar e julgar Palocci, uma vez que os crimes que
ele teria cometido deveriam ficar a cargo da Justiça Estadual, uma vez que a
Petrobras é uma empresa de economia mista.
A legislação determina, no entanto, que os crimes praticados
em prejuízo da União serão julgados pela Justiça Federal. Fora dessas hipóteses
a competência é, em regra, da Justiça dos estados.
A defesa citou como argumentos decisões de ministros do
Supremo Tribunal Federal, entre eles Luís Roberto Barroso e a ministra
aposentada Ellen Gracie, nas quais os magistrados afirmam que “a presença de
sociedade de economia mista em procedimento investigatório não acarreta, por si
só, na presunção de violação de interesse econômico ou jurídico da União.”
A defesa também pede que o processo seja transferido para
Brasília, porque as “pretensas irregularidades atribuídas à pessoa do acusado,
reitere-se, teriam ocorrido fora da jurisdição paranaense (supostos pagamentos
indevidos, solicitados em decorrência da influência do cargo que ocupara
Antonio Palocci Filho).”
Informações da Agência Brasil