Janot quer impedimento de Gilmar Mendes e volta de Eike à prisão
Procurador-geral da República ressalta que esposa de Gilmar Mendes trabalha com advogado ligado a Eike Batista
Procurador-geral da
República ressalta que esposa de Gilmar Mendes trabalha com advogado ligado a
Eike Batista
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, quer que o
ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), seja declarado
impedido de relatar o habeas corpus (pedido de liberdade) do empresário Eike
Batista, solto há duas semanas por força de uma decisão liminar (provisória)
expedida pelo ministro.
O pedido de Janot baseia-se no fato de que a mulher do
ministro Gilmar Mendes, Guiomar Mendes, é sócia do escritório do advogado
Sérgio Bermudes, que atua em diversos processos ligados a Eike Batista. O
procurador-geral da República quer também que seja anulada a liminar que
libertou o empresário.
“Ela é responsável pela filial de Brasília, figurando
inclusive como sócia do escritório, tendo participação nos lucros obtidos
mediante o recebimento de honorários dos respectivos clientes, um dos quais é
exatamente Eike Furhken Batista”, escreveu Janot.
A arguição de impedimento foi encaminhada nesta
segunda-feira (8) à ministra Cármen Lúcia, presidente do STF, para que ela leve
a questão ao plenário. Janot pede ainda que o próprio Gilmar Mendes seja
interrogado pelos pares. Segundo assessores do Supremo, trata-se da primeira
vez que um pedido do tipo é encaminhado ao tribunal.
Além do impedimento, o procurador-geral da República quer
que seja declarada também a suspeição de Mendes para atuar como relator do
pedido de liberdade de Eike. Tanto o impedimento como a suspeição são situações
que põem em dúvida a imparcialidade do ministro e estão previstas no Código de
Processo Civil (CPC) e no Código de Processo Penal (CPP).
Janot pediu que sejam ouvidos ainda Guiomar Mendes, Sérgio
Bermudes e o próprio Eike Batista. Caso seja aceita, a oitiva de Gilmar Mendes
se daria de maneira secreta, de acordo com o regimento interno do STF.
Prisão
Eike Batista foi preso no final de janeiro na Operação
Eficiência, um desdobramento da Lava Jato. O empresário é réu na Justiça
Federal do Rio por corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização
criminosa. Ele é acusado de pagar propinas e receber vantagens indevidas
durante a gestão do ex-governador do Rio de Janeiro Sergio Cabral.
Após a liminar de Mendes, o juiz Marcelo Bretas, da 3ª Vara Federal do Rio de Janeiro, impôs como condição para a prisão domiciliar de Eike o pagamento de uma fiança de R$ 52 milhões.
Informações Agência Brasil.