STF suspende busca e apreensão na Câmara
Alexandre Morais decidiu pela suspensão do processo de busca e apreensão no gabinete de uma deputado federal
Alexandre Morais decidiu pela suspensão do processo de busca e apreensão
no gabinete de uma deputado federal
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de
Moraes decidiu suspender a busca e apreensão feita no mês passado pela Polícia
Federal no gabinete da deputada Simone Morgado (PMDB-PA). Os policiais
cumpriram mandado expedido pela Justiça Federal do Pará contra Soane Castro de
Moura, assessora da deputada e ex-superintendente federal de Pesca e
Aquicultura do estado. A decisão foi assinada na sexta-feira (31).
Moraes atendeu a um pedido liminar feito pela Câmara dos
Deputados, que contestou a busca, por entender que não cabe a um juiz de
primeira instância determinar o cumprimento de diligências nas dependências do
Congresso, tarefa que caberia somente ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Na decisão, o ministro concordou com os argumentos e
entendeu que um parlamentar não pode se “submeter à persecução penal e às
medidas acautelatórias” de um juiz.
“Não seria razoável ao juiz de 1º grau, que determinou a
colheita de provas na residência oficial e no próprio local de trabalho de uma
parlamentar federal, ainda que sob a justificativa de investigar terceira
pessoa, excluir a possibilidade de violação à intimidade e vida privada da
congressista no curso de investigação criminal conduzida por autoridade a qual
falece tal competência”, decidiu o ministro.
De acordo com a decisão, a Justiça Federal do Pará deverá
enviar imediatamente ao Supremo todo o processo e o material apreendido. A
Polícia Federal também deverá remeter ao ministro o relatório das investigações
e as cópias das decisões que justificaram a busca.
As investigações que embasaram as buscas começaram em 2016.
De acordo com a PF, auxiliadas por agentes públicos, pessoas sem vínculo com
Superintendência Federal da Pesca e Aquicultura no Pará acessavam sistemas
internos para alterar dados do cadastro de pescadores no seguro-defeso, que é
concedido a pescadores em épocas nas quais a pesca é proibida para a manutenção
da fauna. A PF investiga um possível prejuízo de R$ 185 milhões no cadastro de
pescadores no órgão, que na época era vinculada ao extinto Ministério da Pesca.
As informações
são da Agência Brasil.