Formação tecnológica de profissionais da saúde contribui para salvar vidas, avalia conselheiro | aRede
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Formação tecnológica de profissionais da saúde contribui para salvar vidas, avalia conselheiro

Médico e conselheiro de Saúde, Mário Montemór Netto defende a integração da saúde e da inovação para garantir que a população tenha acesso à serviços modernos, mas com a sabedoria e cuidado humanistas

Mário Rodrigues Montemor Netto é conselheiro na área da Saúde
Mário Rodrigues Montemor Netto é conselheiro na área da Saúde -

Lilian Magalhães

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O conselheiro da área da Saúde do Grupo aRede, Mário Rodrigues Montemór Netto, destaca que a inteligência artificial está inaugurando uma nova era da medicina, marcada pela chamada Superinteligência Biomédica, capaz de compreender a linguagem profunda da vida, prever a evolução de doenças, e acelerar a descoberta de tratamentos.

Em seu artigo, ele defende que essa revolução tecnológica precisa caminhar ao lado de rigorosos critérios éticos e científicos e aponta a Lei nº 14.874, sancionada em 28 de maio de 2024, como um marco para a pesquisa clínica com seres humanos no Brasil, ao estabelecer regras para softwares como dispositivos médicos, biobancos, Comitês de Ética em Pesquisa e Boas Práticas Clínicas.

O artigo escrito pelo conselheiro vem ao encontro com a recente reportagem especial do Grupo aRede, "PG aposta em projetos integrados para consolidar a inclusão digital"referente à promoção da política municipal que tem como objetivo promover o acesso às tecnologias digitais em toda a cidade.

Confira abaixo a opinião na íntegra de Mário, que é médico, Diretor de Saúde da ACIPG, presidente da AMPG, professor do curso de Medicina da UEPG e conselheiro de Saúde do Portal aRede:

"A Cura como Engenharia: A Superinteligência Biomédica e o Novo Marco da Pesquisa Clínica no Brasil

Vivemos um momento singular e, de certa forma, paradoxal na história da ciência. Há uma distorção na forma como a sociedade tem enxergado a Inteligência Artificial (IA) no dia a dia. Encantados por algoritmos que redigem e-mails ou resumem textos, corremos o risco de ignorar a colossal revolução que está sendo gestada nos maiores laboratórios de pesquisa do planeta. O impacto real e definitivo da IA não será na forma como escrevemos, mas na forma como sobrevivemos.

Estamos cruzando o limiar do que a vanguarda científica chama de Superinteligência Biomédica. As mentes mais brilhantes do mundo estão convertendo a biologia humana no maior projeto de engenharia e modelagem matemática da história. A cura de doenças devastadoras e complexas, como o câncer, deixará de ser um jogo exaustivo de tentativa e erro laboratorial.

"A biologia humana e a precisão tecnológica estão se fundindo", avalia Mário Rodrigues Montemór Netto, conselheiro de Saúde do Grupo aRede.
"A biologia humana e a precisão tecnológica estão se fundindo", avalia Mário Rodrigues Montemór Netto, conselheiro de Saúde do Grupo aRede. |  Foto: Colaboração/aRede.

Como médico, professor e representante institucional, acompanho de perto a estruturação dessa nova era, que se ergue sobre quatro pilares fundamentais e que, muito em breve, reescreverá a nossa prática.

O primeiro pilar é a compreensão da linguagem da vida. A nova IA não lerá palavras, mas sim a biologia profunda. Ela conectará o nível molecular ao macroscópico, entendendo como uma minúscula mutação no DNA afeta o corpo inteiro. O segundo pilar decreta o fim da "fragilidade temporal". Historicamente, a medicina atua por meio de "fotografias" — um exame nos dá o diagnóstico do agora. Mas doenças como tumores são "filmes" em alta velocidade, que evoluem e criam resistência. A IA preditiva calculará matematicamente a rota de fuga evolutiva da doença meses no futuro, permitindo que a intervenção médica ocorra de forma antecipada.

O terceiro pilar introduz os laboratórios autônomos. Projetamos a era em que a máquina não apenas sugere a hipótese de uma cura, mas comanda braços robóticos para testar a molécula em células reais, aprende com a falha e tenta novamente em ciclos ininterruptos. Por fim, o quarto pilar é a necessidade vital de testes e métricas implacáveis. Se um robô de texto da internet comete um erro, o resultado é uma desinformação. Se uma máquina médica errar, o custo é a vida humana.

É justamente neste ponto de inflexão — entre a genialidade do algoritmo e a fragilidade da vida humana — que a regulação se faz urgente. A inovação tecnológica sem freios éticos é um risco incalculável. E a resposta do nosso país a esse desafio de fronteira chegou no momento exato.

Com a sanção da Lei nº 14.874, em 28 de maio de 2024, que instituiu o novo Marco da Pesquisa Clínica com Seres Humanos, o Brasil construiu a "pista de pouso" segura para a medicina do futuro.

Mário Rodrigues Montemór Netto reflete sobre a "Superinteligência Biomédica" promovida pela IA.
Mário Rodrigues Montemór Netto reflete sobre a "Superinteligência Biomédica" promovida pela IA. |  Foto: Colaboração/aRede.

Essa legislação é o "sistema operacional" que nos faltava. Ao categorizar expressamente softwares como dispositivos médicos (Art. 2º, XVII), a lei tira os algoritmos do limbo jurídico e permite que sejam avaliados em ensaios clínicos rigorosos. Ela traz segurança robusta para os "Biobancos", os cofres onde armazenamos o material biológico essencial para "treinar" a IA, garantindo o sigilo inegociável do paciente. Mas o seu maior trunfo é elevar o Sistema Nacional de Ética: consagra os Comitês de Ética em Pesquisa (CEPs) e as Boas Práticas Clínicas (BPCs) como nossa barreira definitiva. Por mais autônoma que a inteligência artificial se torne, o rigor da aprovação e o julgamento moral continuarão estritamente humanos.

Para nós, em Ponta Grossa e na região dos Campos Gerais, esse cenário não é apenas um debate teórico, é um chamado à ação. Na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), temos a missão de formar as novas gerações de médicos: profissionais habilitados pelas novas tecnologias (tech-enabled), mas inegociavelmente humanistas. Pela Associação Médica (AMPG) e pela Associação Comercial, Industrial e Empresarial (ACIPG), enxergamos a urgência de integrar nosso ecossistema de saúde e inovação, atraindo pesquisas clínicas e garantindo que nossa comunidade tenha acesso ao que há de mais moderno.

A biologia humana e a precisão tecnológica estão se fundindo. O futuro não reserva uma batalha do homem contra a máquina, mas a união da sabedoria humana aliada à tecnologia para proteger a vida. Com a genialidade da ciência e a segurança da nossa nova lei, estamos prontos para ser os arquitetos dessa evolução".

Conselho da Comunidade

Composto por lideranças representativas da sociedade, não ocupantes de cargo eletivo, totalizando 14 membros, a iniciativa tem o objetivo de debater, discutir e opinar sobre pautas e temas de relevância local e regional, que impactam na vida dos cidadãos, levantados semanalmente pelo Portal aRede e pelo Jornal da Manhã, com a divulgação em formato de vídeo e/ou artigo.

Conheça mais detalhes dos membros do 'Conselho da Comunidade' acessando outras notícias sobre o projeto.

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