PG aposta em projetos integrados para consolidar a inclusão digital
Política municipal voltada à inclusão digital está estruturada em três eixos: infraestrutura, educação e inovação, que integram políticas públicas para ampliar o acesso às tecnologias digitais e promover cidadania da infância à terceira idade

Universalizar o acesso às tecnologias digitais tornou-se um dos principais desafios das políticas públicas em sociedades cada vez mais conectadas virtualmente. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2025, cerca de 95% dos domicílios brasileiros possuem acesso à internet.
Apesar do avanço da conectividade, ainda persistem barreiras relacionadas ao uso das ferramentas digitais, principalmente entre idosos, moradores de localidades rurais e pessoas em situação de vulnerabilidade social. Em Ponta Grossa, a estratégia para enfrentar esse desafio reúne investimentos em infraestrutura, educação e inovação. A política municipal de inclusão digital está estruturada em três eixos: conectividade, formação da população e digitalização dos serviços públicos.
PG amplia acesso à internet e aos serviços digitais
Na infraestrutura, a prefeitura investe na modernização da Infovia Digital, rede que conecta órgãos municipais e oferece internet em equipamentos públicos. O PG Conectada disponibiliza Wi-Fi gratuito em 110 pontos distribuídos entre Unidades Básicas de Saúde (UBSs), praças, ginásios, terminais de ônibus e localidades do interior do município, somando mais de 100 mil usuários cadastrados desde a implantação em 2018.

O município também desenvolve iniciativas voltadas à transformação digital da administração pública, como o Governo Sem Papel, o Descomplica PG, o Sandbox Regulatório e o Endereço Digital por Plus Code, que buscam facilitar o acesso da população aos serviços municipais.
Inclusão digital acompanha todas as fases da vida
Em Ponta Grossa, a política de inclusão digital foi estruturada para atender diferentes públicos ao longo da vida. A Estação Hub promove cursos e oficinas de letramento digital, como a Semana da Transformação Digital, voltada principalmente à população com mais de 50 anos. Desde a criação, as atividades desenvolvidas no espaço já reuniram mais de 3,4 mil participantes. Já a Fundação de Assistência Social (FASPG) oferece aulas de inclusão digital no Centro de Convivência da Pessoa Idosa (Cecon).

Segundo a presidente da Agência de Inovação e Desenvolvimento de Ponta Grossa, Tônia Mansani, a transformação digital depende da atuação conjunta da gestão pública. "A transformação digital é resultado de um trabalho integrado entre diferentes áreas da Prefeitura. Investimos em conectividade, inclusão digital, inovação e modernização dos serviços públicos para ampliar o acesso da população à tecnologia e tornar a administração mais eficiente, transparente e preparada para atender às demandas da cidade", afirma.
Esse modelo de atuação levou Ponta Grossa a integrar, pelo quarto ano consecutivo, a lista das 21 cidades mais inteligentes do mundo, elaborada pelo Intelligent Community Forum (ICF), que avalia critérios como conectividade, inovação, capital humano e inclusão digital.
LACs aproximam estudantes da tecnologia
Escolas da rede municipal possuem Laboratórios de Aprendizagem Criativa (LAC) que utilizam recursos como programação, robótica, computação e atividades práticas para integrar a tecnologia ao currículo escolar. Segundo a coordenadora dos LACs, Danielle Scariott, mais de 50 escolas contam com laboratórios fixos, mas todas as unidades da rede participam das atividades do programa, que já alcançou mais de 40 mil estudantes. “Utilizamos a computação como ferramenta de aprendizagem, investigação e criação”, destaca.

De acordo com a secretária municipal de Educação, Joana D'Arc Panzarini Egg, o objetivo vai além do contato com equipamentos tecnológicos. “Mais do que utilizar essas ferramentas para otimizar o trabalho realizado por nossos professores e servidores, nosso papel é trabalhar o uso destas tecnologias com os alunos da melhor forma possível. Com os Laboratórios de Aprendizagem Criativa, levamos o ensino da robótica para as escolas municipais e, ao mesmo tempo, ensinamos desde cedo o uso consciente da internet e os perigos do ambiente virtual”, esclarece.
Tecnologia estimula criatividade, autonomia e pensamento crítico
Para educadores da rede municipal, a inclusão digital representa uma mudança na forma como os estudantes aprendem e se relacionam com o conhecimento. A tecnologia deixa de ser apenas um recurso de entretenimento para tornar-se instrumento de pesquisa, criação e resolução de problemas.
A professora Fernanda Felex Carneiro do Carmo, da Escola Municipal Vereador Adelino Machado de Oliveira, afirma que a educação digital contribui para formar cidadãos mais críticos e conscientes. "Os alunos aprendem a pesquisar informações de forma segura, identificar notícias falsas, distinguir o que é fato e o que é fake e utilizar a tecnologia de maneira ética e produtiva", ressalta. Segundo ela, as atividades desenvolvidas nos LACs articulam programação, robótica, pesquisas e produção de conteúdos com os temas trabalhados em sala de aula, favorecendo o desenvolvimento do pensamento crítico, da criatividade, da colaboração e da autonomia.

A professora Ana Camila de Andrade, da Escola Municipal Professora Alda dos Santos Rebonato, também observa mudanças no comportamento dos estudantes após o contato com as ferramentas digitais. "Os estudantes deixam de ser apenas consumidores de tecnologia para se tornarem criadores. Eles testam ideias, erram, fazem ajustes e descobrem novas possibilidades. Essa vivência torna a tecnologia algo próximo da realidade deles e mostra que ela pode ser utilizada para criar, investigar e inovar", evidencia.
Um dos exemplos citados pela professora é o projeto Vamos Ler - Geração Digital, iniciativa voltada à educação para as mídias digitais. Desenvolvido pelo Grupo aRede, o projeto coloca os estudantes como produtores de conteúdo, com atividades de pesquisa, produção de textos, fotos e vídeos.
Segundo a professora, a experiência amplia o protagonismo dos alunos. “Depois de mais de dez anos como professora da rede pública, tenho a convicção de que a tecnologia, quando utilizada com intencionalidade pedagógica, é uma poderosa aliada da educação. Quando os estudantes encontram um espaço para produzir, criar e ter sua voz valorizada, a aprendizagem ultrapassa os limites da sala de aula”, afirma.

UTFPR fortalece inclusão digital por meio da extensão universitária
A Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) também contém ações de inclusão digital, através do Programa de Inclusão Digital, vinculado ao Departamento de Informática. O Programa reúne projetos de extensão que têm como objetivo ampliar o acesso às tecnologias digitais para crianças, adolescentes e pessoas em situação de vulnerabilidade social em Ponta Grossa. Ao mesmo tempo, proporciona aos estudantes de graduação e pós-graduação a oportunidade de aplicar, na prática, os conhecimentos adquiridos durante a formação acadêmica.
O Projeto de Letramento Digital, coordenado pela professora Simone Nasser, é um das ações extensionistas que compõem o Programa de Inclusão Digital. O projeto promove atividades voltadas ao desenvolvimento de competências digitais de crianças de cinco a 11 anos e de adultos com deficiência intelectual. Cerca de 250 pessoas, entre alunos da Associação de Promoção à Menina (APAM) e da Associação Artesanal do Excepcional (Assarte), acadêmicos e professores voluntários estão envolvidos no projeto.

Projeto debate Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
De acordo com a professora Simone Nasser, as atividades utilizam a computação como ferramenta para abordar temas do cotidiano. A cada ano é definido um eixo temático que orienta o planejamento das aulas, a produção de videoaulas, jogos educativos e atividades práticas. "Nosso foco é trabalhar os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. Enquanto aprendem sobre esses temas, os participantes também desenvolvem habilidades digitais por meio da computação”.
Na avaliação da coordenadora, o principal resultado do projeto é promover o sentimento de pertencimento dos alunos ao ambiente digital. "Eles se sentem incluídos no mundo digital e valorizam muito quando percebem que conseguem utilizar a tecnologia e participar desse universo".
O projeto depende de bolsas de extensão da UTFPR, editais e parcerias pontuais para manter as atividades. De acordo com Simone, a principal dificuldade é garantir recursos para transporte e ações externas. "Manter um projeto de inclusão sem recursos é bastante difícil. Muitas vezes precisamos buscar apoio para transporte ou para garantir que os alunos consigam participar das atividades. Quanto mais parceiros tivermos, maior será nossa capacidade de ampliar esse trabalho", afirma.
Além das atividades realizadas em sala, o projeto organiza visitas técnicas e ações de campo. Neste ano, os participantes visitarão a UTFPR durante a Semana da Pessoa com Deficiência, quando conhecerão laboratórios, estruturas de energia solar e iniciativas relacionadas às cidades inteligentes.
UATI leva tecnologia aos idosos
A inclusão digital também é uma das frentes de atuação da Universidade Aberta para a Terceira Idade (UATI), da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). As ações buscam acompanhar as transformações tecnológicas da sociedade e oferecer aos idosos autonomia para utilizar ferramentas digitais.
A UATI possui, atualmente, dois cursos voltados à inclusão digital: informática e fotografia. As aulas de informática são ofertadas em três turmas de 12 alunos. Já a disciplina de fotografia reúne uma turma com cerca de 20 participantes, que aprende as técnicas da fotografia no celular.
Os conteúdos das disciplinas acompanham as necessidades do dia a dia. Os participantes aprendem a utilizar aplicativos bancários, realizar transferências por pix, enviar documentos, baixar aplicativos, acessar plataformas de streaming, fazer compras pela internet e utilizar outros serviços digitais. Além disso, a UATI promove palestras periódicas com profissionais da área de segurança pública para orientar os idosos sobre golpes virtuais, fraudes bancárias e outras situações de risco que se tornaram frequentes.
De acordo com a coordenadora da UATI, professora Rita de Cássia, a tecnologia deixou de ser um diferencial e passou a ser uma necessidade para a participação social da pessoa idosa. "Nosso papel é mostrar que o idoso tem competência para aprender novas tecnologias. A idade não impede a aprendizagem. O que eles precisam é de oportunidade, orientação e um espaço preparado para esse aprendizado”.
Isabel Cristina Foggiatto, de 61 anos, é uma das alunas da UATI que participam do curso de fotografia. Segundo ela, a disciplina surgiu como uma oportunidade para aprimorar os conhecimentos e aprender a registrar imagens com mais qualidade. "Sempre gostei de fotografar a natureza, lugares e os momentos vividos. O curso tem me ensinado sobre foco, iluminação, perspectiva e enquadramento. As aulas são dinâmicas: aprendemos a teoria e também vamos a campo para colocar o conhecimento em prática. Tem sido uma experiência muito gratificante e proveitosa”.

Matrículas
As matrículas para a UATI são realizadas no início do ano letivo da UEPG, em fevereiro. O ingresso é destinado, prioritariamente, a pessoas com 60 anos ou mais alfabetizadas, embora 10% das vagas sejam reservadas para participantes entre 50 e 59 anos. A UATI oferece cerca de 25 disciplinas e os alunos podem escolher duas para realizar a inscrição. Para mais informações, ligue para o número (42) 3220-3377 ou envie um e-mail para uati@uepg.br. O atendimento presencial ocorre no Campus Central (Bloco B), situado na Praça Santos Andrade, 1, Centro, Ponta Grossa - PR.





















