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Médico de Castro recebe homenagem

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Afonso Verner

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A Secretaria Estadual da Saúde comemorou o Dia Estadual de Conscientização sobre a Hanseníase na terça-feira (26), com um evento que destacou os bons índices do Estado no controle da doença. Na ocasião, também foram homenageadas 12 pessoas de todo o Estado que de alguma forma tiveram envolvimento com a causa. E, entre os homenageados esteve Denílson Elias Calixto, médico referência no tratamento à hanseníase em Castro, que há 12 anos trabalha no atendimento a pacientes e na prevenção da doença.

“Como secretária e profissional de saúde, fico muito satisfeita com reconhecimento do serviço realizado em Castro em âmbito estadual, especialmente em relação ao trabalho que o Denílson e a equipe de profissionais vêm desenvolvendo ao longo dos anos, com muito comprometimento e dedicação”, destaca a secretária municipal de Saúde, Karin Moroz.
ATENDIMENTO 
Em Castro, o Serviço de Atendimento Especializado / Centro de Testagem e Aconselhamento (SAE-CTA) é o serviço de referência no atendimento e tratamento de pacientes com hanseníase. Os atendimentos são realizados através de encaminhamentos realizados pelos profissionais das unidades de saúde, em casos de suspeita da doença. Atualmente, 12 pacientes castrenses realizam tratamento contra a doença.
O maior problema, conforme Calixto, é a demora no diagnóstico. “Por isso, a orientação é para que as pessoas que tenham uma mancha dormente na pele procurem um posto de saúde o quanto antes”, destaca. A boa notícia, aponta o médico, é que nos últimos dez anos não houve caso de abandono de tratamento.
No SAE, além do tratamento, os pacientes também têm atendimento com equipe multidisciplinar – composta com enfermeiro, fisioterapeuta e médico -, com foco na prevenção de incapacidades. “Além disso, o SAE também atua na busca de novos casos, na capacitação de profissionais de saúde e em ações de prevenção”, explica a coordenadora da Estratégia Saúde da Família, Márcia Cristine e Silva Prestes.
A hanseníase tem cura. O tratamento é oferecido gratuitamente pelo SUS. Qualquer tipo de mancha dormente deve ser suspeita de hanseníase. Nesse caso, é importante que a pessoa vá a uma unidade de saúde para uma consulta. A hanseníase é uma doença infecciosa causada por uma bactéria chamada Mycobacterium leprae. Não é hereditária e sua evolução depende de características do sistema imunológico da pessoa que foi infectada.
A transmissão se dá pela convivência por um longo período com pessoas que são portadoras das formas contagiosas e não estão em tratamento. Nesses casos, a hanseníase pode demorar em média cinco anos para se manifestar. Por defesas naturais, mais de 90% da população não terá a doença, por mais que conviva com pessoas infectadas. Mesmo assim todos que tiverem contato com quem tem hanseníase devem ser examinados na Unidade de Saúde mais próxima.
A hanseníase afeta primordialmente a pele, mas pode afetar também os olhos, os nervos periféricos e, eventualmente, outros órgãos. O período de incubação é prolongado, e pode variar de dois a cinco anos para apresentar os primeiros sintomas da doença.
É uma doença curável, mas se não tratada pode agravar o quadro, inclusive podem ocorrer deformações de membros. O primeiro e principal sintoma é o aparecimento de manchas de cor parda, pouco visíveis e com limites imprecisos. Nas áreas afetadas, o paciente apresenta perda de sensibilidade térmica, perda de pelos e ausência de transpiração. Quando o nervo da região em que se manifestou a doença é lesionado, causa dormência e perda de tônus muscular na área.
O diagnóstico da hanseníase envolve a avaliação clínica do paciente, com aplicação de testes de sensibilidade, palpação de nervos, teste de força motora, entre outros. Se o profissional desconfiar de alguma mancha ou ferida no corpo do paciente, deve proceder exame clínico.
ÍNDICES 
Nos últimos quatro anos, o Paraná tem registrado em média 1.200 casos novos por ano, o que demonstra que a doença está sob controle. Em 2009, foram confirmados 1.202 casos novos de hanseníase no Estado e em 2010, 1061. Os dados de 2013 mostram que a prevalência de casos foi de 0,9/10 mil habitantes. O que para os parâmetros da OMS é considerado como meta operacional de eliminação da hanseníase enquanto problema de saúde pública.
“O alcance desse avanço só foi possível graças ao comprometimento e trabalho conjunto de gestores, profissionais da saúde, controle social e parcerias governamentais e não governamentais”, comentou o secretário estadual da Saúde, Michele Caputo Neto.
A meta do Ministério da Saúde em relação à cura de novos casos de hanseníase é de 90%. O Paraná vem superando esses índices com uma média de 93% de cura. O Estado ocupa o primeiro lugar no Brasil em relação ao exame dos comunicantes, examinando 92% dos casos novos.
Apesar da queda no número de casos, a chefe da Divisão de Vigilância das Doenças Transmissíveis, Julia Cordelini, lembra que não é momento para baixar a guarda contra a doença. “As ações, como as capacitações de profissionais da saúde, devem continuar, para que assim consigamos manter a baixa endemicidade em todo o Estado”, comenta.
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