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Deral projeta safra recorde de soja na região

Com o rendimento médio de 3,85 mil quilos por hectare em mais de 50% da área colhida, produção deverá atingir 2,24 milhões de toneladas

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Fernando Rogala

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Depois do recorde de produção de grãos no ano passado, alcançado na ‘supersafra’, a região voltará a bater um recorde na safra atual (2017/2018): da produção de soja. Embora a média de produtividade por hectare para este grão esteja menor relação ao registrado no ano anterior, o aumento da área plantada irá propiciar a maior colheita da soja da história nos Campos Gerais, rendendo mais de 2,2 milhões de toneladas. Cerca de 50% dos 583,8 mil hectares do grão plantados na região já foram retirados do campo. O panorama foi revelado nesta segunda-feira (26) pelo núcleo regional do Departamento de Economia Rural, vinculado à Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento.

Com base na média de produtividade das áreas que já foram colhidas, o rendimento por hectare, segundo o economista do Departamento de Economia Rural (Deral), Luiz Alberto Vantroba, está estimado em 3.850 quilos por hectare, segundo relatório fechado nesta segunda-feira. Mesmo sendo um valor 2,88% menor do que o registrado na safra passada (3.964), é a segunda maior média para esse grão na região. “Saímos com uma média entre 3,5 mil quilos por hectare e 3,9 mil hectare, e estamos encostando nessa margem superior. A qualidade também está boa, só uma ou outra área com alguma impureza, mas nada significativo”, acrescenta. Segundo Vantroba, só haverá alguma alteração se o clima for muito desfavorável nas próximas três semanas. “Se chover muito a qualidade cai e começa a aparecer grão ardido ou ‘inchado’”, completa. 

Com essa média de rendimento, a região caminha para atingir uma produção total de 2,24 milhões de toneladas de soja, valor que é 5,3% superior aos 2,13 milhões de toneladas retirados do campo no ano anterior. De acordo com Vantroba, há uma combinação da tecnologia nas máquinas e nas sementes, assim como o clima, que embora não apresentou as condições praticamente perfeitas como em 2017, contribuiu para que não houvessem perdas significativas. “Em janeiro e fevereiro tivemos 45 dias nublados e isso afetou a produtividade, senão provavelmente iria atingir os mesmos níveis do ano passado”, informa Vantroba, destacando que esse recorde de produção de soja só será possível devido ao aumento de 8,4% na área plantada, de 538,4 mil hectares para 583,8 mil hectares. 

Neste momento ocorre a intensificação da colheita. A previsão é de que tudo seja retirado do campo até o dia 15 de abril. “Todas as áreas estão amarelas, quase prontas ou prontas para colheita. É feito o escalonamento de plantio para não coincidir tudo ao mesmo tempo. É uma pratica recomendada pela assistência técnica, para que não haja concentração do plantio, e controle sanitário, colheita e comercialização”, conclui o economista do Deral.

Preços sobem e trazem maior renda para os produtores

Nesta segunda-feira, em Ponta Grossa, o preço médio da comercialização da soja era de R$ 70, chegando a R$ 72. Na primeira quinzena de janeiro, esse valor girava na casa dos R$ 63. No ano passado, esse valor era ainda mais baixo em março, na casa dos R$ 60. Já quando o assunto é mercado futuro, a comercialização para pagamento em maio já está girando entre R$ 75 e R$ 80. Isso animou os produtores e fez com que as vendas aumentassem. Foi um problema com a safra da Argentina que trouxe uma valorização. 

Para Vantroba, essa valorização deu um novo alento aos produtores agrícolas, aumentando a rentabilidade. “Essa reação é o que os produtores estavam querendo, veio em boa hora. Diferente ano passado, que, no início da safra, chegou a ser vendida a R$ 80 a saca e não quiseram vender, guardaram e os valores não reagiram, nesse ano os produtores aguardaram e deu certo. Para quem guardou, a hora é agora de fazer algumas vendas, escalonando a comercialização”, atesta.

Colheita de milho atinge 70%

A colheita do milho está mais avançada, na casa dos 70%. Porém, como foi mais impactada com as intempéries do clima no ano passado, o rendimento por hectare será cerca de 10% inferior ao inicialmente estimado pelo Deral. “Saímos de 10,2 mil quilos por hectare para 9 mil quilos. Foi uma surpresa desagradável, reflexo do clima, com excesso de chuvas, falta de sol, temperatura baixa”, completa. Já o feijão da segunda safra apresenta condições favoráveis. “A coloração está bonita, altura boa, robusta. Está prometendo e os produtores estão animados”, completa Vantroba, revelando uma perspectiva de rendimento entre 2 mil e 2,2 mil quilos por hectare.

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