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Paraná sobe para o 4º lugar nacional em Valor de Produção Agrícola

Estado alcançou R$ 87,7 bilhões em valor da produção, alta de 21,9% em um ano, e recuperou espaço entre os maiores produtores agrícolas do País

Paraná é o segundo estado que mais gerou valor no Brasil em 2025 no grupo de cereais, leguminosas e oleaginosas
Paraná é o segundo estado que mais gerou valor no Brasil em 2025 no grupo de cereais, leguminosas e oleaginosas -

Publicado por Eduarda Gomes

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O Paraná ocupou em 2025 a quarta posição entre as 27 unidades da federação em Valor da Produção Agrícola, com R$ 87,7 bilhões e participação de 9,5% do total nacional. Os dados são da Produção Agrícola Municipal (PAM) 2025, pesquisa divulgada nesta quinta-feira (17) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa um crescimento de 21,9% em relação a 2024 e devolve ao Estado uma posição entre os quatro maiores produtores do País.

A PAM é a única pesquisa agrícola do IBGE com abrangência municipal completa: ela mede área plantada, área colhida, quantidade produzida, rendimento médio e valor da produção de 70 produtos das lavouras temporárias e permanentes em cada um dos municípios brasileiros. O valor da produção é calculado a partir do preço médio pago ao produtor, ponderado pelas quantidades colhidas em cada município, ou seja, é uma medida da riqueza efetivamente gerada no campo.

RECUPERAÇÃO APÓS EL NIÑO

O avanço de 2025 ganha real dimensão quando comparado aos anos anteriores. Em 2023, o Paraná ocupava a terceira posição nacional em Valor da Produção Agrícola. Em 2024, o estado registrou retração de 20,3% no valor da produção e caiu para o quinto lugar, com R$ 71,9 bilhões, em consequência da estiagem provocada pelo El Niño na ocasião, que atingiu com força as lavouras de verão. A recomposição verificada agora, de R$ 16 bilhões em um único ano, recoloca a agricultura paranaense em patamar superior ao de qualquer ano da série anterior à quebra.

O bom desempenho de 2025 ocorreu em um cenário nacional favorável, marcado pelo aumento da produtividade das lavouras de verão e pela recuperação dos preços de commodities como soja e milho. Ainda assim, a irregularidade climática seguiu afetando a produtividade em partes do Estado, especialmente no Oeste e no Norte, regiões que concentram pouco mais de 43% da área plantada do Paraná. As demais regiões paranaenses surpreenderam positivamente, com ganhos de produtividade - o que explica boa parte do resultado consolidado.

COMPARATIVO COM DEMAIS ESTADOS

No ranking de 2025, o Paraná aparece atrás de Mato Grosso (R$ 165,6 bilhões, 17,9% de participação), São Paulo (R$ 124,0 bilhões, 13,4%) e Minas Gerais (R$ 109,4 bilhões, 11,8%). Logo abaixo vêm Goiás (R$ 72,7 bilhões) e Rio Grande do Sul (R$ 71,3 bilhões), estado que o Paraná superou neste levantamento. Em 2024, o estado gaúcho havia ficado à frente, com R$ 75,7 bilhões.

Os dez estados com maior valor da produção agrícola em 2025 foram Mato Grosso, com R$ 165,6 bilhões; São Paulo, com R$ 124,0 bilhões; Minas Gerais, com R$ 109,4 bilhões; Paraná, com R$ 87,7 bilhões; Goiás, com R$ 72,7 bilhões; Rio Grande do Sul, com R$ 71,3 bilhões; Bahia, com R$ 55,5 bilhões; Mato Grosso do Sul, com R$ 47,8 bilhões; Pará, com R$ 38,4 bilhões; e Espírito Santo, com R$ 33,7 bilhões. Juntos, esses dez estados respondem por cerca de 87% dos R$ 927,2 bilhões gerados pela agricultura brasileira no ano.

A comparação com os três primeiros colocados ajuda a dimensionar a posição paranaense. Mato Grosso e Goiás sustentam seus resultados em uma base fortemente concentrada em soja, milho e algodão, cultivados em grandes extensões contínuas. São Paulo e Minas Gerais apoiam-se em cana-de-açúcar, laranja e café. O Paraná chega ao quarto lugar por um caminho distinto: uma matriz diversificada, distribuída por centenas de municípios e por propriedades de porte médio e pequeno, que combinam grãos de verão e de inverno, raízes, hortaliças, fruticultura e culturas tradicionais como a erva-mate.

VALOR EM GRÃOS

A quarta posição geral é reflexo, principalmente, do desempenho do Estado no grupo de cereais, leguminosas e oleaginosas: nesse conjunto, o Paraná é o segundo que mais gerou valor no País em 2025, com 12,8% de participação nacional, atrás apenas de Mato Grosso (30,7%).

Em quantidade produzida, o Estado manteve a segunda colocação nacional em soja (21,3 milhões de toneladas) e milho (20,4 milhões de toneladas), atrás apenas de Mato Grosso nos dois produtos. O Paraná também é o segundo maior produtor de trigo (2,8 milhões de toneladas), mandioca (4,0 milhões de toneladas), batata-inglesa, cenoura, repolho, aveia e abóbora.

O desempenho paranaense em grãos foi determinante para o resultado nacional recorde: a safra brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas chegou a 345,4 milhões de toneladas em 2025, alta de 18,2%, e o Valor da Produção Agrícola do País somou R$ 927,2 bilhões, avanço de 18,4%.

OUTRAS CULTURAS

O Paraná também se destacou na produção de culturas que têm importância para diferentes segmentos da economia rural. De acordo com o IBGE, o Estado é o maior produtor nacional de feijão, com 865,7 mil toneladas colhidas em 2025, à frente de Minas Gerais e Goiás. Também lidera a produção brasileira de cevada, com 377,3 mil toneladas, de triticale, com 19,7 mil toneladas, e de erva-mate em folha verde, com 494,7 mil toneladas.

Essas culturas têm diferentes funções na economia paranaense. Feijão e mandioca têm forte relação com o abastecimento interno e a agricultura familiar, enquanto cevada e triticale integram cadeias industriais presentes no próprio Estado. Já a erva-mate tem papel importante na atividade econômica de municípios do Centro-Sul paranaense, onde representa uma alternativa relevante de produção agrícola.

O Paraná aparece ainda entre os principais produtores nacionais de diversas outras culturas. É o terceiro maior produtor de alface, fumo em folha, goiaba, laranja, maçã e pera, e ocupa a quarta posição em morango, tomate, abacate, figo, palmito e tangerina.

A inclusão do morango entre os produtos investigados pela PAM 2025 também trouxe maior visibilidade à participação da cultura na produção paranaense. O Estado é o quarto maior produtor nacional da fruta, atrás de Minas Gerais, Bahia e Rio Grande do Sul.

Considerando a inclusão do morango no levantamento, o valor da produção de frutas do Paraná cresceu 38,5% em relação a 2024. A cultura passou a representar a segunda maior parcela do valor gerado pela fruticultura estadual, atrás apenas da laranja e à frente de uva e banana.

MAPA DA PRODUÇÃO

O detalhamento municipal da PAM ajuda a mostrar como a produção agrícola se distribui pelo território paranaense. Cascavel e Toledo aparecem como os dois maiores produtores de milho, seguidos por Assis Chateaubriand, São Miguel do Iguaçu e Terra Roxa. Já Tibagi e Londrina, encabeçam a produção de soja, seguidos por Guarapuava, que também se destaca como o maior produtor estadual de cevada, triticale e batata-inglesa, enquanto Clevelândia, Rio Bonito do Iguaçu e Irati concentram os maiores volumes de produção de feijão.

No Noroeste, Umuarama, Querência do Norte e Alto Paraíso lideram a produção de mandioca, enquanto Paranavaí, Alto Paraná e Guairaçá concentram os maiores volumes de laranja. No Centro-Sul, Cruz Machado, Bituruna e São Mateus do Sul respondem pelas maiores produções de erva-mate. Já São José dos Pinhais e municípios da Região Metropolitana de Curitiba se destacam no cultivo de morango, repolho, cenoura e alface, em uma produção próxima ao principal mercado consumidor do Estado.

A distribuição da produção entre diferentes regiões e municípios também ajuda a explicar a composição da agricultura paranaense. Enquanto oito dos dez municípios brasileiros com maior valor de produção agrícola estão no Centro-Oeste, o Paraná alcançou a quarta posição nacional com uma produção distribuída por dezenas de municípios de diferentes regiões. Essa característica amplia a presença da atividade agrícola no interior e faz com que seus efeitos econômicos alcancem diferentes territórios do Estado.

Os R$ 87,7 bilhões registrados pela PAM representam o valor da produção agrícola no campo e não contemplam as etapas que vêm depois da colheita, como processamento, transporte, armazenagem, comércio e serviços. No Paraná, a produção agrícola está integrada a uma ampla estrutura agroindustrial, que inclui cadeias de proteína animal, moagem, esmagamento de grãos, bebidas, biocombustíveis e exportação. Assim, os resultados registrados nas lavouras se conectam a uma cadeia econômica mais ampla, presente em diferentes regiões do Estado.

SOBRE A PESQUISA

A Produção Agrícola Municipal investiga anualmente 70 produtos das lavouras temporárias e permanentes em todos os municípios brasileiros, com dados obtidos pela Rede de Coleta do IBGE junto a entidades públicas, iniciativa privada, produtores, técnicos e órgãos ligados à produção, comercialização, industrialização e fiscalização de produtos agrícolas. Em 2025, a pesquisa passou a investigar 11 novos produtos entre as lavouras temporárias - abóbora, pimentão, alface, milho verde, morango, chuchu, repolho, inhame, gergelim, canola e cenoura - e três entre as permanentes: acerola, cupuaçu e graviola.

As tabelas com os dados para Brasil, Grandes Regiões, Unidades da Federação, Mesorregiões, Microrregiões e Municípios podem ser consultadas no Sistema IBGE de Recuperação Automática (Sidra).

As informações são da Assessoria de Imprensa.

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