Fetaep repudia reajuste de 20,51% na energia do Paraná | aRede
PUBLICIDADE

Fetaep repudia reajuste de 20,51% na energia do Paraná

Entidade critica aumento autorizado pela Aneel, aponta prejuízos milionários no campo e cobra investimentos diante do lucro bilionário da Copel

Federação cobra melhorias na infraestrutura elétrica para conter prejuízos na agricultura familiar do Paraná
Federação cobra melhorias na infraestrutura elétrica para conter prejuízos na agricultura familiar do Paraná -

Publicado por Eduarda Gomes

@Siga-me
Google Notícias facebook twitter twitter telegram whatsapp email

A Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep) manifestou forte repúdio ao reajuste médio de 20,51% nas tarifas de energia elétrica, autorizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para os consumidores atendidos pela Copel. A federação argumenta que o aumento penaliza gravemente milhares de agricultores familiares em um período marcado por falhas crônicas e recorrentes no fornecimento e no atendimento no meio rural.

O reajuste, que passa a vigorar nesta semana, intensifica o peso no orçamento familiar e eleva os custos de produção no campo. A posição da Fetaep é respaldada por uma onda de reclamações enviadas por Sindicatos dos Trabalhadores e das Trabalhadoras Rurais de todas as regiões do Paraná. Nos últimos anos, os produtores vêm enfrentando quedas constantes de energia, oscilações na rede elétrica, demora severa no restabelecimento do serviço e barreiras para obter suporte da concessionária.

IMPACTOS E PREJUÍZOS NAS CADEIAS PRODUTIUVAS

As falhas no sistema elétrico afetam diretamente as atividades que dependem de energia contínua. Segundo a secretária de Meio Ambiente da Fetaep, Tainá Guanini de Oliveira, as cadeias produtivas do leite, das aves e da piscicultura são as mais castigadas. A falta de luz interrompe as ordenhas, compromete o resfriamento e o armazenamento dos produtos, além de causar a queima de equipamentos.

De acordo com a dirigente, as interrupções não se restringem a eventos climáticos extremos. Embora problemas costumem ser atribuídos a temporais ou vendavais, há registros frequentes de desabastecimento mesmo em períodos de chuva moderada. O histórico dos últimos dois anos no estado acumula perdas de milhares de litros de leite, mortalidade em massa de animais e propriedades que permaneceram dias sem luz, gerando prejuízos individuais de dezenas de milhares de reais e forçando produtores a investirem em geradores próprios.

A gravidade do cenário foi recentemente debatida em audiências públicas na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), promovidas pelos deputados estaduais Arilson Chiorato e Luciana Rafagnin. Os encontros evidenciaram casos drásticos de perdas no estado, tais como:

- A morte de 40 mil frangos em Santa Helena, ocorrida em dezembro de 2024;

- A perda de cerca de 60 toneladas de tilápia em Cascavel, registrada em março de 2025;

- O descarte de milhares de litros de leite em diversas regiões do Paraná.

LUCRO E INVESTIMENTOS

O descontentamento do setor produtivo ganhou força após a divulgação dos resultados financeiros da concessionária. Conforme reportagem publicada pelo jornal Valor Econômico, a Copel encerrou o ano de 2025 com um lucro líquido de R$ 2,66 bilhões, o que representa um crescimento de 15,7% em relação ao ano anterior, impulsionado por uma receita operacional líquida de R$ 26,11 bilhões.

Para a Fetaep, os números bilionários tornam o reajuste tarifário injustificável sem que haja uma contrapartida proporcional na qualidade dos serviços. A federação defende que a companhia tem a obrigação de reverter esses lucros em investimentos robustos na infraestrutura elétrica do meio rural.

O presidente da Fetaep, Alexandre Leal dos Santos, reiterou que a medida desconsidera completamente a realidade dos trabalhadores rurais. Ele pontuou que a entidade continuará acompanhando os impactos junto às bases sindicais e cobrando soluções que garantam segurança energética no campo. Paralelamente, o dirigente destacou que a federação seguirá trabalhando na construção de políticas públicas para ampliar incentivos à geração de energia renovável na agricultura familiar, permitindo que os produtores gerem a própria energia, embora ressalte que isso não exime a concessionária de suas responsabilidades de fornecimento.

LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA

- O Reajuste e o Repúdio: A Fetaep contesta firmemente o aumento médio de 20,51% na tarifa de energia da Copel, homologado pela Aneel, alegando que a medida sufoca financeiramente o produtor rural.

- Prejuízos no Campo: O meio rural paranaense sofre com quedas constantes e demora no restabelecimento da energia, acumulando perdas graves como a morte de 40 mil frangos em 2024, de 60 toneladas de peixes em 2025 e o descarte em massa de leite.

- Contraste Financeiro: A federação considera o aumento abusivo diante do balanço financeiro da Copel, que fechou 2025 com lucro líquido de R$ 2,66 bilhões (alta de 15,7%), e exige que os ganhos se convertam em investimentos na rede elétrica do campo.

PUBLICIDADE

Conteúdo de marca

Quero divulgar right