Fetaep repudia reajuste de 20,51% na energia do Paraná
Entidade critica aumento autorizado pela Aneel, aponta prejuízos milionários no campo e cobra investimentos diante do lucro bilionário da Copel

A Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep) manifestou forte repúdio ao reajuste médio de 20,51% nas tarifas de energia elétrica, autorizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para os consumidores atendidos pela Copel. A federação argumenta que o aumento penaliza gravemente milhares de agricultores familiares em um período marcado por falhas crônicas e recorrentes no fornecimento e no atendimento no meio rural.
O reajuste, que passa a vigorar nesta semana, intensifica o peso no orçamento familiar e eleva os custos de produção no campo. A posição da Fetaep é respaldada por uma onda de reclamações enviadas por Sindicatos dos Trabalhadores e das Trabalhadoras Rurais de todas as regiões do Paraná. Nos últimos anos, os produtores vêm enfrentando quedas constantes de energia, oscilações na rede elétrica, demora severa no restabelecimento do serviço e barreiras para obter suporte da concessionária.
IMPACTOS E PREJUÍZOS NAS CADEIAS PRODUTIUVAS
As falhas no sistema elétrico afetam diretamente as atividades que dependem de energia contínua. Segundo a secretária de Meio Ambiente da Fetaep, Tainá Guanini de Oliveira, as cadeias produtivas do leite, das aves e da piscicultura são as mais castigadas. A falta de luz interrompe as ordenhas, compromete o resfriamento e o armazenamento dos produtos, além de causar a queima de equipamentos.
De acordo com a dirigente, as interrupções não se restringem a eventos climáticos extremos. Embora problemas costumem ser atribuídos a temporais ou vendavais, há registros frequentes de desabastecimento mesmo em períodos de chuva moderada. O histórico dos últimos dois anos no estado acumula perdas de milhares de litros de leite, mortalidade em massa de animais e propriedades que permaneceram dias sem luz, gerando prejuízos individuais de dezenas de milhares de reais e forçando produtores a investirem em geradores próprios.
A gravidade do cenário foi recentemente debatida em audiências públicas na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), promovidas pelos deputados estaduais Arilson Chiorato e Luciana Rafagnin. Os encontros evidenciaram casos drásticos de perdas no estado, tais como:
- A morte de 40 mil frangos em Santa Helena, ocorrida em dezembro de 2024;
- A perda de cerca de 60 toneladas de tilápia em Cascavel, registrada em março de 2025;
- O descarte de milhares de litros de leite em diversas regiões do Paraná.
LUCRO E INVESTIMENTOS
O descontentamento do setor produtivo ganhou força após a divulgação dos resultados financeiros da concessionária. Conforme reportagem publicada pelo jornal Valor Econômico, a Copel encerrou o ano de 2025 com um lucro líquido de R$ 2,66 bilhões, o que representa um crescimento de 15,7% em relação ao ano anterior, impulsionado por uma receita operacional líquida de R$ 26,11 bilhões.
Para a Fetaep, os números bilionários tornam o reajuste tarifário injustificável sem que haja uma contrapartida proporcional na qualidade dos serviços. A federação defende que a companhia tem a obrigação de reverter esses lucros em investimentos robustos na infraestrutura elétrica do meio rural.
O presidente da Fetaep, Alexandre Leal dos Santos, reiterou que a medida desconsidera completamente a realidade dos trabalhadores rurais. Ele pontuou que a entidade continuará acompanhando os impactos junto às bases sindicais e cobrando soluções que garantam segurança energética no campo. Paralelamente, o dirigente destacou que a federação seguirá trabalhando na construção de políticas públicas para ampliar incentivos à geração de energia renovável na agricultura familiar, permitindo que os produtores gerem a própria energia, embora ressalte que isso não exime a concessionária de suas responsabilidades de fornecimento.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- O Reajuste e o Repúdio: A Fetaep contesta firmemente o aumento médio de 20,51% na tarifa de energia da Copel, homologado pela Aneel, alegando que a medida sufoca financeiramente o produtor rural.
- Prejuízos no Campo: O meio rural paranaense sofre com quedas constantes e demora no restabelecimento da energia, acumulando perdas graves como a morte de 40 mil frangos em 2024, de 60 toneladas de peixes em 2025 e o descarte em massa de leite.
- Contraste Financeiro: A federação considera o aumento abusivo diante do balanço financeiro da Copel, que fechou 2025 com lucro líquido de R$ 2,66 bilhões (alta de 15,7%), e exige que os ganhos se convertam em investimentos na rede elétrica do campo.





















