Alunos dos colégios agrícolas poderão operar tratores com supervisão a partir dos 16 anos
A iniciativa permitirá que estudantes a partir dos 16 anos tenham contato prático com os equipamentos agrícolas como parte da formação profissional

Cerca de 8 mil estudantes dos 31 colégios agrícolas da rede estadual do Paraná poderão realizar, ainda neste semestre letivo, atividades pedagógicas supervisionadas com máquinas, implementos, equipamentos e veículos automotores, como tratores, colheitadeiras e arados. A iniciativa permitirá que estudantes a partir dos 16 anos tenham contato prático com os equipamentos agrícolas como parte da formação profissional, dentro das unidades de ensino e sob acompanhamento de profissional habilitado.
A iniciativa foi sancionada nesta segunda-feira (17) pelo Governo do Paraná, após ser aprovada pela Assembleia Legislativa do Paraná. Conduzida pela Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR), a medida amplia as possibilidades de formação técnica e aproxima os conteúdos dos cursos técnicos das tecnologias utilizadas no setor agropecuário.
De acordo com o secretário de Estado da Educação, Roni Miranda, a novidade aproxima a escola das transformações que já estão acontecendo no campo. “Queremos que nossos alunos tenham acesso às tecnologias mais modernas do setor e desenvolvam, ainda durante a formação técnica, as competências práticas necessárias para o mercado de trabalho. Tudo isso com planejamento pedagógico, supervisão profissional e segurança”, afirma.
PIONEIRISMO NACIONAL
A medida é pioneira no país ao permitir que estudantes de 16 e 17 anos realizem atividades práticas e supervisionadas com máquinas, implementos, equipamentos e veículos automotores como parte da formação técnica. A autorização será restrita às atividades pedagógicas realizadas no ambiente escolar, com acompanhamento profissional.
Podem participar estudantes regularmente matriculados em cursos técnicos de nível médio da área de Recursos Naturais (Agroindústria, Agronegócio e Agropecuária). Entre as atividades previstas estão o reconhecimento e o manuseio dos comandos de colheitadeiras, tratores e arados; o engate e o desengate de implementos, tais como carretas e grades; o acionamento e a calibração de sistemas hidráulicos; simulações de partida, parada e deslocamento em baixa velocidade; além de verificações de segurança e manutenção preventiva básica.
Os estudantes também poderão ter contato com sistemas automatizados, navegação assistida, posicionamento automatizado e tecnologias de aplicação, aproximando a formação técnica das ferramentas utilizadas na agricultura de precisão.
Conforme o coordenador dos colégios agrícolas da Seed-PR, Renato Hey Gondin, a iniciativa permitirá transformar o conhecimento adquirido em sala de aula em experiência prática.
“É uma oportunidade para que o estudante desenvolva competências técnicas, aprenda a operar máquinas e implementos, interprete seus sistemas e aplique procedimentos de segurança. São conhecimentos que serão cada vez mais exigidos nas propriedades rurais, cooperativas e empresas do setor”, aponta.
Outro movimento importante ocorre no campo: a ampliação da oferta de Educação Profissional tem acompanhado a mudança no perfil dos estudantes. Entre 2023 e 2026, o Paraná passou de 636 para 822 escolas com a oferta da modalidade, de 5.275 para 6.074 turmas e de 91.242 para 124.335 alunos. O crescimento representa 33 mil estudantes a mais na Educação Profissional, mostrando que cada vez mais jovens paranaenses estão optando por uma formação que combina o ensino regular à preparação para o mundo do trabalho.
SEGURANÇA
As atividades pedagógicas com uso de máquinas agrícolas deverão ocorrer em áreas internas e controladas das unidades escolares, durante o período diurno e com equipamentos em condições adequadas de funcionamento. Será obrigatório o uso de equipamentos de proteção individual e o cumprimento das normas de segurança aplicáveis às atividades rurais.
A operação deverá ser acompanhada diretamente por professores integrantes da rede estadual de ensino, que passarão por capacitação técnica junto a empresa parceira. Além disso, as máquinas utilizadas nos colégios agrícolas deverão contar com cabine fechada e climatizada e banco auxiliar para o técnico responsável, que permanecerá embarcado junto ao estudante durante a atividade.
Cada instituição deverá elaborar um plano pedagógico específico com delimitação de objetivos de aprendizagem, conteúdos, carga horária, responsáveis técnicos, medidas de segurança e relação dos estudantes autorizados. O documento deverá ser aprovado pelo Núcleo Regional de Educação e validado pela Seed-PR.
Com informações da Assessoria.





















