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Preço do feijão carioca acumula alta de até 90% em 2026

Perdas de produtividade e redução de área elevam preços na origem; entrada da segunda safra em junho traz alívio pontual, mas feijão preto segue firme

Variação na qualidade dos grãos colhidos devido às condições climáticas regionais dita o ritmo dos preços e a volatilidade do mercado de feijão no primeiro semestre
Variação na qualidade dos grãos colhidos devido às condições climáticas regionais dita o ritmo dos preços e a volatilidade do mercado de feijão no primeiro semestre -

Publicado por Eduarda Gomes

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A combinação entre perdas de produtividade nas principais regiões produtoras e a redução da área cultivada sustentou a forte valorização do feijão no mercado brasileiro durante o primeiro semestre de 2026. As informações, divulgadas pelo portal Agrolink com base no índice do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), mostram que o movimento elevou significativamente os preços pagos aos produtores e acabou repassado de forma gradual ao consumidor final, forçando os compradores a adotarem uma postura mais cautelosa nas negociações.

Até o mês de maio, o feijão carioca acumulou uma valorização entre 85% e 90% nas cotações ao produtor, enquanto os preços no varejo registraram alta de 41,09%. No mesmo período, o feijão preto avançou 51,7% na origem e obteve um aumento de 13,69% para o consumidor.

Em junho, no entanto, o início da entrada da segunda safra contribuiu para dar um alívio temporário à pressão sobre os preços do feijão carioca. Os lotes de padrão superior registraram queda de 9,01%, enquanto os de padrão intermediário recuaram 11,24%.

O cenário foi diferente para o feijão preto. A oferta mais restrita após o encerramento da colheita no Paraná manteve as cotações firmes. O produto tipo 1 registrou valorização de 3,94% no mês de junho, acumulando uma alta de 57,6% ao longo de 2026.

DINÂMICA REGIONAL

No nicho do feijão carioca peneira 12 (nota 9,0 ou superior), o aumento da demanda em São Paulo e no Paraná impulsionou os preços locais. Em Itapeva (SP), as cotações avançaram 3,25% na semana, enquanto em Curitiba (PR) a alta foi de 3,35%.

Em contrapartida, a proximidade da nova safra em Minas Gerais pressionou os estoques remanescentes e provocou queda de 3,73% no estado. O setor agora acompanha com atenção as áreas irrigadas do Cerrado, que apresentam boas condições de lavoura e têm colheita prevista para o início de julho, gerando a expectativa de um aumento de oferta global nas próximas semanas.

Para os lotes de feijão carioca classificados com notas 8 e 8,5, o comportamento dos preços variou bastante entre as praças produtoras e consumidoras:

- Altas: Em Belo Horizonte (MG), as cotações subiram 5,93%, impulsionadas pela venda de grãos recém-colhidos. Na Metade Sul do Paraná, a valorização foi de 5,08%, favorecida pela atratividade dos lotes comerciais.

- Baixas: Houve retração de preços em Curitiba (PR), com queda de 2,63%, e em Sorriso (MT), de 0,86%. No Sul e Sudoeste de Minas Gerais, os valores recuaram 3,94% devido à liquidação de lotes que perderam qualidade por causa das chuvas. Já no Leste Goiano, a redução de 11,71% refletiu um ajuste para manter as cotações competitivas em relação a outras regiões.

No mercado de feijão preto tipo 1, as negociações permaneceram pontuais ao longo da semana. Em Itapeva (SP), o abastecimento mais confortável das indústrias resultou em queda de 2,92% nas cotações, enquanto em Curitiba (PR) a menor presença de compradores provocou um recuo de 6,49%.

Por outro lado, a demanda mais aquecida na Metade Sul do Paraná sustentou uma alta de 1,17% nos preços semanais. Conforme indica o levantamento Cepea/CNA, a oferta limitada de grãos de melhor qualidade continua sendo o principal fator de sustentação para os preços nas principais regiões produtoras do país.

LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA

- Altas expressivas na origem: Impulsionado pela quebra de safra e menor área plantada, o feijão carioca acumulou alta de até 90% nas cotações ao produtor até maio de 2026, provocando um repasse de 41,09% no varejo.

- Alívio em junho versus firmeza do feijão preto: A entrada da segunda safra reduziu os preços do feijão carioca em mais de 9% em junho, mas o feijão preto seguiu em alta devido ao fim da colheita paranaense, acumulando 57,6% de valorização no ano.

- Oscilações regionais por qualidade: O mercado opera de forma fragmentada, registrando valorizações onde há grãos novos de padrão superior e quedas acentuadas, como em Minas Gerais e Goiás, motivadas por liquidação de estoques antigos ou perdas de qualidade provocadas por chuvas.

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