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Capital Nacional do Leite por lei federal fica nos Campos Gerais

Município do Paraná une alta produtividade leiteira, forte herança da imigração holandesa e preservação da história dos tropeiros do século XVIII

Tradição da colônia holandesa e a criação de gado leiteiro dividem espaço com a preservação do patrimônio histórico nacional
Tradição da colônia holandesa e a criação de gado leiteiro dividem espaço com a preservação do patrimônio histórico nacional -

Publicado por Eduarda Gomes

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O leite que abastece boa parte do Brasil não vem de Minas Gerais, apesar de o estado liderar a produção estadual. O município campeão está localizado a mil metros de altitude no interior do Paraná, onde vacas holandesas pastam em campos abertos e salas de ordenha informatizadas funcionam como pequenas fábricas. Castro reúne uma histórica rota de tropeiros, uma tradicional colônia europeia e o título nacional confirmado por lei.

O reconhecimento como Capital Nacional do Leite é fundamentado pelos números da produção. Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Pesquisa da Pecuária Municipal de 2024 registrou 484,4 milhões de litros de leite produzidos no município. O volume coloca Castro à frente de Carambeí, sua vizinha a 23 km (que produziu 293,1 milhões de litros), e de Patos de Minas, em Minas Gerais (com 226,9 milhões de litros).

A liderança do município se repete há anos seguidos na pesquisa do IBGE, o que sustentou a proposta no Congresso Nacional. Segundo o Senado Federal, a Lei 13.584/2017 concedeu oficialmente à cidade o título de Capital Nacional do Leite, após tramitação originada por projeto do deputado Osmar Serraglio.

A introdução das vacas holandesas nos Campos Gerais ocorreu a partir de 1951, com a chegada de famílias vindas dos Países Baixos no período do pós-guerra, fundadoras da colônia de Castrolanda. Ao encontrarem pastagens naturais em um planalto de clima frio, condição semelhante à europeia, os imigrantes aplicaram técnicas de genética selecionada, controle sanitário e cooperativismo.

O avanço do setor no município decorre do salto de produtividade por animal, e não do tamanho do rebanho. De acordo com informações da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, Castro e Carambeí chegam a produzir cerca de quatro vezes a média nacional por vaca, alcançando um patamar comparável ao de fazendas europeias. Trata-se da mesma lógica observada em outras colônias do Sul que preservaram sua língua e ofício, a exemplo da cidade catarinense premiada pela ONU por manter um idioma quase extinto na Europa.

Além do destaque no agronegócio, a terceira cidade mais antiga do estado preserva um centro histórico inteiro com casarões de taipa, erguidos no período em que a região servia como parada obrigatória para quem transportava mulas do Sul do país até São Paulo. A Igreja Matriz Nossa Senhora de Sant’Ana, construída em 1774, ainda guarda lustres de cristal atribuídos a Dom Pedro II.

O passado tropeiro rendeu ao município oito imóveis tombados como patrimônio estadual, incluindo o Museu do Tropeiro, a Casa de Sinhara e a Fazenda Capão Alto. Conforme dados da Paraná Turismo, órgão oficial de turismo do estado, a herança cultural também está presente na culinária local: o castropeiro foi aprovado como o prato típico municipal no ano de 1992, em homenagem aos antigos viajantes.

ATRATIVOS TURÍSTICOS

Os pontos de visitação do município dividem-se entre o centro histórico, a colônia holandesa e a paisagem natural dos Campos Gerais:

- Moinho De Immigrant: Réplica funcional de um moinho holandês com 37 metros de altura, construída no Centro Cultural Castrolanda para celebrar os 50 anos da colônia.

- Museu do Tropeiro: Instalado no imóvel mais antigo da cidade, o espaço é dedicado exclusivamente ao tropeirismo e conta com um acervo de aproximadamente 400 peças ligadas à troparia.

- Parque Lacustre: Denominado oficialmente Parque Municipal Prefeito Dr. Ronie Cardoso, está localizado no centro da cidade e dispõe de lago, pistas de caminhada e ponto de apoio para viajantes em motorhome.

- Morro do Cristo: Mirante de fácil acesso de carro, oferecendo vista panorâmica da cidade e do Parque Lacustre.

- Prainha do Rio Iapó: Faixa de areia localizada às margens do rio que corta o município, muito procurada no fim de tarde.

- Cânion Guartelá: Situado na região, conta com trilhas e paredões de arenito, sendo reconhecido como um dos maiores cânions do mundo em extensão.

Para quem deseja conhecer a herança holandesa local, o canal Fomos Viajar disponibiliza um vídeo que explora a gastronomia, o turismo e os símbolos de Castrolanda.

CLIMA AO LONGO DO ANO

A localização a cerca de mil metros de altitude justifica as baixas temperaturas registradas na cidade. As chuvas distribuem-se durante todos os meses e o inverno apresenta mínimas de um dígito, acompanhadas de geadas frequentes sobre as pastagens. O panorama climático anual, com médias aproximadas baseadas no Climatempo, apresenta as seguintes características (lembrando que as condições podem variar de acordo com fenômenos como El Niño e La Niña):

- Verão (Dezembro a Fevereiro): Período mais chuvoso do ano, com pancadas fortes no fim da tarde e temperaturas mais altas, variando entre 17°C e 28°C.

- Outono (Março a Maio): Marca a transição para um clima mais ameno, com diminuição das chuvas, temperaturas entre 12°C e 25°C e presença frequente de neblina ao amanhecer nos campos.

- Inverno (Junho a Agosto): Estação mais seca e fria, com temperaturas variando de 8°C a 20°C, marcada por frio intenso e geadas frequentes nas pastagens.

- Primavera (Setembro a Novembro): Retorno da instabilidade do tempo, alternando dias quentes com a passagem de frentes frias e alta precipitação, com médias entre 13°C e 26°C.

ACESSO E LOCALIZAÇÃO

Castro está localizada a aproximadamente 150 km de Curitiba. O acesso a partir da capital é feito pela rodovia BR-376 até Ponta Grossa, seguido pelo trecho da malha estadual, em um percurso com duração estimada de duas horas de carro. Para quem desembarca pelo aeroporto de Curitiba, o deslocamento de carro é a opção mais comum para explorar a região, que integra outros destinos próximos como Carambeí e o Parque Estadual do Guartelá.

O município destaca-se no cenário nacional ao reunir a memória das tropas do século XVIII, uma colônia holandesa em pleno funcionamento e a liderança na produção leiteira do país, consolidando o meio rural como o eixo organizador de sua economia e rotina.

As informações são do Canal Rural.

LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA

- Liderança nacional na produção de leite: Castro registrou 484,4 milhões de litros de leite na Pesquisa da Pecuária Municipal do IBGE (2024), mantendo a maior produção do país e consolidando o título oficial de Capital Nacional do Leite, concedido pela Lei Federal 13.584/2017.

- Herança holandesa e alta produtividade: Fundada em 1951 por imigrantes dos Países Baixos, a colônia de Castrolanda alcançou níveis de produtividade por animal cerca de quatro vezes superiores à média nacional, comparáveis aos padrões europeus, e abriga o moinho De Immigrant, de 37 metros de altura.

- Patrimônio tropeiro e turismo regional: A terceira cidade mais antiga do Paraná preserva um centro histórico com oito imóveis tombados, como o Museu do Tropeiro e a Igreja Matriz de 1774, além do prato típico castropeiro e proximidade com atrações naturais como o Cânion Guartelá.

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