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Campos Gerais lideram expansão recorde da área de cevada no Paraná

Puxado pela nova maltaria em Ponta Grossa e por contratos garantidos, o Estado deve atingir 118,6 mil hectares do grão, consolidando-se como o grande motor da produção cervejeira nacional

Campos Gerais recebem investimentos em alta tecnologia e monitoramento de pragas para atender aos rigorosos padrões de qualidade exigidos pela indústria de malte
Campos Gerais recebem investimentos em alta tecnologia e monitoramento de pragas para atender aos rigorosos padrões de qualidade exigidos pela indústria de malte -

Publicado por Eduarda Gomes

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A produção de cerveja no Brasil ganhará um reforço paranaense em 2026. Impulsionada pela consolidação da indústria de malte na região dos Campos Gerais, a área destinada ao cultivo de cevada no Paraná deve atingir o recorde histórico de 118,6 mil hectares na safra de 2026. O número representa um salto de 7,9% em comparação com o ciclo anterior e consolida o Estado como o principal motor de expansão do cereal no país.

O grande catalisador desse crescimento na região é a entrada em operação da Maltaria Campos Gerais, localizada em Ponta Grossa. A proximidade entre as lavouras e a planta industrial revolucionou a logística local, reduzindo significativamente os custos com frete e garantindo aos agricultores contratos de compra firmados antes mesmo do plantio.

Para os produtores dos Campos Gerais, a cevada tornou-se uma alternativa de inverno muito mais atraente e rentável que o trigo. Além da liquidez garantida pelas maltarias, quem entrega o grão dentro dos exigentes padrões industriais recebe bonificações por qualidade, o que eleva consideravelmente as margens de lucro. Na safra 2025/2026, o Departamento de Economia Rural (Deral) já havia registrado uma produção histórica de 449 mil toneladas em 103 mil hectares. Para o ciclo atual de 2026, a área avança mais 15 mil hectares, sustentada por uma produtividade média estimada acima de 4.358 kg/ha.

AVANÇO DA TECNOLOGIA

Para sustentar esse crescimento acelerado e mitigar os riscos do campo, a Embrapa formalizou uma parceria estratégica com a Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária (Fapa), com vigência até 2028. O objetivo é desenvolver quatro novas cultivares de cevada cervejeira focadas em resolver os principais gargalos enfrentados pelos produtores paranaenses:

- Resistência à giberela: Doença fúngica severa que ataca em anos chuvosos e destrói a qualidade industrial do grão;

- Tolerância ao acamamento: Problema crônico que afeta lavouras mais adensadas e dificulta a colheita;

- Resistência à germinação na espiga: Fenômeno causado por umidade excessiva na pré-colheita que inviabiliza o grão para o processo de malteação;

- Ganho de produtividade: Aliar o maior volume de quilos por hectare ao padrão exigido pelas indústrias.

Utilizando técnicas modernas de melhoramento genético, os pesquisadores conseguiram reduzir o tempo de chegada das novas sementes ao mercado. O ciclo tradicional de pesquisa, que antes demorava entre 10 e 15 anos, caiu para 6 a 8 anos, uma velocidade de resposta crucial para acompanhar o ritmo de expansão das maltarias na região.

DESAFIO DO CLIMA E DEPENDÊNCIA EXTERNA

Apesar do avanço genético, o clima permanece como o principal fator de risco para a rentabilidade da cevada. Chuvas excessivas no período de florescimento e colheita, além de geadas tardias na fase de espigamento, podem comprometer severamente o padrão cervejeiro, rebaixando o uso do grão para a fabricação de ração animal, o que reduz drasticamente o valor pago ao produtor. Diante disso, especialistas recomendam que o agricultor adote um manejo fitossanitário preventivo, ajuste rigorosamente a janela de plantio e evite plantar sem um contrato previamente estabelecido.

A expansão no Paraná é peça-chave em um plano de longo prazo para a substituição de importações. O Brasil ocupa a posição de terceiro maior produtor mundial de cerveja (com 17,8 milhões de toneladas ao ano), consumindo cerca de 2 milhões de toneladas de malte anualmente para abastecer suas 1.847 cervejarias. No entanto, a produção nacional ainda cobre menos de um terço dessa demanda.

Em 2025, o país precisou importar 1,3 milhão de toneladas de malte e 933 mil toneladas de grãos de cevada para suprir o consumo interno, que é de 69,9 litros per capita ao ano. A meta da cadeia produtiva é descentralizar e expandir a cultura.

Enquanto o Sul expande o cultivo, regiões do Centro-Oeste e Sudeste começam a testar a cevada como opção de inverno em áreas irrigadas por pivô central, redesenhando o mapa do grão para a próxima década. As informações são do portal Broto Notícias.

LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA

- Recorde de Área no Paraná: O Estado deve atingir a marca histórica de 118,6 mil hectares cultivados com cevada em 2026, uma alta de 7,9% impulsionada pela demanda da Maltaria Campos Gerais, em Ponta Grossa.

- Parceria Científica de Ponta: Um acordo entre a Embrapa e a Fapa prevê o lançamento de quatro novas variedades de sementes até 2028, reduzindo o tempo de pesquisa pela metade para criar plantas resistentes a doenças climáticas como a giberela.

- Substituição de Importações: O forte crescimento nos Campos Gerais visa reduzir a dependência externa do Brasil, que em 2025 precisou importar mais de 2,2 milhões de toneladas de malte e cevada em grão para abastecer seu mercado cervejeiro.

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