Vendas de máquinas agrícolas caem 21,3% no 1º semestre
Expectativa por juros menores do novo Plano Safra travou os negócios no período; indústria projeta retração de 20% no acumulado do ano

As vendas de máquinas e equipamentos agrícolas no Brasil registraram uma retração de 22,3% em junho na comparação com o mesmo mês do ano anterior. O principal motivo apontado para a desaceleração foi a decisão dos produtores de aguardar pelo anúncio das taxas de juros reduzidas do Plano Safra 2026/27, divulgado no fim daquele mês.
No total, o faturamento do setor em junho atingiu R$ 4,97 bilhões, conforme dados levantados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Apesar do recuo no confronto anual, o desempenho de junho mostrou uma reação de 8,3% em relação a maio.
Os meses de junho e julho tradicionalmente registram menor movimentação comercial por conta do encerramento e transição das vigências do Plano Safra. Contudo, o impacto foi mais acentuado em 2026 devido ao alívio nas taxas. No ciclo anterior, as linhas do Moderfrota operavam com juros de 13,5% ao ano. Já o atual programa, o Move Agricultura, passou a oferecer crédito financiado à taxa de 9,2% ao ano.
Diante da mudança, os agricultores optaram por postergar os investimentos para contratar o crédito em patamares mais favoráveis. As informações são do Globo Rural.
DESEMPENHO NO ANO
O ritmo fraco de vendas tem sido observado desde o início do ano. Entre janeiro e junho, o faturamento do segmento acumula queda de 21,3% frente ao mesmo período de 2025, totalizando R$ 26,64 bilhões.
Diante desse cenário, a Abimaq manteve a projeção de que as vendas fechem 2026 com uma retratação de 20%. Essa estimativa reflete a menor rentabilidade acumulada nas principais culturas agrícolas nacionais, cujas margens apertadas fazem com que os produtores adiem a renovação de suas frotas.
BALANÇO COMERCIAL
Diferente do mercado interno, o comércio exterior do setor de máquinas registrou movimentação mais aquecida em junho:
- Exportações: Alcançaram US$ 160,67 milhões no mês, subindo 17,2% em relação a junho do ano passado e 20,9% sobre maio. De janeiro a junho, os embarques somaram US$ 876,6 milhões, uma alta de 17,5% na comparação anual.
- Importações: Somaram US$ 124,4 milhões em junho, com avanços de 17,7% na base anual e 12,5% na mensal. No acumulado do primeiro semestre, contudo, as compras do exterior recuaram 4,7%, totalizando US$ 626,07 milhões.
SEGMENTOS
A retração foi sentida com maior intensidade na comercialização de colheitadeiras:
- Colheitadeiras: As vendas ao consumidor final caíram 41,4% em junho frente ao mesmo mês do ano passado, somando 140 unidades. As vendas de fábrica despencaram 78,7% (78 unidades) e as exportações do item recuaram 37,5% (15 unidades).
- Tratores: As vendas ao usuário final recuaram 20,8% em junho, totalizando 3.146 unidades, enquanto as vendas de fábrica caíram 20,7%, registrando 3.636 unidades. Em contrapartida, as exportações de tratores deram um salto de 50,9% na comparação anual, somando 620 unidades negociadas no exterior.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- Queda no semestre e fator crédito: As vendas da indústria de máquinas agrícolas recuaram 21,3% de janeiro a junho, impactadas pelo adiamento de compras de produtores que aguardavam a queda nos juros do financiamento do Plano Safra (de 13,5% para 9,2% ao ano).
- Projeção anual negativa: Com a margem de lucro menor nas lavouras e o recuo dos aportes no setor, a Abimaq prevê fechar o ano de 2026 com uma queda consolidada de 20% nas vendas.
- Exportações em alta vs. mercado interno: A despeito do desaquecimento do mercado doméstico e da forte queda na venda de colheitadeiras, as exportações de maquinário cresceram 17,5% no primeiro semestre, impulsionadas pelo aumento de 50,9% nos embarques de tratores em junho.





















