Setembro Amarelo reforça importância do diálogo sobre saúde mental | aRede
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Setembro Amarelo reforça importância do diálogo sobre saúde mental

Psicóloga orienta sobre sinais de sofrimento, formas de acolhimento e busca por ajuda especializada

Quem precisar de apoio emocional pode entrar em contato com o CVV pelo telefone 188
Quem precisar de apoio emocional pode entrar em contato com o CVV pelo telefone 188 -

Mariele Alexandra Zanin

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Falar abertamente sobre saúde mental é uma das formas de combater tabus e ampliar o acesso à informação e ao cuidado. Durante o Setembro Amarelo, campanha de conscientização sobre a prevenção do ato de tirar a própria vida, o tema ganha ainda mais espaço para orientar a população sobre como identificar situações de sofrimento e buscar ajuda. Segundo a psicóloga Isis Midori, o assunto ainda é cercado por muitos tabus, o que reforça a importância de criar espaços para o diálogo.

Para a profissional, falar sobre sofrimento de maneira responsável pode ajudar as pessoas a compreenderem que não precisam enfrentar momentos difíceis sozinhas. “Ter um espaço onde você possa saber as informações a respeito, como procurar ajuda e entender que o sofrimento faz parte da nossa condição como ser humano, possibilita que as pessoas possam procurar um atendimento adequado”, afirma.

Isis explica que não existe um único comportamento capaz de indicar que alguém está passando por um momento de sofrimento. Por isso, é importante observar mudanças no comportamento habitual da pessoa. Ela cita como exemplo uma pessoa que normalmente é extrovertida e passa a se isolar ou evitar o contato com outras pessoas.

“Se a pessoa está no discurso dela com sentimentos de desesperança, falando: ‘Eu não aguento mais, está tudo muito pesado, estou muito cansado, não estou encontrando mais saída nesse problema’, também é um sinal de alerta”, explica. Comportamentos relacionados ao uso e abuso de substâncias psicoativas, como álcool, drogas e medicamentos, também merecem atenção.

Quando alguém próximo demonstra sinais de sofrimento, uma das principais formas de ajudar é estar disponível para ouvir. “Muitas vezes, a gente se preocupa com o que falar com essa pessoa, achando que vai ter algo mágico ali que vai tirar esse sofrimento da pessoa, e não é assim que funciona. A gente precisa estar à disposição para ouvir”, afirma.

Em situações de sofrimento intenso e risco iminente, a orientação é não deixar a pessoa sozinha e procurar atendimento de urgência. “Se você está diante de alguém num estado muito agudo de sofrimento e está falando ‘eu vou tirar a minha vida’, é não deixar essa pessoa sozinha no local e acionar um serviço de atendimento à urgência, o SAMU, o 192”, orienta. Há também os serviços especializados de saúde mental, como os CAPS, CVV ou profissionais de confiança.

Para quem não está em uma situação de sofrimento intenso, a psicóloga destaca que alguns hábitos podem contribuir para a promoção da saúde mental. Entre eles estão sono de qualidade, alimentação adequada e atividade física.

Isis também destaca que a saúde mental não deve ser tratada apenas como uma responsabilidade individual. Para ela, as condições de vida e as políticas públicas também fazem parte dessa discussão. “Não é uma responsabilidade só do indivíduo. A gente precisa garantir e exigir também que o governo propicie políticas públicas que garantam uma dignidade de moradia, segurança financeira”, afirma.

Para a psicóloga, a campanha do Setembro Amarelo é importante quando promove conscientização de forma responsável e ética, mostrando que o sofrimento pode ser acolhido e que existem caminhos para buscar ajuda.

Isis Midori é psicóloga clínica, realiza atendimentos presenciais em Ponta Grossa e também de forma online. O trabalho pode ser acompanhado pelo Instagram @isismidori.psi.

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